sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Goiás: desempenho do emprego formal

As peculiaridades que envolvem a economia goiana se traduzem no bom desempenho do Estado em relação à geração de empregos com carteira assinada. Não obstante ao cenário adverso, eis que os resultados neste se mostram bastante animadores. O que tem feito o Estado alcançar resultados expressivos como os verificados no primeiro semestre do ano? Principalmente o perfil de sua indústria. Como assim? Goiás, em que pesem os atrasos em relação a São Paulo, vive um processo de consolidação da primeira etapa de um processo de industrialização.

Não entendi! É simples. O que o Estado de São Paulo vivenciou na entrada da década de 1950, Goiás está agora vivenciando, pois a base de sua produção assenta-se na produção de alimentos, bebidas e derivados do setor têxtil. Em tempos de crise ou não, produtos de origem destas cadeias produtivas não deixam de ser consumidos, já que se encontram diretamente ligados à sobrevivência das famílias que integram o sistema de produção.

Os Estados mais desenvolvidos já venceram esta etapa e têm suas economias assentadas na produção de bens e serviços intermediários e de bens de capital. O que vem a ser bens e serviços intermediários? São aqueles considerados bens finais para suas empresas, mas que complementam empresas de outros setores. Por exemplo, o pneu é bem final para as empresas que o produzem e bem intermediário para as montadoras de veículos. Por quê? Porque não se comercializa veículos sem pneu. O mesmo fato se verifica com o setor de autopeças e acessórios. Elucidado este ponto, você poderia me dizer o que vem a ser bens de capital? Bens de capital, ou também chamados de inversão, são aqueles conhecidos como o de máquinas e equipamentos. Qual a importância deste setor para a economia? É através dele que novas tecnologias são inseridas no processo produtivo, garantindo às empresas maior produtividade e a possibilidade de conquistar novos mercados. Portanto, podemos dizer que quando o segmento de bens de capital se expande a economia cresce de maneira geral. Quando se verifica o contrário, os resultados não são bons. Nos primeiros seis meses do ano, o segmento de bens de capital acumulou perdas superiores a 30%. Como grande parte de seu parque industrial situa nos grandes centros do País, explica-se, a partir daí, as dificuldades destes Estados em manter o nível dos empregos criados no mesmo período do ano passado. Feitas estas considerações, podemos enxergar melhor os resultados obtidos por Goiás no que concerne a geração de empregos formais. Vamos aos números extraídos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados nos primeiros seis meses do ano.

No período, o saldo entre admitidos e demitidos se encontra em 44.920 novos postos de trabalho, perdendo apenas para Minas Gerais, com 80.446 novos empregos com carteira assinada, e São Paulo, com 139.605 novas oportunidades de trabalho. Portanto, sob este aspecto, o Estado está muito bem. Por outro, são poucos os municípios que obtiveram resultados positivos. Isso pelo fato de que apenas 32,5% detêm algum tipo de atividade industrial, os demais apresentam processos de produção centrados na atividade agropecuária e de extração mineral.

O destaque positivo ficou para Goiânia, cuja atividade econômica mais forte está no setor de serviços, seguido de indústria. Neste corte geográfico, o saldo positivo foi de 1.636 novos empregos. Em seguida, vêm Itumbiára, com 1.001 empregos formais, e Santa Helena de Goiás, com 757 novos empregos com carteira assinada. O destaque negativo ficou por conta de Mineiros, com - 406 empregos, seguido por Anápolis, -163, e Luziânia, -163. Outros 26 municípios citados, embora tenham apresentado resultados em sua maioria positivos, deixaram a desejar em razão da força econômica que representa cada um. Catalão é um exemplo, com a atividade econômica diversificada assentada na extração mineral, agropecuária e na indústria metal (mecânica e máquinas e implementos agrícolas), apresentou um saldo considerado pífio, de apenas 42 novos postos de trabalho.

Um dado que preocupa e que não foi levado à mídia pelas autoridades é em relação ao número de demissões. Por exemplo, em Goiânia, no mês de junho, foram criados 16.522 novos postos de trabalho e, ao mesmo tempo, foram fechadas 14.886 oportunidades de trabalho, ou seja, 90,1% dos trabalhadores admitidos no mês ao finalizá-lo foram demitidos. O que pode explicar isto? A meu ver, parte da explicação recai na queda das vendas; a outra, pelo fato dos níveis de crédito ainda permanecerem baixos, mostrando que a crise financeira internacional continua afetando o mercado.

Nos outros municípios, os percentuais de desligamentos em relação ao de admissões foram menores. Vejamos: Itumbiara foi de 47,8% e Santa Helena, de 15,9%, isso graças ao tipo de atividade econômica desenvolvida pelos municípios, pois tanto no primeiro como no segundo, pesou o papel desempenhado pelas usinas de açúcar e álcool e das agroindústrias voltadas para o processamento de soja, milho e algodão.

No geral, à exceção da administração pública, todos os outros segmentos apresentaram elevação no número de empregos no mês de junho como se pode perceber pela ordem: agropecuária, 1.903 postos; indústria de transformação, 1.794; construção civil, 1.475. As razões para o bom desempenho assentam-se na criação de bovinos, fabricação de álcool, açúcar e, finalmente, pela construção de rodovias, ferrovias e obras de terraplenagem. Outro dado relevante para o bom desempenho foi a continuidade da política de incentivos e benefícios fiscais, mesmo com a possibilidade do governo cortá-los, seguindo a orientação do Palácio do Planalto.

A parceria com o governo federal é importante desde que não seja colocado na mesa a extinção destes subsídios fiscais. Se assim proceder, todos os ganhos alcançados no setor de emprego e de industrialização tendem a se reverter com perdas de autonomia administrativa e do crescimento e desenvolvimento deste importante Estado brasileiro.

Fica aí mais um ponto para a reflexão da classe política.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/goias_desempenho_do_emprego_formal

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