quarta-feira, 16 de junho de 2010

ECONOMIA: COMPORTAMENTO DO PIB BRASILEIRO


No início do mês de junho o dempenho do PIB brasileiro, no comparativo com o primeiro trimestre de 2009, apresentou crescimento de 9%. Crescemos a taxas chinesas, podemos comemorar?
Podemos, afinal não é todo trimestre que a economia brasileira apresenta um desempenho tão bom em termos de formação da riqueza. Mas tal como a seleção brasileira de futebol, não podemos nos iludir. Por quê ser tão cético em um momento de alegria? Porque comparar qualquer trimestre com o primeiro do ano de 2009, a tendência é que o crescimento seja considerável, isto porque, o período em tela absorveu toda a pressão da crise financeira internacional que eclodiu em setembro de 2008.
No primeiro trimestre de 2009, o cenário era de insegurança no mercado mundial, os níveis de crédito se reduziram, as taxas de juros se elevaram: tanto para o consumo quanto para investimentos, promovendo uma queda em cadeia da atividade econômica.
Naquele período o quadro era de recessão, as pespectivas para o ano que se iniciava eram as piores possíveis, fato que acabou se confirmando com um resultado negativo do produto agregado no final daquele ano.
É de se ressaltar que naquele período as intervenções do estado nas economias foram marcantes, desmistificando a lógica pregada pelo neoliberalismo, de que, o mercado resolvia todas as intemperes, não necessitando da intervenção deste agente nas economias. A se não fosse o aporte de recursos feito pelos entes estatais mundo afora, atualmente não teríamos apenas a Grécia, com dificuldades para honrar seus compromissos, teríamos sim economias importantes como: a dos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra, dentre outras que formam o G8.
Portantanto meus amigos o equilibrio proporcionado pelos estados nação, foram no passado e ainda são no presente a mola propulsora do crescimento e do desenvolvimento das economias. Afastá-los do mercado, mesmo como regulador, é no mínimo uma insensatez, já que os recursos para movimentar as economias sempre foram e ainda são muito limitados.
Voltando a questão inicial de comparação dos trimestres em relação ao comportamento do PIB, percebemos que a euforia não é a mesma quando a comparação é feita dentro do ano de 2010. Por quê, isto ocorre? Porque o cenário econômico é adverso, isto puxado pelas iniciativas do Banco Central, no afã de combater o crescimento dos níveis de inflação, causados pelo descompasso entre as medidas tomadas pelo governo brasileiro no intuito de vencer a crise ainda nos primeiros três meses de 2009.
Naquela oportunidade se estimulou o consumo via isenção e/ou redução da carga tributária, para setores multiplicadores da economia, mas não fez o mesmo, em relação as taxas de juros, para investimentos em bens de capital, elementos cruciais para o avanço da economia, sobretudo para a renovação de estoques.
Naquele período e em grande parte daquele ano os níveis de consumo das famílias foram ampliados, o mesmo ocorrendo com o consumo do governo. Muito embora estas duas variáveis sejam importantes para a formação do PIB, outras não ficam atrás, como a de inversão bruta de capital fixo e as exportações.
A queda dos investimentos comprometeu a formação de estoques de produtos a ser disponibilizados no mercado, nos períodos seguintes, alimentando o crescimento das taxas de inflação.
O governo via Banco Central, neste ano, retirou do bolso a velha receita, elevou as taxas de juros, sob o pretexto de desaquecer a economia, quando o viés, deveria ser outro, o de aquecer a produção para derrubar a inflação, pelo equilíbrio entre oferta e demanda e não pela via do mercado financeiro, como de praxe.
Com as novas medidas adotadas, pela autoridade monetária, poderemos dizer que tudo não passou de uma marola e que na verdade, continuaremos crescendo a taxas chinesas, nos comparativos com os trimestres seguintes ou que de fato a base de comparação não foi a melhor e continuamos com desempenho abaixo do que podemos e necessitamos, para realmente virar o jogo.
É torcer e pagar para ver.

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

POLÍTICAS PÚBLICAS E ESTRATÉGIAS DE DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento requer não só recursos e parceiros, mas principalmente ser orientado por políticas públicas, planejadas e consistentes. As estratégias de desenvolvimento devem levar em conta as seguintes variáveis: Localização, infra-estrutura, mão-de-obra qualificada, recursos naturais e materiais abundantes e uma política consistente de subsídios fiscais e financeiros.
A economia brasileira no que tange ao processo de crescimento e desenvolvimento econômico, apresentou dois períodos distintos. O primeiro iniciou com a transição do modelo agrário exportador para o urbano industrial ainda em 30, enquanto que o segundo, teve início em 94, com a edição do Plano Real.
O estacamento dos níveis inflacionários acima de dois dígitos, permitiu ao governo da época reorientar os investimentos públicos, em que pesem os poucos recursos para recriar as bases para investimentos de ordem externa e interna.
A princípio os recursos foram voltados para as privatizações seguindo o receituário neoliberal de afastamento do Estado do mercado, isto combinado com a modernização do parque indudustrial, já que, a demora em abrir a economia por um lado, assegurou a reserva de mercado e por outro colocou em cheque os produtos brasileiros semiduráveis e duráveis quando em concorrência com os externos.
O ponto mais importante deste período foi o resgate do planejamento, a edição dos planos pluri anuais, deu mais controle e mais foco as políticas públicas, para fins de corrigir as distorções verificadas antes e depois da crise fiscal dos anos 80.
A década perdida foi marcada por políticas públicas populistas, praticadas em grande parte das unidades federadas. Se por lado permitiu a realização de obras de infra-estrutura voltadas principalmente para contenção da poeira, por outro deixou de lado a necessidade de inversões para a modernização dos portos, construção de ferrovias e hidrovias, que alimentam eixos estruturantes de escoamento da produção a custos reduzidos.
O resultado deste processo foi à manutenção do custo Brasil elevado, endividamento dos estados regionais, inflação alta e investimentos que não foram capazes de alavancar o processo de crescimento, para fins de desenvolvimento econômico. Os ganhos foram pontuais que acabaram não compensando as grandes perdas de recursos.
No período o processo de globalização em curso exigia das nações a edição de políticas estratégicas que compensassem os erros do passado e ao mesmo tempo as permitissem inserir na nova ordem econômica mundial. Os fins da guerra fria e a ascenção dos blocos econômicos regionais já sinalizavam para a necessidade de mudança de rota, caso contrário ao invés de se dirigir ao centro, a tendência seria a proximidade cada vez maior da periferia dos mercados.
A Carta Magna de 1988, fortaleceu os estados, melhorando sua relação com os mercados. Emergiram políticas públicas para fins de desenvolvimento regionais, centradas em incentivos e benefícios fiscais, criando com isso, uma cama de compensação para a elevada carga tributária em relação ao produto interno bruto.
Os centros dinâmicos da economia brasileira sentiram o peso das deseconomias de aglomeração enquanto que os menos dinâmicos como Goiás, ganhavam espaço em relação a novos investimentos, modificando em parte o seu perfil produtivo. As culturas de subsistência deram lugar às culturas com demanda internacional. A soja, o milho e a cana-de-açucar, mudaram a paisagem dos cerrados.
O Produto Interno Bruto foi redimensionado, o setor de serviços, puxado pela atividade industrial forçou a reorganização da atividade agropecuária, resultado: os indicadores econômicos e sociais cresceram favorecendo o crescimento e o desenvolvimento da economia goiana, a colocando como a nona economia do país, deixando para trás estados importantes como Pernambuco.
O produto agregado cresceu, com ele ampliou a arrecadação de ICMS, os niveis de emprego e renda. Cidades pólos emergiram e um novo cenário econômico foi criado, no entanto Goiás, precisa seguir em frente. Novas demandas surgem exigindo cada vez mais do ente estatal.
A crise financeira internacional derrubou o mito de que os estados devem ser mínimos, pelo contrário, assegurou a estes suas parcelas de importância, no crescimento das economias, não mais como interventores, mas sim como reguladores do processo. Razão pela qual se entende que Goiás, avançou, mas pode e deve avançar ainda mais, requerendo para tanto planejamento estratégico e visão de futuro.
Fica aqui mais um ponto de refexão para a população do Estado, pois Goiás, pode muito mais.
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