sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Catalão:150 anos de história

Há 150 anos nascia na beira do Córrego do Almoço nossa querida Catalão. Terra de homens e mulheres aguerridos e trabalhadores. Desde sua emancipação política tornou-se um centro de referência da região Sudeste do Estado. Distante 100 km de Uberlândia, a principal cidade do Triângulo Mineiro, 280 km de Brasília, 255 km de Goiânia e cerca de 500 km do centro dinâmico do País, Catalão deu início a seu processo de desenvolvimento a partir do deslocamento para aquela terra de descendentes de espanhóis, italianos, portugueses, libaneses, sírios, brasileiros e de outras importantes nacionalidades que, juntas, começaram a construir o seu legado.

No campo econômico, as atividades ali desenvolvidas guardavam certa ligação com o apogeu do café em São Paulo e seu processo emergente de industrialização. A estrada de ferro, que fazia parte da logística de colocação do produto no mercado externo, se estendeu até Goiás, beneficiando diretamente o desenvolvimento daquele município. Isto ampliou a ligação dos catalanos com os mineiros, em face da proximidade e das atividades correlatas que passaram a desenvolver.

Passaram-se os anos e mesmo com a edificação de Goiânia os vínculos econômicos estavam mais ligados a Uberlândia. Fato este que começou a se modificar na entrada dos anos 70. Catalão, pela riqueza de seu subsolo e a qualidade de seus representantes, começou a se inserir no rol de benefícios trazidos com o primeiro e segundo Plano Nacional de Desenvolvimento.

Naquela época, passou da energia monofásica para a trifásica, a água passou a ser tratada pela Saneago e também viu seus aparelhos telefônicos arcaicos e obsoletos serem trocados por aparelhos modernos para época e que lhes dava condições de se comunicar com maior qualidade internamente e no exterior.

Não obstante aos avanços verificados no setor de energia e de telecomunicações, outras obras de infraestrutura marcaram a cidade naquele período. Vieram na esteira deste processo os primeiros mil metros de canalização do Córrego Pirapitinga, rasgando a cidade no bom sentido, permitindo com isso a abertura de bairros importantes como a Mãe de Deus, o do Pio Gomes e parte do São João, os interligando ao centro, além de estancar um foco endêmico de doenças.

A obstinação para tal feito partiu de um jovem médico formado na Faculdade de Medicina da praia vermelha no Rio de Janeiro, lacerdista de carteirinha, tido como cavalo pelos seus adversários, mas extremamente humano para os mais humildes. Fez da medicina e da política um sacerdócio, o branco não caracterizava apenas de seu modo de trajar, mas fazia parte da essência de sua alma. Poucos foram aqueles e ainda são os que podem usar o branco sem que nenhuma mácula os enlameie.

As décadas de 80 e 90 não foram menos significativas para o município, novas lideranças políticas surgiram e deram sequência ao trabalho iniciado na década anterior. A infrestrutura foi ampliada e modernizada. Catalão ganhou novos contornos e aumentou sua participação política e econômica no Estado de Goiás.

Veio a década seguinte e um novo líder surgiu, ficou por dois mandatos à frente do executivo municipal e deu a Catalão os ares da modernidade. Obras em todos os setores emergiram, dando uma nova configuração política, econômica e social a Catalão.

Na sequência, um filho da vizinha Cumari assumiu os destinos da cidade e vem conduzindo-a muito bem. Novas parcerias foram estabelecidas, o que lhe tem permitido dar continuidade à dinâmica administração que a antecedeu. Deu sequência ao processo de modernização do centro da cidade e também nos bairros. Tem dedicado uma parte do seu tempo para ouvir a população e mantido os compromissos de campanha.

No último dia 20 de agosto, como parte das comemorações dos 150 anos de emancipação política e administrativa de Catalão, presenteou a população daquela cidade com a avenida dos prefeitos. Nela se conta a história de Catalão, pois cada um, a seu tempo, deu sua parcela de contribuição para que na contemporaneidade o município chegasse onde está.

Feliz a cidade que preserva o seu passado, pois dele foi modelado o presente que cria as bases para o futuro. Assim tem sido nossa querida Catalão.

No campo econômico tem se mantido firme em busca de novas conquistas. De subsolo rico em minerais, apresenta uma agricultura dinâmica e diversificada tal como ocorre também com a atividade industrial.

Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em consonância com os extraídos da Superintendência de Estatística e Planejamento do Estado de Goiás, dão conta que o município tinha uma população em 2006 de 71,6 mil habitantes, que teria arrecadado no ano R$ 428,0 milhões de ICMS, apresentava um PIB per capita de R$ 34,7 mil e detinha um PIB de R$ 2,5 bilhões.

A composição de sua riqueza segue a tendência dos municípios que já atingiram melhores níveis de investimentos, pois está assim distribuída: agropecuária, R$ 86,5 milhões; indústria, R$ 850,7 milhões; enquanto que o setor de serviços participou com R$ 1,120 milhão.

Pelos resultados de seus indicadores, naquele ano figurou como a quinta cidade em geração de riqueza, perdendo duas posições, tendo em vista a crise vivida pela agricultura. Passado aquela fase, os novos indicadores que serão divulgados em novembro próximo devem confirmá-la novamente na terceira ou quarta posição, dando à população maiores oportunidades de sobrevivência.

Têm no seu bojo econômico várias atividades, tais como agricultura, pecuária, mineração, metalurgia básica, além de produção de veículos automotores e de tração. Está na iminência de receber outra montadora. Caso se confirme, a cidade ganhará nova dinâmica, com um setor cuja especificidade está em multiplicar as condições de emprego e renda.

Na atualidade exerce a função de polo de desenvolvimento regional, para tanto, seus representantes nas esferas legislativa e federal devem trabalhar de forma que o seu desenvolvimento seja seguido de perto pelos municípios que a cercam. Com isso, novas oportunidades serão abertas nestes cortes geográficos, estimulando principalmente a industrialização, carro-chefe de qualquer política de desenvolvimento.

A industrialização, por um lado, puxa o agronegócio e por outro, o setor de serviços, razão pela qual nas economias desenvolvidas o setor de serviços guarda ligação direta com o desenvolvimento local e regional com vistas ao nacional.

Fica aí os votos de um catalano que, dentro de suas limitações, procura também representar bem o seu povo e a região.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/catalao150_anos_de_historia

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Goiás: novas perspectivas ao desenvolvimento

A princípio a conjuntura mostra-se bastante favorável ao Estado principalmente no que concerne às perspectivas de desenvolvimento econômico. Isto devido ao estágio em que se encontra na atividade industrial e a logística que envolve a conclusão da Ferrovia Norte-Sul. Se por um lado o atraso em relação aos centros mais dinâmicos constitui-se em problema, por outro o fato de não ter consolidado nenhuma cadeia produtiva em seu corte geográfico o coloca em condições singulares perante os efeitos da crise financeira internacional.

Por esta razão muitos goianos ainda não começaram a sentir os efeitos da crise que assola o mercado mundial e o brasileiro. Por que isto acontece? Porque ainda nos encontramos na primeira fase do processo de industrialização e o nosso forte em termos de mercado está centrado na agroindústria e nas atividades de extração mineral.

Nos maiores centros do Estado, 90% dos investimentos se encontram nos setores micro e pequeno, apenas 10% se enquadram em médias e grandes empresas. Os primeiros vêm sentindo a crise em razão da retração de 82% nas vendas enquanto que os médios e grandes a sentem em razão das restrições ao crédito. A indústria goiana está segmentada nas seguintes atividades: frigoríficos, laticínios, fármacos, veículos automotores e de tração, cerâmicas, minérios, alimentos, bebidas e de produtos de origem têxtil.

Em recente seminário de economia em comemoração à Semana do Economista, palestras e debates foram realizados no Auditório da Câmara Municipal de Goiânia, sob a coordenação do Conselho Regional de Economia deste Estado, no sentido de buscar alternativas para o desenvolvimento da Região Centro-Oeste.

Uma das palestras foi proferida pelo presidente da Associação Nacional de Brinquedos, Sinésio Batista, goiano que já ganhou fama em razão de sua perspicácia no mundo dos negócios. Ele trouxe na sua fala contagiante que é preciso ser diferente para espaço nos mercados locais, interestadual e externo. Disse sem meias palavras que o Brasil e o Estado de Goiás têm que deixar de ser compradores e passar a vender, para isso precisam mudar sua política de comércio exterior, ou seja, deixar de vender produtos “in natura” e passar a negociar produtos com maior valor agregado.

O autor deste artigo teve a honra de ser o seu debatedor e mesmo não tendo a mesma experiência em mercado internacional, pôde contribuir pelo conhecimento que tem sobre a economia brasileira e goiana. Iniciei minhas palavras dizendo: “concordo em gênero, número e grau com você, haja vista que as políticas públicas entoadas pelo governo devem ser mais bem trabalhadas no sentido de favorecer ao Estado para que participe da aldeia global de forma mais proativa e não reativa, que verdadeiramente nos põem em condição de ser comprador e não de vendedor.

Os exemplos citados por mim dizem respeito às cadeias do couro, soja, milho, cana-de-açúcar, algodão e de produtos farmacêuticos.

As colocações em relação ao couro não foram tão animadoras, pois disse que estamos distantes de consolidarmos como um polo calçadista. Por que diz isto? Porque não temos uma política de diferenciação para acompanhar o desenvolvimento do couro do nascimento ao abate. E quando este ocorre, o produtor não tem um preço diferenciado dos demais. Aí caberia um incentivo fiscal do governo junto ao frigorífico que remunerasse mais para o produtor que do couro tivesse cuidado. Em um segundo momento o setor oferece outro ponto de estrangulamento. Qual? Do couro cru, salga e “wet blue”, não tem nenhum tipo de incentivo, pelo contrário, há uma desoneração tributária na saída do couro no último estágio mencionado entre aspas e um encarecimento do imposto nas cadeias seguintes: semiacabado, acabado até sua transformação em sapatos, bolsas, cintos, estofamentos e outros derivados desta importante cadeia. Portanto, meus amigos, não se monta um polo calçadista apenas com edificações como vemos em Goianira, mais importante do que edificações são políticas tributárias com incentivos fiscais diferenciados, o que infelizmente ainda não temos. Outra ponderação que fiz foi a respeito dos incentivos fiscais que são dados às tradings para que estas vendam maior quantidade de produtos com valor agregado e em menor quantidade in natura, fato que não vem se verificando, tornando na prática o incentivo fiscal para este fim inelástico ou sem finalidade.

Vamos saber por quê. Historicamente os recursos repassados pelo Banco do Brasil aos produtores de nossas culturas não chegam no momento certo em que pesem os lucros que a instituição vem obtendo, razão pela qual quem financia estas culturas são as tradings. Estas por sua vez recebem por parte do Estado os incentivos e benefícios fiscais para que agreguem maior valor aos produtos de origem goiana. O problema é que estas tradings também têm suas negociações financiadas, querem saber por quem? Pelos grandes oligopólios do setor, leia-se: Cargil, Monsanto, dentre outras, cujos compromissos são maiores com o mercado externo do que com o interno e o governo. Resultado, os produtos saem do Estado de forma in natura e não como óleo, farelo. No caso da soja, há outras derivações que ao todo chegam a 123, que nestas condições jamais serão elaboradas em nosso Estado e por que não dizer também do Brasil. Isto vale para outras commodities como: algodão, milho, café dentre outras.

Na mesma linha de raciocínio ponderei sobre a diferença do que se prega e a verdade sobre o polo farmacêutico de Anápolis, para muitos farmoquímicos. Diferença básica, para ser farmoquímico deveria desenvolver princípio ativo. Por que não o faz? Devido aos custos e riscos da operação, para se ter uma ideia, um princípio ativo não sai por menos de US$ 500 milhões. Dependendo da pesquisa pode ultrapassar a casa dos US$ 1 bilhão. Convenhamos, neste caso também a política de incentivos fiscais para o estímulo do setor também tem sido inelástica. É muito para o Estado e pouco para os laboratórios. Qual a saída? A formação de um tripé envolvendo União, Estado e os laboratórios. Aos dois primeiros caberiam os incentivos fiscais focados no desenvolvimento de pesquisa e desenvolvimento, ao terceiro os investimentos para a realização de tal fim.

Para não alongar, ser diferente na concepção do palestrante que me referi acima é deixar de ser comprador e passar a vender, mas para tanto o Estado necessitará reordenar algumas de suas políticas fiscais no sentido de exportar produtos com maior valor agregado. Caso contrário nossos resultados serão sempre menores do que os dos períodos anteriores, tal como ocorreu com as exportações do mês de julho em relação a junho, que acumulou perdas de 31,9%.

Em julho nossas exportações alcançaram US$ 327,6 milhões, enquanto as importações atingiram US$ 260,2 milhões, o superavit foi de US$ 67,3 milhões, resultado inferior em 49% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. Neste montante, o agronegócio participou com 77,3%. Sendo 49,4% referente à soja – do total, 95% foi negociado in natura reforçando a afirmativa do palestrante e deste autor. O segmento ligado à carne foi responsável por 22,9%, sulfetos de minérios 9,02%, ferro ligas 7,89%, açúcares com 2,81% e couros com 1,34%. As importações foram de 39,9% no segmento de veículos e acessórios, 18,67% de produtos farmacêuticos e 11,02% de adubos e fertilizantes, o restante de segmentos diversos com expressão. Perspectivas de desenvolvimento existem, o que precisamos é começar a quebrar os paradigmas.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/goias_novas_perspectivas_ao_desenvolvimento

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Economia: um balanço sobre os resultados fiscais no Brasil

O Banco Central, no final do mês de junho, apresentou à sociedade um breve relatório dos resultados fiscais alcançados. Nele tratou sobre superavit primário, juros nominais apropriados, necessidades de financiamento, deficit nominal, dívida mobiliária federal e dívida líquida do setor público.

O que vem a ser superavit primário? A diferença entre receita e despesa público exceto o pagamento de juros. No mês de junho, o País obteve um superavit de R$ 3,4 bilhões; contribuíram para este resultado de forma positiva os Estados e as empresas estatais, já que o governo central apresentou um deficit de R$ 1,1 bilhão. O acumulado de 12 meses ficou em 2,04% do PIB, ou R$ 60 bilhões menor em R$ 6,0 bilhões no comparativo com o mesmo período do ano passado.

O resultado desta variável no primeiro semestre do ano em curso foi da ordem de R$ 35,3 bilhões ou 2,44% do PIB. Inferior em R$ 46,4 bilhões quando se compara com o mesmo perído do ano anterior. A explicação está no aumento dos gastos do governo para vencer a crise financeira ora instalada e também na isenção do IPI, para setores que funcionam como multiplicadores de emprego e renda na economia, leia-se veículos, eletrodomésticos e matéria-prima ligada à construção civil.

Juros nominais, o que vem a ser isto? São taxas financeiras em que a inflação não foi descontada. Caso fosse descontada a denominação recairia para juros reais. Não obstante ao conceito, no mês de junho, os juros nominais apropriados foram R$ 1,1 bilhão menores do que em junho, cujo montante alcançou R$ 13,5 bilhões. No primeiro semestre deste ano, foram apropriados R$ 78,9 bilhões ou 5,46% do PIB. Custo elevado para uma economia que precisa melhorar seu desempenho, principalmente no que se refere à atividade industrial.

Falei de juros, mas não me preocupei em definir o que vem a ser o PIB. De modo geral, as pessoas o conhecem como Produto Interno Bruto. Mas de fato o que isto significa? Trata-se da soma de toda a riqueza produzida em um município, Estado ou País, nos setores que compõem a atividade econômica (primário, secundário e terceiro). Detalhe: os recursos para o alcance deste resultado podem ser nacionais ou externos. Nas economias emergentes, o PIB é menor do que o PNB. O que vem a ser PNB? Produto Nacional Bruto. Como se chega a este resultado? Deduzindo do PIB as rendas líquidas enviadas ao exterior, que nada mais são do que a diferença entre o que o País recebeu com o que ele enviou de renda.

A autoridade monetária também se referiu no relatório às necessidades de financiamento no conceito nominal, estas incluem o resultado primário já comentado e os juros nominais apropriados. No mês de junho, esta conta apresentou um deficit de R$ 10,1 bilhões. Nos primeiros seis meses do ano, alcançou um deficit de R$ 43,7 bilhões, ou 3,02% do PIB. Resultado superior em R$ 36,5 bilhões quando comparado com o mesmo período do ano passado. O aumento do deficit no período analisado se deve às intervenções do Banco Central no mercado monetário colocando títulos públicos para conter o avanço demasiado do consumo, o que em outras palavras poderia levar a um aumento das taxas de inflação. Estas expansões foram em parte compensadas por reduções de R$ 35,6 bilhões na dívida bancária líquida e de R$ 6,7 bilhões no financiamento externo líquido.

Para se ter ideia do custo operacional por parte do governo, para se manter a inflação baixa mediante a utilização de uma política monetária restritiva, chegou em junho deste ano a R$ 1.321,9 bilhões, o que representa 44,8% do PIB. Valor excessivamente alto e que compromete os investimentos necessários a serem realizados no País, sobretudo no campo da infraestrutura, variável responsável para reduzir o custo Brasil, que tem impactado negativamente nossas exportações, não nos deixando superar o percentual histórico de 2,0% de participação no comércio exterior.

É preciso ainda colocar que, com uma dívida desta magnitude, construída pelo volume de papeis públicos, que se coloca no mercado para neutralizar os efeitos dos recursos que adentram o mercado, o governo deixa de investir em setores-chave para vencermos os efeitos da crise no médio e longo prazo, dentre eles, os relacionados à pesquisa e ao desenvolvimento de novas tecnologias para deixarmos de ser eternamente pagadores de royalties e passarmos a recebedores. Não esquecendo aqui também de mencionar a importância de se alocar mais recursos para a educação dos ensinos fundamental, médio e superior, já que pouco mais de 2% dos alunos que iniciam o fundamental chegam às universidades e, de fato, concluem com maestria o ensino superior.

Não obstante os problemas já levantados pela dívida mobiliária federal, há também os relativos à dívida líquida do setor público, que no mês de junho alcançou R$ 1.259,1 bilhões, ou 43,1% do PIB, elevando 0,5 pontos porcentuais em relação a maio deste ano. Além do deficit nominal já mencionado, contribuiu para este resultado a variação cambial de 1,09%, com reflexos diretos sobre os ativos líquidos vinculados ao dólar. Talvez aí explique um pouco as intervenções da autoridade monetária no mercado de câmbio para manter a relação entre as moedas mais estáveis.

Para finalizar, é importante que passemos a refletir sobre o montante da dívida bruta do governo federal, estando aí incluso as dívidas individualizadas do governo federal, INSS, Estados e muncípios. O total alcançou no último mês de junho R$ 1.859,8 bilhão ou 62,1% do PIB, restando apenas 37,9% do PIB para manutenção e investimentos necessários não só para o País vencer crise, mas principalmente colocar-se representativa no contexto da economia mundial.

Fica aí mais um ponto para a reflexão de todos os senhores.


Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/economia_um_balanco_sobre_os_resultados_fiscais_no_brasil_

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Dissertação de mestrado

Olá!

Deixo disponível aqui minha dissertação de mestrado pela UFU:

O papel do FOMENTAR no processo de estruturação industrial em Goiás (1984-1999)

Para os que se interessem pelo tema basta baixar o arquivo:
http://rapidshare.com/files/266149651/Disserta__o_J_lio_FOMENTAR.pdf.html

Boa leitura!

domingo, 9 de agosto de 2009

Desenvolvimento local: a bola da vez

Quando se fala em política fiscal o que normalmente as pessoas e grande parte dos analistas de mercado pensam? Em impostos. Por que isto acontece? Primeiro por desconhecimento dos verdadeiros pilares em que assentam uma política fiscal. E em um segundo momento porque a atividade desempenhada pelos fiscais da Fazenda Pública Nacional, Estadual e Municipal estão diretamente ligadas à arrecadação de impostos federais, estaduais e municipais.

Não estou entendendo se o tema proposto para o artigo em tela é a discussão sobre desenvolvimento local, por que discutir política fiscal? Porque a base de qualquer desenvolvimento local passa diretamente pela aplicabilidade de uma política fiscal. Como assim? Primeiro é importante que saibamos o que vem a ser uma política fiscal. Nada mais que uma ação de governo, cujos pilares de sustentação estão assim distribuídos: Alocação de Recursos; Distribuição da Renda e Manutenção da Estabilidade Econômica.

Parece que as coisas estão ficando mais claras. Quando você fala em alocação de recursos, pensa em quê? Os governos de maneira geral buscam alocar recursos para a promoção dos bens públicos, antes de mais nada é preciso definir o que vem a ser bens públicos. Bens públicos são aqueles indivisíveis e de uso coletivo, tais como: rodovias, praças, hospitais, bibliotecas, escolas da rede pública enfim, tudo aquilo em que o cidadão usa mas não tem a propriedade individualizada. Não sei se me fiz entender de maneira simples.

O capítulo da distribuição de renda parece um pouco mais complexo, no entanto vou procurar tratá-lo de maneira que todos passem a entendê-lo de maneira mais tranquila. Uma das maneiras de se distribuir renda é pela via do tributo. O tributo se divide: impostos, taxas e contribuições. Os impostos desde o Império Romano tem uma característica interessante e que não é praticado na sua essência. Por que digo isto? Porque imposto vem de imposição e imposição não guarda nehuma relação com contraprestação de serviços. Fui muito radical, mas é verdade. O imposto não implica em contraprestação de serviços? Na verdade não, por que o fazem? Para manter um bom relacionamento com a sociedade e ao mesmo tempo assegurar as estruturas de poder. Como assim? O imposto é utilizado para que os entes federados distribuam à sociedade benefícios na forma de obras ou mesmo no campo social que garantam à sociedade uma melhor condição de vida e também propiciem aos municípios condições de alcançarem maiores níveis de investimento.

Independente de sua verdadeira essência, os impostos que figuram em nossa Carta Magna têm tido uma função mais nobre que é a de promover a distribuição de renda. Vejamos como isto vem ocorrendo no País. Os impostos se dividem em diretos e indiretos. O diretos incidem sobre a renda e sobre a propriedade (IRPF, IRPJ, IPTU, ITR etc), enquanto que os indiretos incidem sobre à produção (IPI, ICMS, ISS etc.). No capítulo dos indiretos aparecem também os subsídios (fiscais e/ou financeiros), cujo objetivo assenta em fomentar o desenvolvimento local, regional e nacional. Os subsídios, quando bem utilizados, propiciam a convergência econômica entre os espaços com vistas ao equilíbrio social, leia-se: maiores investimentos em educação, saúde e segurança, pilares basilares de qualquer sociedade.

No âmbito dos tributos existem também as taxas, estas sim apresentam contraprestação de serviços em sua essência, pois só podem ser cobradas mediante a apresentação de serviços por parte dos entes federados. No caso específico da iluminação pública, a taxa só pode ser cobrada se de fato o cidadão estiver usufruindo do benefício, caso contrário é plenamente derrubada por mandado de segurança, idem com asfalto, esgoto dentre outros serviços que são prestados à sociedade.

Há ainda dentro do capítulo da distribuição de renda e que integram os tributos as contribuições como: Programa de Integração Social – PIS; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins; Contribuição de Intervenção sobre domínio Econômico – Cide, esta cobrada sobre combustíveis.

Diferentimente dos impostos que devem ser repartidos entre a União, Estados e municípios via as tranferências correntes através do que denominamos Fundos de Participação dos Estados e dos Municípios, cujos percentuais são calculados de acordo com a movimentação econômica de cada ente federado. Esta se eleva de duas formas: por agregação de valor e por um instrumento legal, retirando dos mais dinâmicos e passando aos menos dinâmicos.

É justamente no processo de agregação de valor que se consegue o desenvolvimento local, regional e nacional, haja vista que as potencialidades de cada corte geográfico são trabalhadas levando-se em conta a riqueza econômica que os entes guardam em seu solo e subsolo.

Para não alongar passemos a analisar a importância do terceiro pilar de sustentação de uma política fiscal, que é o da manutenção da estabilidade econômica. Este se dá mediante a utilização de políticas públicas: monetária, cambial e tributária. Dependendo da metodologia utilizada se pode contribuir para o crescimento, como desenvolvimento ou mesmo promover a retração econômica e também a estagnação de uma economia.

Em um corte de globalização, as políticas adotadas com vários fins pode ou não dar aos países condições de usufruir dos modelos de desenvolvimento. Em um cenário econômico adverso, como vivenciado mundialmente pelos estragos causados pela crise financeira internacional, há de se buscar soluções domésticas para vencer este período crítico.

Um dos atrativos que se abrem para as economias é otimizar seus mercados internos, para tanto as políticas fiscais devem focar o desenvolvimento em detrimento da concentração de riqueza em determinados segmentos.

Quando se trabalha com uma política monetária expansionista, cria-se cenários distintos, razão pela qual, para além do câmbio, um país deve ter uma política de mercado externa agressiva no sentido de compensar a apreciação da moeda nacional frente à estrangeira sem comprometer as correntes de comércio e mesmo o resultado da balança comercial.

Por que chamar atenção para este aspecto? Porque ao se trabalhar com uma política monetária expansionista, a taxa de juros, face a um montante maior de moeda em circulação, tende a ficar mais barata, estimulando os investimentos com consequente aumento da renda interna. Isto se verificando, os preços relativos dos produtos internos quando comparados aos externos ficam mais caros, dificultando as exportações. A compensação destas externalidades negativas viriam com uma ação fiscal voltada para concessão de subsídios às exportações e também com investimentos em infraestrutura que reduzissem os custos de escoamento dos produtos a serem comercializados. Trabalhando estes dois aspectos teríamos a formação de poupança tanto interna como externa, e propiciaríamos novas oportunidades de desenvolvimento local.

Chamando a atenção da discussão para Goiás, poder-se-ia pensar em desenvolvimento local, para cerca de 166 municípios, onde tanto o valor agregado é baixo como também o são seus índices de participação junto às transferências correntes estaduais e federais, dando assim um novo alento às suas populações.

Fica aí mais um ponto de reflexão.


Disponível: http://www.dm.com.br/materias/show/t/desenvolvimento_local_a_bola_da_vez

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O que Go­i­ás pre­ci­sa?

Par­ti­dos se con­cen­tram em no­mes pa­ra 2010 e es­que­cem de pro­je­tos. Lí­de­res clas­sis­tas, ana­lis­tas e es­pe­cia­lis­tas em marke­ting po­lí­ti­co se adi­an­tam na dis­cus­são

INÃ ZOÉ E SA­RAH MOHN

Es­pe­cu­la-se de­sen­fre­a­da­men­te so­bre quem de­ve­rá ser can­di­da­to ao go­ver­no de Go­i­ás em 2010. Con­fir­ma-se e ne­ga-se no mes­mo rit­mo a vin­da de fu­la­no ao Es­ta­do, a de­sis­tên­cia de bel­tra­no à can­di­da­tu­ra ou a in­cer­te­za do fu­tu­ro po­lí­ti­co de si­cra­no. Pá­gi­nas de po­lí­ti­ca na im­pren­sa go­i­a­na têm es­tam­pa­do nu­ma ro­ti­na ma­çan­te afir­ma­ções ne­ga­das no dia se­guin­te.

En­quan­to as agre­mia­ções par­ti­dá­ri­as se con­cen­tram em afu­ni­lar ne­go­ci­a­ções e con­so­li­dar ali­an­ças, pou­co se ou­ve fa­lar em pro­je­tos po­lí­ti­cos pa­ra go­ver­nar Go­i­ás. Em meio a tan­tas in­de­fi­ni­ções — que só de­vem mes­mo co­me­çar a par­tir de se­tem­bro, mês li­mi­te pa­ra fi­li­a­ções em par­ti­do po­lí­ti­cos — há cer­tas per­gun­tas que ain­da não fo­ram res­pon­di­das por gru­pos po­lí­ti­cos e seg­men­tos or­ga­ni­za­dos da so­ci­e­da­de. Qual o pro­je­to po­lí­ti­co-ad­mi­nis­tra­ti­vo que Go­i­ás pre­ci­sa a par­tir de 2011? In­de­pen­den­te­men­te de quem ven­cer as elei­ções da­qui a 15 mes­es, o que o go­ver­nan­te elei­to de­ve tra­çar co­mo pri­o­ri­da­de pa­ra ad­mi­nis­trar o Es­ta­do?

Li­de­ran­ças po­lí­ti­cas e clas­sis­tas, em­pre­sá­rios, ana­lis­tas, eco­no­mis­tas e mer­ca­dó­lo­gos, os fa­mo­sos “mar­que­tei­ros”, po­rém, se adi­an­tam na dis­cus­são e apon­tam as prin­ci­pa­is mu­dan­ças que de­vem ocor­rer no Es­ta­do. Ob­via­men­te que as di­ver­gên­cias são ta­ma­nhas. Uns de­fen­dem for­tes in­ves­ti­men­tos em in­fra­es­tru­tu­ra, co­mo a du­pli­ca­ção de ro­do­vi­as e ex­pan­são das re­des de ener­gia, e ou­tros cre­di­tam à Edu­ca­ção a ta­re­fa de pro­mo­ver o de­sen­vol­vi­men­to de Go­i­ás.

Agi­li­da­de é a pa­la­vra cha­ve pa­ra o pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção das In­dús­tri­as do Es­ta­do de Go­i­ás (Fi­eg), Pau­lo Afon­so Fer­rei­ra. Ele con­ta que a en­ti­da­de tem se re­u­ni­do com o seg­men­to pa­ra a ela­bo­ra­ção de um pla­no, que se­rá en­tre­gue ao pró­xi­mo go­ver­nan­te e irá co­la­bo­rar nas ações re­la­ci­o­na­das ao se­tor. O ex­ces­so de bu­ro­cra­cia, se­gun­do o pre­si­den­te, tem em­per­ra­do ações pú­bli­cas im­por­tan­tes, con­se­quen­te­men­te re­fle­ti­das no cres­ci­men­to da re­gi­ão. “De­ve­mos es­tu­dar no­vo pro­ces­so de de­sen­vol­vi­men­to in­dus­tri­al, de atra­ção de em­pre­sas e in­cen­ti­vos, de for­ma a ter com­pe­ti­ti­vi­da­de no se­tor em­pre­sa­ri­al go­i­a­no.”

Pa­ra o lí­der clas­sis­ta, a cri­se fi­nan­cei­ra mun­di­al, por mais que te­nha atin­gi­do as gran­des po­tên­cias co­mo EUA e Eu­ro­pa, trou­xe be­ne­fí­ci­os pa­ra o Bra­sil e pa­ra Go­i­ás. “A po­lí­ti­ca de fi­car ex­por­tan­do so­men­te ma­té­ria-pri­ma não é o ide­al, mas te­nho que ad­mi­tir que o Es­ta­do vem cres­cen­do mui­to nes­te sen­ti­do. Pa­ra que es­se de­sen­vol­vi­men­to se acen­tue é ne­ces­sá­rio avan­çar no pro­ces­so de cons­tru­ção de hi­dro­vi­as, nas li­nhas de trans­mis­são de ener­gia elé­tri­ca, du­pli­ca­ções das ro­do­vi­as es­ta­du­ais, in­clu­si­ve ade­rin­do à po­lí­ti­ca das con­ces­sões”, com­ple­ta.

Fer­rei­ra diz ain­da que não vê bons pro­je­tos na área so­ci­al sem que pri­mei­ro se in­vis­ta em in­fra­es­tru­tu­ra pa­ra dar su­por­te às ações. O di­á­lo­go fo­ca­do no as­sis­ten­ci­a­lis­mo, se­gun­do ele, ten­de a ge­rar ca­da vez mais ne­ces­si­da­des. O ide­al se­ria a pro­fis­si­o­na­li­za­ção de mão-de-obra por meio de po­lí­ti­cas pú­bli­cas con­jun­tas en­tre Fe­de­ra­ção e Es­ta­do, au­men­tan­do as­sim as chan­ces de em­pre­go e ge­ra­ção de ren­da, que con­se­quen­te­men­te cul­mi­na­ri­am no de­sen­vol­vi­men­to so­ci­al.

À fren­te da As­so­cia­ção Co­mer­cial, In­dus­tri­al e de Ser­vi­ços do Es­ta­do de Go­i­ás (Aci­eg), Pe­dro Bit­tar acre­di­ta que o pri­mei­ro pas­so a ser to­ma­do pe­lo no­vo go­ver­no de­ve ser vol­ta­do pa­ra a pro­du­ção. “Te­mos que trans­for­mar Go­i­ás no prin­ci­pal po­lo se­men­tei­ro do Pa­ís”. Lem­bran­do que o Es­ta­do fi­cou fo­ra da lis­ta das se­des da Co­pa do Mun­do de 2014, Bit­tar res­sal­ta que a aten­ção de­ve ser re­do­bra­da de for­ma que as obras pri­mor­di­ais não se­jam pre­ju­di­ca­das. “Te­mos que tra­tar de ener­gia e tran­spor­te. Quan­do se in­ves­te na in­dus­tri­a­li­za­ção is­so ge­ra co­mér­cio e pres­ta­ção de ser­vi­ço”, fri­sa.

A qua­li­fi­ca­ção pro­fis­si­o­nal tem si­do fa­tor de pe­so no que diz res­pei­to ao de­sen­vol­vi­men­to, tan­to in­dus­tri­al quan­to so­ci­al, mas em Go­i­ás es­se re­cur­so foi du­ran­te mui­to tem­po es­cas­so, sen­do mui­tas ve­zes im­por­ta­do de ou­tras re­gi­ões. Nos úl­ti­mos dez anos, co­mo ob­ser­va o pre­si­den­te da Aci­eg, es­sa re­a­li­da­de tem mu­da­do de­vi­do a in­cen­ti­vos, que de­vem ser ain­da mais am­pli­a­dos. “Ou­tras fren­tes, co­mo a in­dús­tria do tu­ris­mo, vêm se de­sen­vol­ven­do bem e ne­ces­si­tam de ações mais enér­gi­cas por par­te do po­der pú­bli­co.”

So­bre o te­or dos dis­cur­sos de 2010, ele res­sal­ta que sa­li­en­tar de­mais a cri­se mun­di­al se­rá um ti­ro no pé, pa­ra qual­quer que se­ja o can­di­da­to. “Eles de­vem dis­cu­tir o fu­tu­ro de Go­i­ás, não o pas­sa­do. Lá na fren­te não te­re­mos cri­ses e sim re­a­li­za­ções. Nós do se­tor pro­du­ti­vo que­re­mos pro­pos­tas que ve­nham au­men­tar a ar­re­ca­da­ção do Es­ta­do, mais em­pre­gos e di­vi­sas.”

Con­cor­dan­do com Bit­tar, o pre­si­den­te da Fe­de­ra­ção da Agri­cul­tu­ra e Pe­cu­á­ria do Es­ta­do de Go­i­ás (Fa­eg), Jo­sé Má­rio Schrei­ner, diz que os can­di­da­tos mais pre­ca­vi­dos tal­vez usem a cri­se pa­ra le­van­tar um dis­cur­so de cau­te­la, mas pro­cu­ran­do evi­tar o as­sun­to sem­pre que pos­sí­vel. Ele ava­lia que ho­je a ren­da do bra­si­lei­ro tem se­gu­ra­do mui­to es­te mo­men­to de ins­ta­bi­li­da­de eco­nô­mi­ca e den­tro des­se con­cei­to Go­i­ás es­tá bem si­tu­a­do. “O agro­ne­gó­cio tem mi­ni­mi­za­do es­te pro­ble­ma em to­do o Bra­sil”, ob­ser­va.

Pa­ra o pre­si­den­te da Fa­eg, o pon­to pri­mor­di­al pa­ra o avan­ço das re­a­li­za­ções pú­bli­cas, em se tra­tan­do de pla­nos de ges­tão, gi­ra em tor­no da dis­cus­são per­ma­nen­te que de­ve ha­ver en­tre so­ci­e­da­de re­pre­sen­ta­da e go­ver­no do Es­ta­do. Schrei­ner lem­bra que 70% da eco­no­mia go­i­a­na es­tá cal­ca­da na agro­pe­cu­á­ria, ca­ben­do aí um olhar es­pe­ci­al pa­ra o se­tor, com des­ta­que pa­ra o pe­que­no pro­du­tor, que é quem ge­ra os efei­tos da ca­deia.

Ele afir­ma, en­tre­tan­to, que os avan­ços tec­no­ló­gi­cos de­vem ser in­ten­si­fi­ca­dos e es­ta­rem to­tal­men­te à dis­po­si­ção da so­ci­e­da­de, di­fe­ren­te­men­te do que ocor­re ho­je com as pes­qui­sas agro­pe­cu­á­rias re­a­li­za­das em ní­vel pri­va­do. Cri­ti­can­do a po­lí­ti­ca agrí­co­la de­sen­vol­vi­da pe­lo go­ver­no fe­de­ral, o pre­si­den­te a ava­lia co­mo ca­pen­ga e ine­fi­ci­en­te. “Por is­so te­mos ti­do tan­tos pro­ble­mas nos úl­ti­mos anos, co­mo a fal­ta de me­ca­nis­mos de mer­ca­do que pos­sam pro­te­ger o pro­du­tor e sua pro­du­ção.”

Schrei­ner vê pos­si­bi­li­da­de de de­sen­vol­vi­men­to com mai­o­res in­ves­ti­men­tos em in­fra­es­tru­tu­ra e lo­gís­ti­ca, de for­ma que os pro­du­tos se tor­nem mais com­pe­ti­ti­vos. Nes­te con­tex­to, a de­fe­sa sa­ni­tá­ria ágil e efi­ci­en­te se­ria um dos fa­to­res pri­mor­di­ais na ga­ran­tia da qua­li­da­de dos pro­du­tos e, con­se­quen­te­men­te, mais es­pa­ço no mer­ca­do.

So­bre ques­tões am­bien­tais, di­fi­cil­men­te le­van­ta­das em dis­cur­sos elei­to­rei­ros, não que se­jam me­nos im­por­tan­tes, Schrei­ner de­fen­de a po­lí­ti­ca da sus­ten­ta­bi­li­da­de. O Pa­ís pos­sui atu­al­men­te uma le­gis­la­ção úni­ca, que no en­ten­di­men­to de­le tem pre­ju­di­ca­do o de­sen­vol­vi­men­to re­gi­o­nal, prin­ci­pal­men­te por seu ex­tre­mis­mo. “É pre­ci­so que ha­ja sem­pre uma in­ter­fe­rên­cia téc­ni­ca e ci­en­tí­fi­ca com o apoio do go­ver­no pa­ra que pos­sa­mos evo­lu­ir de for­ma au­tos­su­fi­ci­en­te. Pen­so que es­se as­sun­to de­ve ser dis­cu­ti­do com mui­ta ma­tu­ri­da­de e gran­de­za.”

Pre­si­den­te da As­so­cia­ção Pró-De­sen­vol­vi­men­to In­dus­tri­al do Es­ta­do de Go­i­ás (Adi­al), Ra­ul Pau­lo Cos­ta faz uma aná­li­se su­cin­ta a par­tir do qua­dro atu­al, re­lem­bran­do ain­da os in­ves­ti­men­tos e in­cen­ti­vos fis­cais pra­ti­ca­dos na dé­ca­da de 1980. De acor­do com ele, com o ad­ven­to do Pro­gra­ma Fo­men­tar mui­tas em­pre­sas fo­ram mo­ti­va­das a se ins­ta­la­rem em Go­i­ás, o que a prin­cí­pio, mes­mo com to­dos os be­ne­fí­ci­os, foi po­si­ti­vo. “Ho­je, por exem­plo, ex­por­ta­mos car­ne bo­vi­na. Mas co­mo au­men­tar a pro­du­ção se es­ta­mos em um mo­men­to de cri­se? Não tem com­pra­dor”, res­sal­ta.

Pa­ra que a re­a­li­da­de eco­nô­mi­ca te­nha as me­lho­ras es­pe­ra­das o pre­si­den­te da Adi­al apos­ta em uma po­lí­ti­ca de con­ten­ção de des­pe­sas, as­sim co­mo já vem sen­do fei­to pe­la atu­al ges­tão. “O im­por­tan­te é con­ti­nu­ar man­ten­do a ca­sa em or­dem. Gas­tar so­men­te o que re­al­men­te en­tra em cai­xa.” In­da­ga­do so­bre as ne­ces­si­da­des de in­ves­ti­men­tos em in­fra­es­tru­tu­ra e no se­tor so­ci­al ele diz que são ne­ces­sá­rios, mas dis­tan­tes do que se ne­ces­si­ta re­al­men­te em Go­i­ás. “Se a eco­no­mia não es­tá boa não é pos­sí­vel aten­der a ou­tras áre­as.”

Edu­ca­ção en­tre as apos­tas

Pro­mo­ver o cres­ci­men­to, aten­der as ne­ces­si­da­des da po­pu­la­ção em to­das as áre­as, in­ves­tir em ci­ên­cia e tec­no­lo­gia, en­fim, são inú­me­ros fa­to­res de res­pon­sa­bi­li­da­de do Es­ta­do, que ain­da pre­ci­sa li­dar com as pres­sões so­fri­das por to­dos os la­dos. Co­mo aten­der ao de­se­jo do pro­du­tor ru­ral sem in­ter­fe­rir nas ci­da­des, ou mes­mo dar in­cen­ti­vo pa­ra as in­dús­tri­as quan­do se ne­ces­si­ta de ar­re­ca­da­ção pa­ra cus­te­ar in­clu­si­ve os pro­gra­mas de cu­nho so­ci­al? Há de se con­vir que não é ta­re­fa fá­cil e in­fe­liz­men­te, quan­do ati­tu­des ir­res­pon­sá­veis são to­ma­das, os da­nos são sen­ti­dos em pra­ti­ca­men­te to­das as es­fe­ras da so­ci­e­da­de.

Pro­fes­sor de Eco­no­mia da Uni­ver­si­da­de Ca­tó­li­ca de Go­i­ás (UCG), Lu­iz Al­ber­to Go­mes de Oli­vei­ra afir­ma que na ques­tão fis­cal e am­bien­tal o Es­ta­do tri­lhou o ca­mi­nho da in­sus­ten­ta­bi­li­da­de. Ele, que tam­bém é se­cre­tá­rio mu­ni­ci­pal de Pla­ne­ja­men­to e Ur­ba­nis­mo e pre­si­den­te do di­re­tó­rio lo­cal do PT, diz que a des­tru­i­ção do Cer­ra­do é ní­ti­da e que a fal­ta de água em al­gu­mas re­gi­ões já apon­tam pa­ra o gra­ve pro­ble­ma que po­de­rá ser en­fren­ta­do em um fu­tu­ro pró­xi­mo. “Não es­ta­mos tra­tan­do o es­go­to co­mo de­ve­ria, po­lu­in­do rios e em al­gu­mas re­gi­ões pre­do­mi­na a mo­no­cul­tu­ra com a uti­li­za­ção de de­fen­si­vos agrí­co­las”, acen­tua.

Ele ob­ser­va cla­ra­men­te que há pri­vi­lé­gio mai­or pa­ra as gran­des ci­da­des en­quan­to pou­co se fa­la em po­lí­ti­cas vol­ta­das pa­ra o ho­mem do cam­po e os pe­que­nos mu­ni­cí­pios, que so­frem com a fal­ta de in­ves­ti­men­tos. Do pon­to de vis­ta fis­cal, o pro­fes­sor diz que os in­cen­ti­vos da­dos no pas­sa­do já não con­se­guem man­ter a mes­ma efi­cá­cia. Até por­que, vá­rios ou­tros Es­ta­dos, in­clu­in­do o Dis­tri­to Fe­de­ral, já se uti­li­zam des­sa prer­ro­ga­ti­va. “E co­mo não se apro­va a re­for­ma tri­bu­tá­ria, nem sa­be­mos se es­se in­cen­ti­vo vai con­ti­nu­ar exis­tin­do.”

Es­sa ir­res­pon­sa­bi­li­da­de tri­bu­tá­ria, se­gun­do ele, fez com que Go­i­ás per­des­se a ca­pa­ci­da­de de in­ves­ti­men­to em in­fra­es­tru­ru­ra e de pro­pi­ci­ar bens pú­bli­cos ao con­jun­to do Es­ta­do. “É ne­ces­sá­ria a re­for­ma pro­fun­da do mo­de­lo de de­sen­vol­vi­men­to, pa­ra que não con­ti­nu­e­mos sen­do pe­na­li­za­dos. Ho­je a po­pu­la­ção pa­ga uma car­ga tri­bu­tá­ria mai­or, pa­ra que al­guns gru­pos eco­nô­mi­cos se be­ne­fi­ci­em des­ses in­cen­ti­vos”, ava­lia. En­tre os in­ves­ti­men­tos ne­ces­sá­rios ele apon­ta a qua­li­fi­ca­ção de mão-de-obra, a am­pli­a­ção da es­tru­tu­ra de co­mu­ni­ca­ção, além do me­lho­ra­men­to lo­gís­ti­co.

Mes­mo dis­cur­so — Ape­sar de pon­tu­ar o que acre­di­ta ser ne­ces­sá­rio pa­ra uma boa ges­tão a par­tir de 2011, Oli­vei­ra não apos­ta em gran­des mu­dan­ças nos pa­lan­ques: “Ape­sar de al­guns can­di­da­tos in­di­ca­rem cer­ta evo­lu­ção, ve­jo ba­si­ca­men­te o dis­cur­so de qua­se 20, 30 anos”. Ele diz ain­da ser bem pro­vá­vel que a elei­ção na­ci­o­nal pa­ra Pre­si­dên­cia da Re­pú­bli­ca in­ter­fi­ra, mes­mo que in­di­re­ta­men­te, no plei­to es­ta­du­al, res­sal­tan­do que tu­do vai de­pen­der da con­jun­tu­ra po­lí­ti­ca que se for­ma­rá até lá. “É na­tu­ral que a elei­ção pre­si­den­ci­al ge­re in­ter­fe­rên­cia po­si­ti­va ou não, de­pen­den­do in­clu­si­ve de co­mo o Bra­sil vai sa­ir des­sa cri­se.”

Pa­ra o eco­no­mis­ta Je­fer­son de Cas­tro Vi­ei­ra o mo­men­to é de gran­des opor­tu­ni­da­des. Ele no­ta que o Bra­sil tem fei­to bons ne­gó­ci­os com o ex­te­ri­or que po­dem cer­ta­men­te vir a con­tri­bu­ir com a eco­no­mia go­i­a­na. Os in­ves­ti­men­tos, prin­ci­pal­men­te nes­te mo­men­to de cri­se, de­vem con­ti­nu­ar mes­mo que ve­nham por meio de ca­pi­tal es­tran­gei­ro. “Pre­ci­sa­mos abrir ho­ri­zon­tes com ou­tros paí­ses co­mo a Chi­na, tra­zen­do no­vas in­dús­tri­as”, en­fa­ti­za.

Mes­mo de­fen­den­do uma ges­tão vol­ta­da pa­ra a am­pli­a­ção da in­fra­es­tru­tu­ra, o eco­no­mis­ta res­sal­ta que a Uni­ver­si­da­de Es­ta­du­al de Go­i­ás (UEG) de­ve re­ce­ber tra­ta­men­to es­pe­ci­al de for­ma a con­so­li­dar po­lí­ti­cas mais am­plas de ino­va­ção tec­no­ló­gi­ca. Pa­ra que ha­ja cres­ci­men­to e de­sen­vol­vi­men­to sig­ni­fi­ca­ti­vo nos pró­xi­mos anos, Vi­ei­ra diz ser es­sen­cial as par­ce­rias en­tre go­ver­nos fe­de­ral, es­ta­du­ais e mu­ni­ci­pa­is. “Es­se é um pro­je­to que pre­ci­sa con­so­li­dar a lo­gís­ti­ca, in­clu­in­do Fer­ro­via Nor­te-Sul, a du­pli­ca­ção de ro­do­vi­as, en­fim, ins­tru­men­tos que co­la­bo­rem pa­ra a re­du­ção no cus­to e agi­li­da­de nos tran­spor­tes.”

Na agen­da so­ci­al, ele diz que se­rá ne­ces­sá­rio pre­pa­rar o ci­da­dão pa­ra o mun­do do tra­ba­lho com a qua­li­fi­ca­ção da mão-de-obra. Em de­cor­rên­cia de pro­ble­mas fi­nan­cei­ros, pro­je­tos so­ci­ais do Es­ta­do ti­ve­ram que ser re­vis­tos e is­so po­de mu­dar o dis­cur­so as­sis­ten­ci­a­lis­ta das pró­xi­mas elei­ções. Po­rém, o eco­no­mis­ta diz que, até mes­mo em de­cor­rên­cia da fra­gi­li­da­de eco­nô­mi­ca atu­al, ele de­ve ocor­rer de ma­nei­ra mais ame­na.

Co­or­de­na­dor do cur­so de Ci­ên­cias Eco­nô­mi­cas e Con­tá­beis das Fa­cul­da­des Al­ves Fa­ria (Al­fa), Jú­lio Pas­cho­al diz que o me­lhor é o Es­ta­do im­ple­men­tar uma po­lí­ti­ca de in­clu­são so­ci­al pe­la pro­du­ção. Se­gun­do ele, qual­quer go­ver­no de­ve­rá fa­zer uma com­bi­na­ção das du­as for­mas de ges­tão, tan­to in­ves­tin­do em in­fra­es­tru­tu­ra quan­to no so­ci­al. Ele lem­bra que in­ves­ti­men­to em obras se faz ne­ces­sá­rio prin­ci­pal­men­te co­mo for­ma de com­ba­ter a cri­se. “Obra pú­bli­ca ge­ra em­pre­go, um im­pe­ra­ti­vo no Bra­sil”, lem­bra. Já a pri­o­ri­za­ção no so­ci­al é uma for­ma de in­clu­ir pes­so­as que es­tão à mar­gem da so­ci­e­da­de.

O pro­fes­sor diz que a pri­o­ri­za­ção em in­fra­es­tu­tu­ra é uma for­ma de di­mi­nu­ir os gas­tos com o so­ci­al e au­to­ma­ti­ca­men­te co­lo­car o Es­ta­do nu­ma po­si­ção de cres­ci­men­to. “Na me­di­da que as pes­so­as têm em­pre­go e ren­da, o Es­ta­do pre­ci­sa dar me­no Bol­sas ou ou­tros ti­pos de aju­da às fa­mí­lias.”

Equi­lí­brio — O ex-mi­nis­tro do De­sen­vol­vi­men­to Flá­vio Pei­xo­to é en­fá­ti­co ao di­zer que tu­do de­cor­re do en­si­no de qua­li­da­de. Se­gun­do ele, que é eco­no­mis­ta, a dis­cus­são de no­vo pro­je­to pa­ra o se­tor tem ti­do res­pal­do em ní­vel na­ci­o­nal. Mas ele diz que não tem no­ta­do a mes­ma pre­o­cu­pa­ção em Go­i­ás. “A edu­ca­ção tem o po­der de re­du­zir as de­si­gual­da­des so­ci­ais e é o que pre­ci­sa­mos nes­te mo­men­to.”

Pei­xo­to afir­ma, po­rém, que é ne­ces­sá­rio ha­ver um equi­lí­brio en­tre in­ves­ti­men­tos na área so­ci­al e em in­fra­es­tru­tu­ra. “O go­ver­no já não po­de aban­do­nar es­sa re­de de pro­te­ção cons­ti­tu­í­da ho­je, que en­vol­ve in­clu­si­ve a Sa­ú­de e a Se­gu­ran­ça. Mas não adi­an­ta in­ves­tir só no so­ci­al sem ge­rar em­pre­go e ren­da.” So­bre a in­ter­fe­rên­cia da po­lí­ti­ca na­ci­o­nal em ní­vel es­ta­du­al o eco­no­mis­ta diz que não é um fa­to no­vo. “Re­gi­o­nal­men­te ela sem­pre ocor­reu de for­ma mui­to in­de­pen­den­te. A pro­xi­mi­da­de e va­lo­ri­za­ção das ques­tões es­ta­du­ais cau­sam is­so”, fri­sa.

Pro­fes­sor e rei­tor da Uni­ver­si­da­de Anhan­gue­ra, Jo­venny Cân­di­do de Oli­vei­ra diz que ne­nhum go­ver­na­dor se­rá bem su­ce­di­do se não res­pei­tar três as­pec­tos bá­si­cos: Edu­ca­ção, Sa­ú­de e Se­gu­ran­ça. Pro­fes­sor há 40 anos, ele ob­ser­va que os alu­nos de ma­nei­ra ge­ral têm che­ga­do frá­geis ao Ter­cei­ro Grau em de­cor­rên­cia, prin­ci­pal­men­te, de má for­ma­ção no en­si­no bá­si­co.

So­bre a ne­ces­si­da­de de me­lho­rar o aten­di­men­to à sa­ú­de no Es­ta­do, Jo­venny, que é um dos gran­des no­mes do PP go­i­a­no, diz que en­tre as me­di­das que de­vem ser am­pli­a­das es­tá a cons­tru­ção de mais hos­pi­tais re­gi­o­nais, o me­lhor zo­ne­a­men­to e a in­ten­si­fi­ca­ção da me­di­ci­na fa­mi­liar. No fa­tor se­gu­ran­ça ele res­sal­ta que a ca­da dia a si­tu­a­ção tem fi­ca­do ca­da vez mais “ca­ta­clís­mi­ca”, ne­ces­si­tan­do de me­di­das enér­gi­cas por par­te do po­der pú­bli­co.

Tra­tan­do do que o rei­tor cha­ma de as­pec­tos se­cun­dá­rios, ele le­van­ta a ne­ces­si­da­de de mai­or va­lo­ri­za­ção do se­tor agro­pe­cu­á­rio, já que Go­i­ás é um gran­de pro­du­tor de com­mo­di­ti­es. Con­tu­do, ele res­sal­ta que se faz ne­ces­sá­rio a in­dus­tri­a­li­za­ção des­tes pro­du­tos de for­ma a agre­gar va­lo­res e, com is­so, tor­nar os pre­ços mais com­pe­ti­ti­vos. “Nes­te mo­men­to de cri­se, se­re­mos me­nos afe­ta­dos que aque­les, que, por exem­plo, pro­du­zem com­pu­ta­do­res. Ho­je um dos gran­des mer­ca­dos que te­mos é a Chi­na e a Ín­dia, que jun­tas so­mam mais de 2 bi­lhões de ha­bi­tan­tes”.

Oli­vei­ra bus­ca na me­mó­ria seus tem­pos de ju­ven­tu­de pa­ra exem­pli­fi­car o sal­to que o Es­ta­do deu nos úl­ti­mos 50 anos. De acor­do com ele, se le­var em con­si­de­ra­ção que há cin­co dé­ca­das se de­mo­ra­va três di­as pa­ra se che­gar a Cam­pi­nas (SP), por não ha­ver ne­nhu­ma es­tra­da pa­vi­men­ta­da, fi­ca mais fá­cil men­su­rar o ca­mi­nho do de­sen­vol­vi­men­to per­cor­ri­do até ago­ra. “Os go­ver­na­do­res que por aqui pas­sa­ram atu­a­ram mui­to bem, ca­da um no seu se­tor, mas ve­jo que es­te é o mo­men­to de in­ves­tir nes­sas três áre­as: Edu­ca­ção, Sa­ú­de e Se­gu­ran­ça”.

Vi­su­a­li­zan­do o ce­ná­rio po­lí­ti­co de 2010, o pro­fes­sor acre­di­ta que ha­ve­rá a in­ter­fe­rên­cia na­ci­o­nal na cam­pa­nha es­ta­du­al, ha­ja vis­ta o pre­si­den­te Lu­iz Iná­cio Lu­la da Sil­va con­tar com cer­ca de 80% de apro­va­ção po­pu­lar. “Vai ha­ver in­flu­ên­cia de al­gu­ma for­ma, mas is­so só se­rá sen­ti­do por vol­ta de no­vem­bro e ou­tu­bro.” Ou­tro no­me que ele con­si­de­ra que in­ter­fe­ri­rá di­re­ta­men­te nas pró­xi­mas elei­ções é o do go­ver­na­dor Al­ci­des Ro­dri­gues. “A pa­la­vra de­le vai ser ex­tre­ma­men­te im­por­tan­te, por­que ho­je ele é re­co­nhe­ci­do co­mo um gran­de lí­der e re­a­li­za­dor”, des­ta­ca.

O tem­po vai pas­san­do e os ve­lhos dis­cur­sos se con­so­li­dan­do no­va­men­te na so­ci­e­da­de. Co­man­dar um Es­ta­do não é ta­re­fa fá­cil e de­pen­de de pla­ne­ja­men­to. Es­sa é a pa­la­vra: pla­ne­jar, pa­ra que os er­ros já co­me­ti­dos em ou­tras ges­tões não vol­tem a se re­pe­tir. Os re­cur­sos pú­bli­cos não de­vem ser tra­ta­dos de qual­quer for­ma, ali­cer­ça­do no “achis­mo”, mes­mo que por di­ver­sas ve­zes is­so ocor­ra. O que se de­ve ou não fa­zer, não ca­be a um can­di­da­to res­pon­der, mas sim a um con­jun­to de fa­to­res que res­pal­dem su­as ações ao lon­go dos qua­tro anos de man­da­to, de for­ma que Go­i­ás não pa­gue pe­lo er­ro de um dia ter apos­ta­do em ape­nas uma ges­tão.

Marke­ting pon­tua os de­sa­fi­os

Quem cos­tu­ma cu­i­dar da ima­gem dos can­di­da­tos du­ran­te as cam­pa­nhas elei­to­ra­is li­da com um de­sa­fio pe­cu­li­ar a ca­da plei­to. Pro­fis­si­o­nais de marke­ting es­tão per­ce­ben­do que, as­sim co­mo o par­ti­do po­lí­ti­co não é fa­tor pri­mor­di­al pa­ra o elei­tor es­co­lher o can­di­da­to, len­ta­men­te a po­pu­la­ção que­bra a ló­gi­ca de que o ob­je­to mais im­por­tan­te de uma elei­ção é o po­lí­ti­co.

“A po­pu­la­ção não es­tá mais em bus­ca de can­di­da­tos, mas de pro­pos­tas”, ex­pli­ca o pu­bli­ci­tá­rio Mar­cus Vi­ní­ci­us Quei­roz, com ex­pe­ri­ên­cia de vá­ri­as cam­pa­nhas po­lí­ti­cas, in­clu­si­ve no ex­te­ri­or, e que se diz um te­ra­peu­ta da co­mu­ni­ca­ção. Na opi­ni­ão de­le, aos pou­cos se per­ce­be ama­du­re­ci­men­to da con­sci­ên­cia po­lí­ti­ca dos ci­da­dã­os. É um pro­ces­so len­to, mas que se mo­vi­men­ta no Bra­sil. Pro­va dis­so se­ria o in­su­ces­so da es­tra­té­gia de ata­ques em pro­pa­gan­das elei­to­ra­is de rá­dio e te­le­vi­são du­ran­te o pe­rí­o­do de cam­pa­nha.

“O ata­que sem­pre mos­tra fra­que­za dos can­di­da­tos, e a po­pu­la­ção es­pe­ra mui­to mais que is­so, es­pe­ra pro­pos­tas cons­tru­ti­vas”, ava­lia Ha­mil­ton Car­nei­ro, pro­pri­e­tá­rio da Agên­cia de Pro­pa­gan­da Styllus. Des­de 1979 tra­ba­lhan­do com Iris Re­zen­de (PMDB), Ha­mil­ton ci­ta o exem­plo da elei­ção mu­ni­ci­pal do ano pas­sa­do, em que a equi­pe de marke­ting que cu­i­dou da cam­pa­nha do pre­fei­to pri­o­ri­zou a apre­sen­ta­ção de pro­pos­tas e evi­tou tan­to ata­que quan­to o re­vi­de de­les nas pro­pa­gan­das gra­tui­tas. O re­sul­ta­do deu cer­to: o pe­e­me­de­bis­ta foi re­e­lei­to no pri­mei­ro tur­no com 74,16% dos vo­tos.

Ata­ques fo­ra da lis­ta do can­di­da­to é ho­ra de de­fi­nir a es­tra­té­gia que se­rá apre­sen­ta­da ao elei­tor pa­ra go­ver­nar o Es­ta­do. É con­sen­so en­tre os es­pe­cia­lis­tas ou­vi­dos pe­la re­por­ta­gem que o pri­mei­ro pas­so é fa­zer um ma­pe­a­men­to de ca­rên­cias pre­sen­tes em to­do o Es­ta­do. Em se­gui­da, de­ve ser pro­du­zi­do um le­van­ta­men­to des­sas ca­rên­cias. Por fim, é che­ga­do o mo­men­to de pro­du­zir um pla­no es­tra­té­gi­co de go­ver­no.

É im­por­tan­te res­sal­tar que es­sa pri­mei­ra eta­pa de­ve ser re­a­li­za­da an­tes do iní­cio do pe­rí­o­do elei­to­ral, pois a me­ta de tra­ba­lho do can­di­da­to tem de es­tar na pon­ta da lín­gua em qual­quer con­ta­to do po­lí­ti­co com o elei­tor. O que nem sem­pre ocor­re. Pa­ra Mar­cus Vi­ní­ci­us, po­lí­ti­cos ca­em com fre­quên­cia no mes­mo er­ro: “Mais uma vez vão dei­xar pra fa­zer agen­da po­lí­ti­ca de úl­ti­ma ho­ra. Vão apre­sen­tar pro­pos­tas que se­rão im­pos­sí­veis de se­rem cum­pri­das, e quan­do co­me­çar a go­ver­nar vão cul­par a ad­mi­nis­tra­ção an­te­ri­or, di­zen­do que as­su­mi­ram o Es­ta­do que­bra­do”.

Fal­ta vi­são — Adep­to da opi­ni­ão de que fal­ta vi­são es­tra­té­gi­ca, o pu­bli­ci­tá­rio Mar­cus Vi­ní­ci­us pon­tua co­mo fa­lha re­cor­ren­te a au­sên­cia de pré-cam­pa­nha. Ele cri­ti­ca que até ago­ra os pos­sí­veis can­di­da­tos nem se­quer se apre­sen­ta­ram co­mo pré-can­di­da­tos. Por con­se­quên­cia, es­ta­ri­am so­ci­e­da­de e im­pren­sa sen­do pau­ta­das por es­pe­cu­la­ção. “De­ve­ri­am ser fei­tos de­ba­tes de pré-cam­pa­nha elei­to­ral, apre­sen­tan­do à po­pu­la­ção pro­je­tos re­ais e bus­can­do a par­ti­ci­pa­ção de to­do seg­men­to so­ci­al na ela­bo­ra­ção des­ses pro­je­tos.”

Mas qual se­ria o me­lhor dis­cur­so pa­ra o pró­xi­mo go­ver­na­dor de Go­i­ás? Que de­ve­ria con­ter nos pro­je­tos a se­rem apre­sen­ta­dos pe­los can­di­da­tos? O?que Go­i­ás pre­ci­sa?

Na opi­ni­ão do di­re­tor da AMP Pro­pa­gan­da, Mar­cos Si­quei­ra, o pró­xi­mo go­ver­na­dor de­ve se ba­se­ar na im­ple­men­ta­ção de po­lí­ti­ca pa­ra ge­ra­ção de em­pre­go vi­san­do o de­sen­vol­vi­men­to do Es­ta­do. “O ca­mi­nho se­ria ações de ur­gên­cia na área so­ci­al e uma po­lí­ti­ca de­sen­vol­vi­men­tis­ta pa­ra me­lho­rar a qua­li­da­de de vi­da. O res­to vi­ria a re­bo­que”, diz. Si­quei­ra apos­ta no dis­cur­so so­ci­al e su­ge­re que a me­lhor car­ta­da é pri­o­ri­zar áre­as de Edu­ca­ção, Sa­ú­de e Se­gu­ran­ça: “Co­mo o Es­ta­do não tem mui­to re­cur­so em cai­xa, é ne­ces­sá­rio in­ves­tir nas áre­as bá­si­cas”.

Ha­mil­ton Car­nei­ro dis­cor­da. Pa­ra ele o me­lhor pro­je­to ad­mi­nis­tra­ti­vo pa­ra Go­i­ás de­ve re­vi­sar o pro­je­to de in­fra­es­tru­tu­ra do Es­ta­do. Ele jus­ti­fi­ca a pri­o­ri­da­de ar­gu­men­tan­do que ho­je os pro­ble­mas nes­sa área são os mes­mos de 20 anos atrás. “Há mui­tos lo­ca­is no Es­ta­do sem es­tra­das, sem ener­gia elé­tri­ca. É pre­ci­so au­men­tar o po­ten­ci­al ener­gé­ti­co dos mu­ni­cí­pios. Me­lho­ran­do a in­fra­es­tru­tu­ra, atra­em-se no­vas em­pre­sas, o que fo­men­ta o de­sen­vol­vi­men­to do Es­ta­do”, pon­de­ra.

Já Mar­cus Vi­ní­ci­us de­fen­de a te­se de que pa­ra se ter um bom dis­cur­so é pre­ci­so uma es­tra­té­gia de­fi­ni­da, que não con­fie ape­nas em marke­ting elei­to­ral, e que co­lo­que nas man­gas do can­di­da­to pro­pos­tas que o di­fe­ren­ci­em dos de­mais. “O can­di­da­to que qui­ser se des­ta­car no pró­xi­mo plei­to de­ve ter um pro­pó­si­to di­fe­ren­te e apre­sen­tar à po­pu­la­ção um di­ag­nós­ti­co re­al da si­tu­a­ção do Es­ta­do. A par­tir daí, ava­li­ar co­mo po­de­ria ser ge­ri­da uma no­va re­a­li­da­de de de­sen­vol­vi­men­to.”

Mar­cus Vi­ní­ci­us dá di­ca a quem ain­da não co­lo­cou o car­ro na ave­ni­da. “A pri­mei­ra per­gun­ta que o go­ver­nan­te po­de co­me­çar fa­zen­do é: o que Go­i­ás quer ser da­qui a dez anos den­tro do ce­ná­rio na­ci­o­nal?” Ques­tões de mé­dio e lon­go pra­zos pa­re­cem ser a al­ter­na­ti­va que elei­to­res mais po­li­ti­za­dos bus­cam. O pro­ble­ma é que es­se ti­po de pro­je­to não ga­ran­te re­tor­no elei­to­ral. “Po­lí­ti­cos tra­ba­lham só em ci­ma de ne­ces­si­da­de, e não de pos­si­bi­li­da­de”, cri­ti­ca.

Pes­qui­sas — É sa­bi­do que ati­vi­da­de po­lí­ti­ca é mo­vi­da por pes­qui­sas quan­ti­ta­ti­vas e qua­li­ta­ti­vas. As ações de re­pre­sen­tan­tes do Exe­cu­ti­vo e do Le­gis­la­ti­vo — se não to­das, a mai­o­ria — são exe­cu­ta­das de­pois de ou­vi­da a opi­ni­ão do elei­to­ra­do, prin­ci­pal­men­te pe­los que se pre­o­cu­pam com fu­tu­ro po­lí­ti­co. O er­ro é que se in­ves­te nes­se as­pec­to ape­nas quan­do se es­tá no car­go de­se­ja­do. An­tes de che­gar lá, gas­ta-se di­nhei­ro com um di­re­cio­na­men­to ul­tra­pas­sa­do que pri­o­ri­za sa­ber quem é a pre­fe­rên­cia ou o prin­ci­pal pro­ble­ma apon­ta­do.

O no­vo elei­tor, com per­fil mais exi­gen­te po­li­ti­ca­men­te, pre­fe­re ser ques­ti­o­na­do so­bre o que ele quer pa­ra o Es­ta­do, e não quem ele quer que o go­ver­ne. Se há pré-can­di­da­tos se­guin­do es­sa li­nha, se­rá bem-su­ce­di­do. Mas o mo­men­to de co­lo­car o re­sul­ta­do das pes­qui­sas na me­sa de de­ba­te ur­ge. Co­mo bem con­cor­da Ha­mil­ton, em um ano — ou mais es­pe­ci­fi­ca­men­te 15 mes­es — não há uma mu­dan­ça de ce­ná­rio con­si­de­rá­vel. “As ne­ces­si­da­des que as pes­qui­sas apon­tam ho­je se­rão as mes­mas que na cam­pa­nha de 2010. Tem coi­sas que são per­ma­nen­tes”, ava­lia.

O que pen­sam os po­lí­ti­cos

As idéi­as apon­ta­das por re­pre­sen­tan­tes dos prin­ci­pa­is par­ti­dos po­lí­ti­cos de Go­i­ás tra­zem no­vi­da­des que po­dem ren­der Ibo­pe — al­gu­mas che­gam a ser ou­sa­das. Res­ta sa­ber se se­rão ma­te­ri­a­li­za­das em pro­pos­tas con­cre­tas. Mas a li­nha de pen­sa­men­to per­ma­ne­ce a mes­ma de­fen­di­da pe­los gru­pos po­lí­ti­cos de elei­ções pas­sa­das.

Ou­sa­do, o ex-de­pu­ta­do Vil­mar Ro­cha (DEM) acre­di­ta que trans­for­mar a atu­al po­lí­ti­ca so­ci­al se­ria o tram­po­lim pa­ra al­can­çar re­sul­ta­dos em ou­tras es­fe­ras. “É pre­ci­so cri­ar uma po­lí­ti­ca so­ci­al efi­ci­en­te, eman­ci­pa­tó­ria. In­fra­es­tru­tu­ra não po­de ser o pro­gra­ma cen­tral de um go­ver­no, por­que is­so é mui­to fá­cil fa­zer, bas­ta que­rer”, ar­gu­men­ta. De­fen­de que o go­ver­no no po­der tem que pro­mo­ver o Es­ta­do com pres­ta­ção de ser­vi­ços e me­lho­rar o pa­drão de as­sis­tên­cia so­ci­al. “Go­ver­no mo­der­no é o que pro­mo­ve e ga­ran­te di­rei­tos aos ci­da­dã­os.”

Vil­mar Ro­cha exem­pli­fi­ca sua idéia afir­man­do que se fos­se de­fi­nir uma es­tra­té­gia de go­ver­no, co­me­ça­ria trans­for­man­do a Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Go­i­ás (UEG) num gran­de cen­tro de for­ma­ção de pro­fes­so­res pa­ra a Edu­ca­ção Fun­da­men­tal, pa­ra atu­ar es­pe­ci­al­men­te no in­te­ri­or do Es­ta­do. A UEG não dei­xa­ria de dis­po­ni­bi­li­zar cur­sos de gra­du­a­ção, mas pri­o­ri­za­ria a for­ma­ção de pro­fes­so­res. “Es­se cen­tro se­ria uma re­fe­rên­cia na­ci­o­nal”, ima­gi­na o de­mo­cra­ta, que acres­cen­ta: “Go­ver­nar não é só fa­zer obras, is­so é in­su­fi­ci­en­te. As­fal­tar rua não é al­go que mo­di­fi­ca um Es­ta­do, ape­nas con­ti­nua. Se con­ti­nua não trans­for­ma”.

Na mes­ma li­nha de ra­ci­o­cí­nio, o de­pu­ta­do es­ta­du­al e vi­ce-pre­si­den­te do PSDB Me­tro­po­li­ta­no, Da­ni­el Gou­lart, con­si­de­ra que o prin­ci­pal pon­to que ne­ces­si­ta de re­vi­são em Go­i­ás é a ques­tão da de­si­gual­da­de so­ci­al. “Go­i­ás pre­ci­sa re­to­mar a po­lí­ti­ca que cons­tru­iu uma re­de de pro­te­ção so­ci­al”. Gou­lart não des­car­ta in­ves­ti­men­tos e ma­nu­ten­ção dos pro­je­tos pa­ra de­sen­vol­vi­men­to de in­fra­es­tru­tu­ra, mas sus­ten­ta que a ge­ra­ção de opor­tu­ni­da­des e a qua­li­da­de dos ser­vi­ços pres­ta­dos pe­lo Es­ta­do de­vem ser tra­ta­das com des­ta­que. “Go­ver­nar é pen­sar no ser hu­ma­no.”

En­gros­sa o dis­cur­so tam­bém a prin­ci­pal li­de­ran­ça do PTB em Go­i­ás. De­pu­ta­do fe­de­ral e pre­si­den­te da le­gen­da no Es­ta­do, Jo­va­ir Aran­tes de­fen­de que o pon­to de par­ti­da de­ve en­glo­bar va­lo­ri­za­ção e cri­a­ção de al­ter­na­ti­vas pa­ra a ju­ven­tu­de. “Cui­da­do com o pri­mei­ro em­pre­go e a lu­ta pe­la va­lo­ri­za­ção dos apo­sen­ta­dos. O ca­mi­nho é por aí”, su­ge­re. Den­tro dos pre­cei­tos tra­ba­lhis­tas, Jo­va­ir acre­di­ta que a con­so­li­da­ção de obras es­tru­tu­ran­tes de­ve ser pen­sa­da em con­jun­to com a ju­ven­tu­de — em su­as pa­la­vras, uma coi­sa de­ve ser as­so­cia­da à ou­tra. “O no­vo go­ver­no de­ve­ria dar à so­ci­e­da­de ho­ri­zon­te pa­ra se de­sen­vol­ver, ho­je fal­ta is­so.”

Pre­si­den­te do PPS go­i­a­no, Gil­va­ne Fe­li­pe jun­ta to­da a or­ques­tra num blo­co só. Ele de­fen­de um pro­je­to am­plo: “Que le­ve em con­ta o de­sen­vol­vi­men­to eco­nô­mi­co do Es­ta­do, que pri­o­ri­ze a sa­ú­de e a edu­ca­ção, aci­ma de tu­do, on­de ha­ja es­pa­ço pa­ra o fo­men­to da cul­tu­ra, com apoio a ar­tis­tas e ar­te­sã­os, que va­lo­ri­ze as pes­so­as co­mo su­jei­tos de sua his­to­ria, que de al­gu­ma for­ma con­sul­te e va­lo­ri­ze a par­ti­ci­pa­ção das pes­so­as na cons­tru­ção do Es­ta­do e que in­cen­ti­ve a pre­ser­va­ção do meio am­bi­en­te”.

Pa­ra Gil­va­ne, é ne­ces­sá­rio che­gar a um de­no­mi­na­dor co­mum no so­ma­tó­rio en­tre in­fra­es­tru­tu­ra, sa­ú­de e área so­ci­al. “Um pla­no es­tra­té­gi­co pa­ra o Es­ta­do de Go­i­ás cres­cer e se de­sen­vol­ver”, ex­pli­ca. A au­sên­cia des­se que­si­to, na opi­ni­ão do lí­der do PPS, é a ca­rên­cia de “ru­mo” pa­ra po­lí­ti­cas pú­bli­cas. “Pre­ci­sa­mos de um go­ver­no que te­nha vi­são so­bre o que de­ve ser fei­to em ter­mos es­tra­té­gi­cos pa­ra o de­sen­vol­vi­men­to do Es­ta­do”. Por fim, re­su­me que “o dis­cur­so do can­di­da­to de­ve ser le­van­tar a ban­dei­ra do de­sen­vol­vi­men­to”.

Sur­pre­sa — Po­de so­ar co­mo sur­pre­sa pa­ra al­guns, mas uma das mais im­por­tan­tes ca­be­ças do PMDB go­i­a­no de­fi­ne co­mo pri­o­ri­da­de pa­ra o pró­xi­mo go­ver­no es­ta­du­al o in­ves­ti­men­to na área so­ci­al. Co­nhe­ci­do pe­la de­fe­sa de obras co­mo fa­tor de de­sen­vol­vi­men­to, o pre­si­den­te do PMDB em Go­i­ás, Adib Eli­as, dis­se à re­por­ta­gem ser “pri­mor­di­al a ge­ra­ção de em­pre­go e in­cre­men­to de ren­da pa­ra o de­sen­vol­vi­men­to do Es­ta­do”.

Adib com­pro­va o no­vo pen­sa­men­to ci­tan­do mi­né­rio co­mo fon­te ge­ra­do­ra de em­pre­go pou­co ex­plo­ra­da no Es­ta­do. “E de­ve ser ex­plo­ra­da o mais ra­pi­da­men­te pos­sí­vel, por­que é ex­ce­len­te pa­ra ge­ra­ção de em­pre­go e ren­da”. O pe­e­me­de­bis­ta po­de pro­vo­car mais es­pan­to ain­da ao afir­mar, com con­tun­dên­cia, que Edu­ca­ção de­ve ser ou­tro prin­ci­pal que­si­to de pri­o­ri­da­de pa­ra a pró­xi­ma ad­mi­nis­tra­ção. “Go­i­ás tem que in­ves­tir na qua­li­fi­ca­ção de pro­fes­so­res e cri­ar en­si­no de qua­li­da­de. Além dis­so, o go­ver­no de­ve in­cre­men­tar um tra­ba­lho in­ten­so pa­ra me­lho­rar a Sa­ú­de.”

E a in­fra­es­tru­tu­ra? “Não de­ve fal­tar. O in­ves­ti­men­to de­ve ser fei­to em lo­ca­is es­tra­té­gi­cos, prin­ci­pal­men­te nos no­vos dis­tri­tos in­dus­tri­ais do Es­ta­do”. Pa­ra ele, um bom exem­plo que con­tem­pla­ria o re­sul­ta­do de in­ves­ti­men­to em to­das es­sas áre­as se­ria Go­i­â­nia. “É ho­je re­fe­rên­cia em in­fra­es­tru­tu­ra, em ter­mos de meio am­bi­en­te e qua­li­da­de de vi­da”, opi­na.

De­pu­ta­do fe­de­ral e pre­si­den­te do PR es­ta­du­al, San­dro Ma­bel su­ge­re o que re­al­men­te se­ria a so­lu­ção dos pro­ble­mas: “Ca­sar os dois pro­je­tos (es­tru­tu­ral e so­ci­al)”. “Se­ria”. En­quan­to não é, Ma­bel re­cla­ma que o pró­xi­mo go­ver­no não po­de se au­sen­tar de bus­car al­ter­na­ti­vas. Ele de­fen­de o que tem si­do exe­cu­ta­do no âm­bi­to so­ci­al, mas cri­ti­ca o res­tan­te. “O que não po­de é dei­xar o Es­ta­do mal ad­mi­nis­tra­do co­mo fi­cou. Nos­sa in­fra­es­tru­tu­ra evo­lu­iu pa­ra on­de? O Es­ta­do não cres­ce sem es­tra­das, sem pon­tes, sem mo­vi­men­tar a pro­du­ção. Pas­sa­mos oi­to anos sem na­da.”

Em de­fe­sa da atu­al ad­mi­nis­tra­ção do go­ver­na­dor Al­ci­des Ro­dri­gues (PP), o se­cre­tá­rio-ge­ral do PP, Sér­gio Lu­cas, acre­di­ta que o me­lhor pro­je­to pa­ra o pró­xi­mo go­ver­na­dor é “con­ti­nu­ar uti­li­zan­do o que a re­cei­ta per­mi­te”. Pro­põe in­cre­men­to de re­cei­ta pa­ra ala­van­car in­ves­ti­men­tos, es­pe­ci­al­men­te nos se­to­res de ener­gia e tran­spor­te. En­glo­ba edu­ca­ção e sa­ú­de tam­bém co­mo áre­as im­pres­cin­dí­veis. “Três áre­as es­sen­ci­ais que me­re­cem aten­ção são sa­ú­de, edu­ca­ção e se­gu­ran­ça. Elas que dão su­por­te às ou­tras.”

O pe­pis­ta cri­ti­ca a cul­tu­ra de go­ver­nan­tes não da­rem con­ti­nui­da­de às ad­mi­nis­tra­ções an­te­rio­res, in­ter­rom­pen­do o sis­te­ma de tra­ba­lho im­plan­ta­do pa­ra se co­lo­car ou­tro em vi­gor. “É pre­ci­so que o go­ver­nan­te fa­ça um pla­ne­ja­men­to es­tra­té­gi­co pa­ra mé­dio e lon­go pra­zos. Pla­ne­jar pa­ra ape­nas qua­tro anos é da­no­so pa­ra o Es­ta­do”, sa­li­en­ta.

Mas Sér­gio Lu­cas ates­ta que “ne­ces­sa­ria­men­te, é me­lhor que se pri­o­ri­ze in­ves­ti­men­tos em in­fra­es­tru­tu­ra”. Na opi­ni­ão de­le, dar con­ti­nui­da­de a pro­gra­mas so­ci­ais é ne­ces­sá­rio, mas cria de­pen­dên­cia in­de­se­ja­da da po­pu­la­ção. “Is­so é da­no­so e ar­ris­ca­do a lon­go pra­zo. Aco­mo­dar a po­pu­la­ção com aju­da per­ma­nen­te im­pe­de que ela se de­sen­vol­va so­zi­nha.” Su­ge­re que a mais pal­pá­vel al­ter­na­ti­va ca­paz de es­ti­mu­lar em­pre­go é a im­plan­ta­ção de tran­spor­te ade­qua­do e ener­gia.

Ou­tro pon­to des­ta­ca­do pe­lo se­cre­tá­rio é ana­li­sar ten­dên­cias pa­ra in­cen­ti­var pro­je­tos de de­sen­vol­vi­men­to em re­gi­ões es­pe­cí­fi­cas. “Os in­ves­ti­men­tos de­vem ser ob­ser­va­dos sob um olhar di­fe­ren­ci­a­do. Pla­ne­ja­men­to re­gi­o­nal es­pe­cí­fi­co pa­ra ca­da área”. Exem­plo se­ria tra­zer in­ves­ti­men­tos in­ter­na­cio­nais pa­ra Go­i­ás co­me­çar a com­pe­tir com os prin­ci­pa­is Es­ta­dos do Bra­sil.

A par­tir de 2011, sob um no­vo go­ver­no es­ta­du­al, o elei­to­ra­do es­pe­ra que mu­de não ape­nas a voz do go­ver­na­dor, mas tam­bém o dis­cur­so. É aguar­dar pra con­fe­rir.

Disponível em: http://www.jornalopcao.com.br/

domingo, 2 de agosto de 2009

Taxa Selic: reflexos no mercado de bens e/ou serviços

A queda da atividade econômica nos primeiros seis meses do ano levou o Banco Central a adotar um postura mais desenvolvimentista. Nas últimas reuniões do Comitê de Política Monetária - Copom, chegou-se à conclusão de que a redução das taxas de juros que remuneram os títulos públicos, também conhecida como Selic, poderia servir como estímulo para a economia.

Na verdade isto não vem ocorrendo na proporção que se imaginava, haja vista que o setor financeiro não tem utilizado os movimentos desta taxa para reduzir os juros que cobram para aquisição de bens e ou serviços no mercado brasileiro.

As financeiras trabalham com taxas abusivas lesando o consumidor, este na maioria das vezes necessita do bem e pelo fato de não conseguir comprá-lo à vista, acaba se submentendo às condições impostas por estas entidades no mercado.

Onde mora a justificativa para explicar tal situação? No chamado “spread bancário”. O que vem a ser isto? Nada mais que a diferença entre o preço para capitação do recursos no mercado e sua disponibilização para o correntista ou mesmo para a pessoa que dele necessite.

Para se ter uma ideia do tamanho do problema, vamos comentar sobre a taxa de juros cobrada no cheque especial. Em média as instituições financeiras vêm cobrando por este serviço 8,57% ao mês, cerca de 103% ao ano, fora a capitalização. Comparado com a taxa Selic, se percebe que esta taxa fica 94,4% acima, o que convenhamos não estimula a sua utilização. Se considerarmos que os bancos trabalham com recursos de terceiros e não próprios, o estrago fica ainda maior, o interessante é que para cada depósito feito nas instituições financeiras, estas podem reemprestá-lo até quinze vezes.

Não obstante os custos para os correntistas que fazem uso do cheque especial, há também no mercado financeiro outras formas de crédito dentre elas o crédito pessoal cuja taxa não sai por meno de 5% ao mês ou 60% ao ano.

Um dos pontos que encarecem os empréstimos acima mencionados assentam no risco de inadimplência por parte dos tomadores. No meio este mecanismo é conhecido por assimetria de informações. No caso específico do crédito pessoal e ou consignado esta assimetria pode ser reduzida, já que os descontos para a instuição emprestadora são efetivados em folha de pagamento, retirando assim a possibilidade de que o devedor não venha descumprir com esta obrigação mensal. Neste caso, quando há risco? Quando se empresta para o servidor que não é efetivo. Isto porque a qualquer tempo ele pode vir a perder o emprego. Qual seria a saída? Cobrar taxas maiores para os servidores comossionados e ou temporários e menores para os efetivos. E não colocar todos na mesma situação.

Mesmo que a transação envolva este tipo de risco, o Banco Central não poderia deixar que as instituições financeiras cobrassem taxas de juros muito acima das taxas que remuneram os títulos públicos, isto porque, estas, já cobrem os custos financeiros inerentes a este tipo de operação.

Ao comparar a taxa Selic com a inflação, percebe-se que esta tende a ficar no ano no mínimo 3,75% acima dos níveis esperados, o que em uma economia estabilizada não só cobrirá os custos operacionais como também proporcionará ganhos superiores a 40%, para a autoridade monetária. Que o digam os ganhos das instituições financeiras privadas que trabalham com taxas de juros acima de 100% ao ano.

Na mesma linha de raciocínio não da para entender o porquê de se cobrar em média 1,50%, ao mês para aquisição de veículos e 2,54% no mesmo período para aquisição de outros bens, estando aí incluído o financiamento de imóveis.

A relação custo/benefício para o tomador do empréstimo entre a aquisição de um veículo e a casa própria é mais favorável ao segundo bem. No entanto para instituição financeira tende a ser melhor o bem que gira mais, neste caso o veículo, razão pela qual as taxas de juros destes são menores.

É importante que fique claro que para além dos riscos inerentes a qualquer transação financeira, encarecem também os empréstimos os percentuais de impostos cobrados sobre as operações financeiras, talvez isto explique o porquê de o governo se sentir tão incapaz quando se trata de exercer uma fiscalização maior sobre os ganhos do setor financeiro.

Em que pesem as taxas parecerem baixas como a que nos referimos para aquisição de veículos, ao final do contrato se paga à financeira em torno de 50% a mais do que o valor do veículo à vista na concessionária. Isto vale também para a aquisição de outros bens no mercado.

O que se percebe atualmente é que os movimentos da taxa Selic para baixo não mais servem de estímulos para que os juros de mercado venham a cair, haja vista que os custos financeiros imbutidos nos empréstimos pouco a consideram.

Com isso ganham o governo e as financeiras e perdem o setor produtivo e os consumidores.