sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A RADIOGRAFIA DO MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL

Em que pesem os problemas de ordem econômica e financeira trazidos pela crise financeira internacional a partir de setembro de 2008, outros estrangulamentos atingiram as economias mundiais, em particular o desemprego.
No Brasil em recente pesquisa do PNAD, constatou-se que a taxa de desempreprego cresceu 18,1% em 2009, quando comparada com o mesmo período de 2008. Com isso a taxa de desemprego no país está em 8,1%, o que em termos númericos corresponde a 8 milhões de desempregados.
A população ocupada já alcança 92,7 milhões de trabalhadores, sendo que no ano de 2009, o acréscimo a este saldo foi de 300 mil empregos. Um dos problemas identificados na pesquisa, assenta na dificuldade de jovens entre dezeseis e vinte e quatro anos de alcançar o primeiro emprego.
Para tanto são exigidos deles qualificação profissional, senso de empreendedorismo e ainda experiência. Quanto as duas qualificações iniciais estão de acordo com as exigências de uma economia globalizada. A terceira é no mínimo um contrasenso das empresas, pois experiência só se adquire trabalhando, sem que a oportunidade lhes sejam dadas pelo mercado, jamais irão adquirir a experiência requerida.
A pesquisa realizada vem comprovar que a crise não foi uma marola e que ainda se faz presente no Brasil e na economia mundial. A taxa de desemprego no mesmo período nos Estados Unidos ficou em 9% e na França 9,1%, o que implica dizer que países desenvolvidos ou não estão apresentando as mesmas situações com relação as taxas de desemprego.
Na pesquisa realizada pelo PNAD, o grupo de atividades que mais abriu oportunidades de trabalho foi a administração pública e os serviços domésticos, mostrando o abalo que sofreu no ano passado as indústrias, por força da redução dos níveis de crédito para investimentos e do encarecimento das taxas de juros.
Nas pequisas mensais realizadas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados no ano de 2010, percebe-se que os problemas continuam e que os efeitos da crise financeira internacional, sobre o mercado de trabalho no país, ainda continua latentes, pois a rotatividade no mercado de trabalho brasileiro está bastante elevada, para cada 100 trabalhadores admitidos no mês, 78 perdem o emprego, ou seja a rotatividade da mão-de-obra no país e, de modo especial em Goiás, têm sido da ordem de 78%.
Tanto em período de crise como no início de uma fase de recuperação a taxa de lucro das empresas, tendem a ficar mais baixas, este movimento freia os investimentos, que por sua vez, contribuem para a redução da utilização de capacidade instalada pelas empresas.
A redução da utilização de capacidade instalada, diminue os estoques de produtos a serem comercializáveis ou mesmo utilizados no processo produtivo, resultado os preços destes produtos tendem a subir no mercado, puxando normalmente as taxas de inflação para cima.
A autoridade monetária para inibir possíveis focos de inflação tem lançado mão da condução de uma política monetária restritiva, elevando tanto os juros nominais como reais em relação a outros mercados.
Medidas neste sentido retraem a produção no mercado interno a tornando instável ficando sujeita a efeitos sazonais, por sua vez abala o mercado de trabalho e também o mercado de câmbio, pois aumenta a demanda por moeda nacional em detrimento da moeda estrangeira, com isso o dólar fica abaixo do valor requerido pelo o setor de exportações, resultado direto, ampliam as importações e diminuem as exportações.
O déficit na Balança Comercial fruto do desequilíbrio entre importações e exportações, também vem contribuindo para o aumento das taxas de desemprego no país, uma vez que vendo as demandas externas serem reduzidas o setor de exportações retrai suas vendas e fecha oportunidades de trabalho. A compensação fica por conta do setor de importações, que passa a gerar mais oportunidades de trabalho, mas como vimos anteriormente ao mesmo tempo que se abre novas vaga outras são fechadas, colocando o trabalhador em uma posição crítica no mercado.
Eis aí uma pequena rediografia do quadro do mercado de trabalho em uma economia globalizada.

Disponível em: www.dm.com.br