sexta-feira, 26 de junho de 2009

Contrastes da educação no Brasil

Não precisa ser pedagogo ou mesmo um profissional da educação para saber o quanto grande parte das ações no Brasil, voltadas à educação, está na contramão da história. As economias que se colocam perante o mundo como as mais desenvolvidas e as que menos têm injustiça social fizeram e ainda fazem da educação o seu principal produto. É sabido que por um lado estimulam o conhecimento e por outro contribuem para a formação de uma sociedade cada vez mais exigente e mais crítica, principalmente em relação às políticas públicas emanadas pelos seus governos.

Sendo a educação um mote tão importante, por que nos países do terceiro mundo, ou mesmo em grande parte daqueles considerados emergentes, seus governantes não agem da mesma forma? Porque insistem em subestimar a inteligência das grandes massas e também porque, mantendo grande parte das pessoas ignorantes, mais abusos poderão cometer nas esferas de poder e manter seus índices de popularidade elevados, em que pesem o tempo de duração de seus poderes.

A princípio foi o Executivo e atualmente o Legislativo, vem dando mostra em todas as esferas de poder da falta de compromisso daqueles que lá chegaram pela outorga do voto popular com constantes escândalos que grande parte de seus pares vem proporcionando nestas casas de lei. A opinião pública especializada fala, mostra e cobra atitude, mas como não representa a maioria do povo, não consegue sensibilizá-los em razão da própria exclusão social a que foram ao longo de suas vidas submetidos e que ainda os são, retirando-lhes a oportunidade de sentarem de forma efetiva em um banco de escola. Se lhes proporcionaram esta condição ímpar pelas mesmas razões, não conseguiram concluir o ensino fundamental, médio ou mesmo superior, faltando-lhes assim a massa crítica para entender o que a crítica especializada tenta passar a eles para que, após a sua avalição, possam não continuar coadunando com ações praticadas por estes intitulados inimigos do povo.

Eis meus amigos a falta que faz às massas a verdadeira educação. Se não me falha a memória, com o advento do artigo 212 da Constituição Federal de 1988, ficou a União determinada um mínimo de 18%, enquanto que Estados e municípios 25% de suas receitas provenientes de impostos, com educação? Deveria. Mas o fazem? Nem sempre. O que acontece quando isto ocorre? Nada, no máximo as contas anuais destes governos são aprovadas com ressalvas atendendo ou não as sugestões dos Tribunais de Contas dos Estados e da União, como aconteceram com as contas do ano de 2008 do governo goiano, aprovadas na Assembleia Lesgislativa na última semana.

E quando o fazem, como são gastos estes 18% e/ou 25% em educação? Não são gastos como deveria. Por quê? Porque ao legislador, quando da criação do percentual, faltou detalhar em quais ramos da educação deveríam ser aplicados estes recursos. Como assim? A educação não se resume apenas em ensino, pesquisa e extensão, há outras situações que também se caracterizam com educação.

Não entendi o que você quis dizer com esta afirmação! A questão que trago para o debate é a seguinte: historicamente nossos governantes veneram placas, isto para deixarem suas marcas. Entre construir salas de aula, escolas, reformar os prédios escolares, quadras poliesportivas e estimular as pesquisas, o desenvolvimento dos alunos, investir em capacitação e mesmo remunerar melhor os professores, os governantes de modo geral preferem as ações em que podem deixar suas placas para não serem esquecidos. Com isso gasta-se muito mais em construções e em reformas de prédios escolares do que na construção intelectual de alunos e professores, em especial da rede pública.

Os resultados são cada vez mais visíveis, a grande maioria dos alunos que chegam ao ensino superior tem enorme dificuldade de se apropriar dos conhecimentos exigidos e normalmente se evadem até o quarto período dos vários cursos espalhados por esse imenso País.

Em um recente “Encontro de Iniciação Científica,” promovido pelas Faculdades Alfa, com a presença de alunos e professores de outras instituições de ensino superior, foram colocados dados à mesa para discussão que considero alarmantes. O de que há cerca de 4,4 milhões de estudantes no ensino superior, sendo 1,2 milhão na rede pública e 3,2 milhões em escolas particulares.

No mesmo evento se ensaiou uma crítica velada às instituições de ensino superior particulares e uma defesa por parte de um profissional da rede pública, para a necessidade de aumento do número de vagas para as escolas públicas. O que mais me impressionou é que a defesa nos moldes atuais não se sustenta, pois sabemos que 50% dos alunos que estam fazendo seus cursos nas universidades federais podem pagar e que, portanto, estão retirando a oportunidade daqueles que não podem pagar, quebrando assim a lógica de existência destas unidades de ensino público.

Na verdade como está, se aumentarmos o volume de recursos para as universidades públicas estaremos contribuindo para que mais alunos provenientes de escolas particulares tomem cada vez mais as oportunidades dos alunos provenientes de escolas da rede pública, o que a meu ver não é justo.

O que vemos no País é uma inversão de valores, o pior é que esta inversão de valores não está caracterizada apenas no ensino público e ou privado, mas em todos os segmentos da sociedade. Valorizamos o “ter e o ser”, coadunamos com o erro ao invés do acerto. O que é certo passou a ser errado, e o que é errado passou a ser exaltado pela sociedade. De quem é a culpa? Da não-priorização pelos governantes da educação na sua essência. Por que isto ocorre? Justamente porque as pessoas que têm verdadeiramente acesso à educação não representam a maioria e portanto não conseguem retirar do poder aqueles que querem fazer com que a educação continue em quinto plano, para poderem se perpetuar onde estão com a própria aprovação popular, como vem acontecendo com grande parte dos representantes dos parlamentos no Brasil e também de seus governantes.

Há saída para este impasse? Na minha opinião sim, é preciso delimitar os percentuais dentro do limite mínimo constitucional estabelecido. Como fazer isto de forma responsável? Discutindo, debatendo, ouvindo e aceitando as ponderações da classe que representa a educação no Brasil.

Em assim procedendo poderemos contribuir para reduzir os contrastes existentes no sistema educacional brasileiro.

Fica aí mais um ponto para a reflexão.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Profissão: economista

A discussão que se propõe ganha força na medida em que há um desconhecimento do papel a ser desempenhado pelo economista no mercado, deixando, por vezes, os próprios alunos dos cursos de Ciências Econômicas com dúvidas em relação ao papel que desempenharão em um mercado cada vez mais competitivo e globalizado.

São recorrentes principalmente em empresas, entidades civis organizadas e mesmo nas três esferas de governo de que o papel de um economista pode ser realizado por um administrador ou mesmo um contador, razão pela qual os estágios na área financeira tende a recair mais sobre administradores e contabilistas do que propriamente em economistas.

A superposição das funções em razão do desconhecimento leva inicialmente a uma perda para os estudantes de Economia e, posteriormente, aos próprios economistas, que veem suas funções sendo ocupadas por outros profissionais. Em seguida, perdem as empresas, as entidades civis representativas e as três esferas de governo, pois o conhecimento a cerca da Teoria Econômica e de como trabalhar suas variáveis para auxiliar estes mesmos agentes econômicos e públicos na tomada de decisões, só pode ser realizado por economistas. Se não fosse assim, administradores, contabilistas e advogados estariam sendo chamados nos veículos de comunicações nacionais e estrangeiros, para explicar os diversos efeitos da crise financeira mundial sobre o Produto Interno Bruto, o comportamento das taxas de juros nos mercados internos e externos, o comportamento das taxas de câmbio, o montante de investimentos e outras variáveis não menos importantes dentro do cenário em que vivemos.

A modelagem de uma política fiscal, que, para muitos, diz respeito tão-somente à questão tributária, é papel de um economista. Diante disso, pergunto: é possível qualquer governo orientar a economia em direção ao crescimento, com vistas ao desenvolvimento econômico sem a utilização dos três pilares que dão sustentação à qualquer política fiscal? Não. Por quê? Porque é através de uma política fiscal que os governos centrais, ou mesmo a União, no caso específico do Brasil, alocam recursos para promover os bens públicos, criam mecanismos para distribuir a renda e diminuir as desigualdades sociais e regionais, além de propiciar meios para manter estabilidade econômica, quando da utilização correta e na medida certa de políticas monetária, cambial e tributária. Cabem aos economistas, pelo conhecimento profundo da Teoria Econômica, modelar estas políticas para serem aplicadas de forma positiva pelos agentes econômicos que se interagem nos mercados (empresas e consumidores).

Não fosse assim, não haveria sentido a existência das Ciências Econômicas, cujo objetivo se assenta no estudo da produção, distribuição, consumo e comercialização de bens ou serviços em um ambiente de escassez.

Portanto, meus amigos, é preciso que os agentes econômicos e públicos passem a adotar outra postura em relação a este profissional. Não se pode conceber a ausência de um profissional desta importância em empresas, entidades civis representativas e nas três esferas de governo. Neste sentido, algum empresário poderia perguntar: “Por que contratar um economista?” Poderia responder de forma sucinta para auxiliá-lo na tomada de decisões. Mas como? Vamos analisar o caso de uma empresa que deseja aumentar sua produção e, para tanto, tem que lançar mão de recursos de terceiros. Como o economista poderia auxiliá-la? Cabe a este profissional orientar os empresários no seguinte sentido: o que produzir? Como produzir? E para quem produzir? No caso específico desta empresa, primeiro, se faz necessário ver o comportamento do mercado em relação ao produto daquela empresa. Isto no sentido de orientá-la com relação à oferta existente e às possibilidades que se abririam para que estes produtos pudessem ser negociados em um quantitativo maior, sem que o fabricante incorresse na necessidade de reduzir seu preço. Em um segundo momento, deveria se analisar o custo de oportunidade entre fazer esta capitação de recursos no mercado e investir na expansão deste produto. Isto porque dependendo do custo financeiro e da conjuntura econômica, às vezes, o ideal para aquele momento fosse manter a produção ou mesmo lançar um produto diferente para ganhar mercado e não concorrer com os mesmos produtos. Isto é só um exemplo do papel que um economista poderia desempenhar em uma empresa.

Outra análise importante é pelo conhecimento da economia como um todo, para orientar os empresários e quando e onde investir. Há outros trabalhos que ficam a cargo do economista, como: elaborar, avaliar e analisar projetos de investimentos, fazer consultorias nas áreas financeiras e tributárias, fazer conjuntamente com administradores e contadores análises financeiras no sentido de avaliar o giro, endividamento de curto, médio e longo prazo além de avaliar a taxa de retorno dos investimentos a serem realizados, cálculos financeiros dentre outros de igual importância.

Os economistas também são fundamentais para elaboração de projetos para que as empresas busquem incentivos fiscais junto às esferas de governo. No caso específico de Goiás, atuam na elaboração de projetos do Fomentar, Produzir, FCO e outros ligados à alocação de recursos públicos subsidiados no intuito de que as empresas venham a realizar seus investimentos e se coloquem nos mercados com chances reais de competir com suas concorrentes mais próximas.

A economia goiana passa por um processo de diversificação, haja vista que a estrutura de sua riqueza tem mais peso no setor de serviços, seguido da atividade industrial e, depois, da atividade agropecuária e de extração mineral. Em todos estes segmentos, cabe a um ou mais economistas orientar os empresários no sentido de consolidar os seus negócios. É importante que se diga que a presença de um economista na área financeira de qualquer agente econômico ou público não implica em dizer que se deve abrir mão de um contador, administrador ou advogado, pelo contrário, fortalece a relação entre os profissionais para a melhoria das relações das empresas, das entidades civis representativas e, por conseguinte, das esferas de governo.

Na verdade, os agentes que detêm estes profissionais vão mais longe nos seus negócios, já que passam a ter a visão do todo e aplicabilidade do conhecimento de cada um dentro de suas áreas específicas.

Nas administrações estaduais e municipais, haveria lugar para os economistas? É claro que sim. Podem trabalhar o planejamento destes governos, elaborar orçamentos públicos e, ainda, capitanear investimentos para estes cortes geográficos.

O Estado de Goiás têm 246 municípios. Pergunto: quantos desenvolvem algum tipo de atividade industrial? No máximo 80 municípios. Quantos poderiam desenvolver? Todos, desde que o potencial econômico destes municípios viesse a ser conhecido pelos seus gestores. Quem poderia prestar este tipo de assessoria aos gestores municipais? Os economistas, pois conhecem o contexto macroeconômico e podem orientar os melhores investimentos no campo microeconômico.

E nas entidades civis representativas, qual seria o papel do economista? Fazer análises financeiras e tributárias para as empresas filiadas no sentido de lhes possibilitar o acesso a recursos subsidiados e também reduzir os custos tributários, dando-lhes maior condição de colocar seus produtos nos mercados.

Então, há mercado para economistas? Sim. Além de haver mercado, a remuneração pode superar a casa de sete mil reais.

Junte-se a nós, seja um economista!

PIB: balanço geral

Os últimos resultados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o desempenho do Produto Interno Bruto no comparativo do 1º trimestre de 2009 com o mesmo período do ano anterior mostram os efeitos nefastos de aplicação de uma política monetária restritiva em tempos de crise sobre a atividade econômica.

Pensar em resultados melhores seria no mínimo desconhecer os fundamentos que movem a economia. Não precisa ser economista para saber que juros altos no mercado interno não combinam com o aumento da produção neste mesmo mercado.

Outra constatação óbvia é que, quando não ocorrem investimentos em máquinas e equipamentos, dificilmente a economia pode experimentar processo de crescimento, já que investir em formação bruta de capital fixo faz com as empresas apresentem diferenciais de tecnologia em seus processos produtivos, levando-as a produzir mais com menores custos operacionais, dando aos seus produtos maior qualidade e competitividade proporcionando-lhes melhores resultados. Quando não realizam investimentos, dificilmente conseguem ampliar sua fatia de participação nos mercados.

O que estamos assistindo com relação ao desempenho do setor de formação bruta de capital fixo ou de máquinas e equipamentos é que este vem apresentando queda. No primeiro trimestre de 2008, os investimentos no setor foram da ordem de 18,4%, do PIB, no mesmo período de 2009. Estes alcançaram apenas 16,6% do PIB. Nos primeiros três meses deste ano, a queda no setor foi de 12,6%, menor percentual desde 1996. Para que uma economia cresça, este segmento da atividade industrial tem que estar aquecido, caso contrário, os resultados do produto agregado são baixos como os divulgados.

Ainda no comparativo do 1º trimestre de 2009, com igual período do ano anterior, percebe-se que a atividade industrial caiu 3,1%, a agropecuária, 1,5%. O lado bom foi que, com a redução do IPI e em razão da política permanente adotada pelos estados de concessão de incentivos e benefícios fiscais, os impostos sobre o produto agregado caíram 3,3%, compensando em parte os estragos causados na economia pela manutenção de taxas de juros muito superiores à média cobrada nos países que formam a economia mundial.

O Produto Interno Bruto é o resultado da soma do consumo das famílias, do governo, com os investimentos em máquinas e equipamentos, mais as exportações deduzidas das exportações. Como ficou esta equação no período analisado? O consumo das famílias cresceu 0,7%, o consumo do governo cresceu 0,6%, máquinas e equipamentos apresentaram queda de 12,6%, as exportações de bens e ou serviços caíram 16% e as exportações tiveram queda de 16,8%. Dificilmente poderíamos ter alcançado melhores resultados como de fato alcançamos neste comparativo, pois o cenário econômico encontrava-se totalmente adverso para o crescimento.

Se a autoridade monetária não concordasse com esta situação, não teria surpreendido grande parte do mercado e reduzido a taxa Selic em reunião de ontem do Comitê de Política Monetária – Copom –, em 1%, passando a taxa que remunera os títulos públicos de 10,25% para 9,25%.

O reflexo desta medida vai melhorar a vida do consumidor? No curto prazo não, porque os juros do crediário ainda continuam altos. Por que isto ainda ocorre? Devido ao spread bancário. O que é isto? É a diferença entre o custo de capitação dos recursos feito pelos bancos e seu empréstimo aos investidores, ou mesmo às pessoas físicas. O que faz esta diferença ser tão alta? Os impostos sobre operações financeiras cobrados pelo governo, a taxa de lucros dos bancos, fincando muito acima da inflação, em torno de 30%, por operação, combinada ainda com a assimetria de informações, ou seja, a falta de conhecimento por parte das instituições financeiras da verdadeira capacidade dos prováveis devedores de quitarem suas obrigações para com eles.

Em que a crise auxilia para que a taxa de juros aos consumidores e investidores fiquem muito acima da capacidade que a economia suporta? Como a crise é financeira, influencia bastante, já que com a desconfiança que paira no setor, o crédito fica curto, tornando o seu acesso mais difícil e mais caro. Mais a crise não ocorre com maior intensidade nos Estados Unidos, na Europa e na Ásia. Por que, então, está afetando tanto o Brasil? Porque vivemos em uma economia globalizada, o que acontece lá fora tem reflexo no mercado interno.

Sendo assim, é por isso que temos que manter nossa taxa Selic mais próxima o possível da média praticada lá fora? Se fizermos o contrário, estaremos dando um passo atrás no que tange a vencermos os efeitos da crise, ou seja, a queda continua na atividade econômica, nos colocando na chamada recessão técnica.

Tudo bem! Você reduz os juros, aumenta o consumo e, com isso, os preços aumentam. Isto não vai gerar inflação? A princípio sim. Como resolver esta questão? Simples: utilizando as importações como ocorreu na primeira fase do Plano Real, só que agora não perderíamos reservas internacionais como naquela época. Por que não? Porque a taxa de câmbio praticada no País é a flutuante e não a fixa, como anteriormente. Que diferença isto faz? Quando a taxa de câmbio é fixa, o Banco Central reduz a especulação da taxa de câmbio colocando moeda estrangeira no mercado extraído das reservas internacionais, quando é flutuante não há esta interferência da autoridade monetária fazendo com que o próprio mercado se ajuste.

Neste caso, a desvalorização inicial da moeda nacional frente à estrangeira não colocaria em cheque o instrumento de combate a inflação? Se não estivéssemos em crise, sim. Como estamos em crise, as exportações não seriam aquecidas, pois a demanda global está em baixa, com isso, teríamos fôlego para aumentarmos a renda interna sem no entanto comprometer o processo de estabilização.

Existem outros caminhos para combater a inflação e melhorar o desempenho do produto agregado? Lógico, podemos ser conservadores ou desenvolvimentistas. Qual a diferença entre eles? Uma política conservadora cria problemas para o crescimento da economia e ainda aprofunda o desemprego, como estamos presenciando atualmente, enquanto a desenvolvimentista gera oportunidade de sairmos da crise com inclusão social pela produção sem quebrar a lógica da estabilização.

O quadro atual, reflexo do conservadorismo da autoridade monetária, é o seguinte: indústria de transformação, -12,6%; construção civil, -9,8%; gás, água, esgoto e limpeza, - 1,1%; minerais ferrosos, -38,1%; petróleo e gás natural, alta de 6,5%.

No segmento de serviços há o seguinte quadro: alta de 7,0% em outros serviços; crescimento de 5,8% em intermediação financeira; aumento de 5,4% no segmento de informação; queda de -6,0% no comércio varejista; -5,6% em transporte e armazenamento. Fica para reflexão.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/pib_balano_geral

quarta-feira, 10 de junho de 2009

O desempenho da economia brasileira e a instabilidade do câmbio

A integração existente entre as economias em um mercado globalizado, por um lado, facilita as relações comerciais e financeiras, e por outro, leva estas mesmas economias a sentirem os efeitos de qualquer desequilíbrio que ocorre em uma delas em tempos de crise ou não.

Para se ter uma ideia do nível de integração, quando o Banco Central do Brasil decide alterar sua taxa básica de juros, como deve ocorrer ainda nesta semana, ele não olha os movimentos apenas do mercado interno, mas, sim, toda a conjuntura externa. Nesse caso, se o crédito está mais expandido e os riscos inerentes a este mercado estão menores, abre espaço para uma redução nas taxas de juros. Quando o cenário é adverso, a autoridade monetária brasileira se mantém numa posição mais conservadora, mantendo as taxas de juros nos 10,25% ou mesmo elevando-a.

A questão que se coloca é acerca das decisões quanto aos percentuais das taxas de juros não afetam apenas o mercado monetário e/ou financeiro, mas também provocam mudanças nos mercados de bens e/ou serviços e de câmbio.

No caso brasileiro temos acompanhado nos últimos dias a apreciação do real e a desvalorização do dólar. Tudo indica que, para conter essa desvalorização da moeda americana, o Banco Central deverá sinalizar para uma redução na “Taxa Selic”, podendo esta chegar a um ponto percentual, isto no sentido de reduzir a procura por moeda nacional para especulação e, ao mesmo tempo, estimular ainda mais o setor produtivo, que em relação ao mesmo período do ano passado ainda apresentou queda em quatorze capitais pesquisadas.

No comparativo do mês de abril com março, os resultados foram melhores com crescimento de 1% em praticamente todas as capitais. O destaque ficou para o Estado de Goiás, que cresceu acima da média nacional devido ao bom desempenho da indústria de alimentos e bebidas – leia-se produção de açúcar e álcool.

Em Goiás, foram criados, no mês de abril, 14,2 mil novos empregos; segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged –, a atividade industrial puxada pelos segmentos de alimentos e bebidas geraram 9,2 mil empregos, sendo seguida pelo setor de serviços, com 2,4 mil empregos, e a construção civil, com 2,2 mil, o restante foi gerado pela atividade agropecuária, cuja participação na atividade econômica do Estado ainda exerce bastante influência.

No primeiro quadrimestre de 2009, os Estados que apresentaram o melhor desempenho na produção e na geração de empregos foram: GO (3,78%) e RO (3,61%), e os Estados que apresentaram os piores resultados foram PE (-4,38%) e AM (-4,27%). O diferencial dos Estados das regiões Centro-Oeste e Sul em relação à dos Estados das regiões Sudeste, Norte e Nordeste centra no tipo de produção. Enquanto os Estados das regiões Centro-Oeste e Sul têm forte presença do setor de alimentos e bebidas, a dos outros Estados concentra-se basicamente na produção de bens de capital e de bens intermediários, que, com a crise financeira internacional, apresentaram forte queda, devido à retração nos investimentos nos primeiros meses do ano.

Diante do quadro, percebe-se que a economia brasileira se mostra bastante instável, ora operando com crescimento, ora com queda. A situação tende a se agravar caso a política monetária continue conservadora, pois isto favoreceria ainda mais a especulação sobre a moeda nacional, continuando a apreciá-la em relação ao dólar.

Onde mora o perigo? Por um lado, não cresceríamos nossas exportações em razão da redução da demanda global e pela perda de competitividade dos produtos brasileiros em relação aos estrangeiros em face de apreciação do câmbio. E, por outro, em função de não se criar as condições para que o mercado interno se alavanque e venha a compensar as perdas impostas pela crise financeira mundial no mercado exportador.

Na verdade, existem vários pontos de desequilíbrio na economia mundial e que pelo processo de integração acabam refletindo na economia nacional. O destaque fica ainda pela crise de desconfiança que paira sobre o mercado financeiro cujo reflexo recai sobre as condições impostas ao crédito.

As empresas de médio e grande portes só investem se houver nos mercados recursos subsidiados e possibilidade de aumento dos níveis de renda. Isto porque, por um lado, a comercialização de seus produtos tem que cobrir os custos: operacionais, financeiros e ainda garantir suas margens de lucro. Por outro, dependem do aumento dos níveis de renda, pois só assim os níveis de consumo se manterão em patamares que garantam aos empresários desovarem seus produtos sem a necessidade de rebaixamento de preços, mantendo assim suas margens de lucros.

Nos mercados, o consumo das famílias mais o consumo do governo somado aos investimentos em bens de capital, mais as exportações menos as importações são que fazem com que o produto interno bruto das economias cresça. Quando há descompasso em alguma dessas variáveis, a renda se vê comprometida e com isso as demandas da sociedade acabam não sendo atendidas, prejudicando o bom andamento da economia e ampliando ainda mais as desigualdades regionais e sociais.

Quando isso ocorre, cabe aos governos conter esse tipo de desequilíbrio, em que pesem a defesa do estado mínimo e da economia de mercado. No Brasil o governo tem procurado dar sua parcela de contribuição, principalmente no que tange à redução de parte da carga tributária a setores pontuais, como o de veículos, eletrodomésticos e de materiais de construção, no sentido de que estes setores tragam consigo aqueles que dependem diretamente destes.

O problema é que se, por um lado, a carga tributária fica mais amena para alguns segmentos, para outros, esta se mantém excessivamente elevada, que o diga para os trabalhadores de baixa renda quando adquirem produtos como arroz, óleo, macarrão etc., com incidência dos impostos indiretos, como ICMS, e também os assalariados, cujo IR consome quase 30% de seus salários. Sem deixar de mencionar o estrago que os fundos de previdência fazem nos salários dos assalariados.

Diante do quadro desenhado, não haveria como a economia brasileira não passar por um processo de instabilidade diante da crise, da conjuntura econômica interna e externa. Isto porque uma coisa depende da outra, juros, câmbio e impostos afetam diretamente o desempenho de qualquer economia, e com a brasileira não seria
diferente.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/o_desempenho_da_economia_brasileira_e_a_instabilidade_do_cmbio

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A instabilidade do dólar no Brasil

A opção por parte da autoridade monetária por uma política monetária restritiva no que tange a circulação de moeda no mercado interno, combinado com o processo de assimetria de informações no mercado financeiro e o chamado spread bancário, tem deixado a taxa de juros que remuneram os títulos públicos no mercado interno em 9,75% muito acima da taxa de juros praticada no mercado americano em um cenário de crise financeira internacional.

Como a economia é integrada pelo processo de globalização dos mercados financeiros e de bens e serviços, os investidores, cuja lógica assenta na maximização do capital em um tempo mais curto, deixam de lado a atividade produtiva, para tão-somente buscar seus dividendos nos mercados financeiros.

Se por um lado este movimento em direção ao mercado financeiro garante um fluxo de recursos para este mercado, de outro alimenta o processo de especulação financeira na economia cuja taxa de juros fica bem acima da média que se paga no mercado externo.

Este é o caso específico do Brasil nos últimos nove anos. Ao optar por taxas de juros mais elevadas, derrubam a renda no mercado interno ou mesmo limitam sua capacidade de crescimento. Por um lado, este tipo de política mantém as taxas de inflação abaixo de um dígito, por outro, facilita as exportações, isto porque, ao comparar os preços relativos desta economia com o de outros no mercado externo, os daqui ficam inferiores, dando com isso maior competitividade aos nossos produtos.

O que este contexto tem a ver com a instabilidade do dólar na economia brasileira? Tudo. Por quê? Ao ampliar as exportações brasileiras, nossas reservas internacionais se elevam, com elas, aumenta a circulação de moeda nacional no mercado interno. Haja vista que o valor dos dólares que entram no mercado são convertidos em moeda nacional e lançados no mercado. Como a política do governo é manter as taxas de inflação baixa, este ente federado através do Banco Central, lança títulos públicos no mercado para neutralizar os efeitos do aumento da circulação de moeda no mercado interno.

Para tanto, tem que tornar seus papéis atrativos e o fazem mantendo suas taxas de juros bem acima do que se paga em média nos outros mercados. Resultado desta prática atrai para o mercado brasileiro muito mais recursos direcionados à especulação financeira do que propriamente à atividade produtiva.

Com o interesse dos investidores sendo maiores para os papéis brasileiros, a demanda por dólares no mercado recua, com isso, passa a ter mais moeda estrangeira do que o necessário. Se isto não bastasse para desestabilizar o câmbio, a própria crise financeira internacional acaba contribuindo para o agravamento desta situação, pois com ela a demanda global por produtos brasileiros continua baixa.

Com os pedidos externos em queda, as empresas do setor não antecipam a compra de dólares para manter seus investimentos em alta, sendo assim, não ocorre desequilíbrio entre oferta e demanda por esta moeda. Não havendo este descompasso em um regime de taxa de câmbio flutuante favorável à moeda estrangeira, e, sim, em favor da moeda nacional, pelos juros se manterem acima da média paga no mercado externo, o dólar irá desvalorizar em relação ao real e este, por sua vez, irá se valorizar em relação ao dólar, por esta razão a moeda americana fechou a semana sendo cotada abaixo de R$ 2.

Há outro dado que pode agravar esta situação no mercado de câmbio. Qual? O fato de empresas nacionais e/ou internacionais voltarem a contrair empréstimos em moeda estrangeira pelo fato de que as taxas de juros lá serem menores do que as daqui e aplicarem no mercado financeiro brasileiro. Isto ampliaria ainda mais o apelo por moeda nacional derrubando mais a cotação da moeda americana frente à brasileira.

Qual a saída para mais este problema? Recolocar a economia brasileira na rota do crescimento. O governo não está fazendo isto? Está de forma equivocada. Por quê? Por um lado, estende a mão para o mercado interno reduzindo o IPI, de alguns setores chaves para o crescimento da economia; por outro, insiste em manter as taxas de juros em patamares que continuam atraindo especuladores.

Com isso, você está querendo me dizer que o desequilíbrio que vem ocorrendo no mercado de câmbio no Brasil é porque aqui a taxa de juros, embora esteja em queda, ainda continua bastante elevada. É exatamente isto.

A taxa de juros elevada vem criando um descompasso em relação tanto à taxa de câmbio como para o crédito. O reflexo no mercado de câmbio pode ser notado pela queda do dólar em relação ao real. Já o reflexo para o mercado interno pode ser visto pela redução do quantitativo de máquinas e equipamentos vendidos e pela queda da atividade econômica, como ocorreu no fechamento do primeiro trimestre em praticamente todos os setores. O setor de bens de capital que estimula o crescimento de qualquer economia, no País, caiu no período 12,98%, e nos últimos seis meses, 32,9%.

Eis aí, meus amigos, o que uma taxa de juros elevada pode provocar em uma economia, principalmente em tempo de crise financeira mundial. Não seria a hora de começar a modificar este quadro.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/a_instabilidade_do_dlar_no_brasil

O aumento da taxa de desemprego e o reflexo na renda dos trabalhadores

Em um cenário econômico adverso, nos chama a atenção o descompasso existente entre a demanda e a oferta de moeda na economia mundial. A economia brasileira, em que pesem seus indicadores econômicos estarem mais alinhados do que o de outras economias mais desenvolvidas, não tem deixado de se sentir os reflexos negativos trazidos pela crise financeira mundial.

A política econômica ao longo dos últimos oito anos vem sendo modelada para o atendimento do mercado externo. Para tanto se tem optado por uma política monetária mais conservadora, onde a taxa de juros é tida como âncora principal deste movimento oscilando para cima e para baixo em função do comportamento das taxas de inflação.

Com o advento da crise a demanda global caiu derrubando também as exportações brasileiras. A compensação destas perdas poderia ocorrer com o direcionamento das políticas públicas orientadas pelo Banco Central, para a valorização do mercado interno, tendo em vista a redução dos níveis de pobreza no país.

Para que isto viesse a se efetivar seria necessário trocar a política monetária restritiva, para uma monetária expansionista de curto prazo. Para que os leitores entendam esta proposição faz se necessário explicar a diferença entre as duas e os reflexos que ambas promovem nos mercados de câmbio, financeiro e de bens e ou serviços.

A política monetária restritiva proporciona a contração do crédito e o aumento das taxas de juros, com isso alimenta a crise leva a renda interna a cair e com ela os preços relativos dos produtos internos, quando comparados aos externos, ficam mais baratos. Resultado aumenta as exportações, trazendo consigo as reservas internacionais. Como da edição do Plano Real, para cá, a prioridade assenta no combate à inflação, o Banco Central para evitar o aumento do consumo e por conseqüência do nível de preços, coloca títulos públicos no mercado, neutralizando assim os efeitos do aumento da circulação de moeda provocada pelo crescimento das reservas internacionais.

Qual o impacto deste movimento para o mercado interno e para as contas públicas? No mercado interno reduz a atividade econômica, e com ela, a utilização de mão-de-obra, tecnologia, capital, capacidade instalada das empresas e outros recursos na atividade produtiva. Pontos negativos destes movimentos: aumentam a taxa de desemprego e cai o produto agregado da economia e com ele, a possibilidade de aumento dos salários dos trabalhadores, isto pelo simples fato de abrir espaço para a substituição da mão-de-obra no mercado, tendo em vista o grande número de desempregados. Para se ter uma idéia da gravidade desta opção só no mês de abril a taxa de desemprego no país passou de 9%, podendo ampliar ainda mais em razão da política monetária adotada e dos efeitos da crise sobre o crédito e o setor de bens da capital, que já acumula queda nos últimos oito meses de 32%.

Para as contas públicas os efeitos da política monetária restritiva são de aumento do endividamento público e redução da capacidade de investimentos, o que pode ser visto quando analisamos o momento que vive o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC, dos recursos anteriormente disponibilizados apenas 43% foram de fato liberados.

Por sua vez uma política monetária expansionista quando praticada no curto prazo pode reduzir a taxa de juros no mercado interno, diminuir e ou estabilizar a dívida interna pública, aumentar o produto agregado da economia e os preços relativos dos produtos internos quando comparados aos externos. Estes movimentos favoreceriam tanto as importações quanto o desenvolvimento do mercado interno. Pergunta-se: O aumento da renda interna não favoreceria o aumento dos salários e por conseqüência dos níveis de preços, quebrando a lógica da estabilização? A princípio sim. Como evitar que isto ocorra? Utilizando novamente a âncora cambial para derrubar os preços como foi feito na primeira fase do Plano Real.

A diferença é que em um regime de câmbio flutuante o desequilíbrio entre oferta e demanda por moeda seria resolvido pelo próprio mercado, não incorrendo em perdas de reservas internacionais, como ocorreu naquele período. Em um segundo momento o uso mais eficaz do componente tecnológico, o aumento do crédito, da capacidade instalada das empresas e a redução dos custos financeiros, poderiam favorecer os investimentos, restabelecendo o equilíbrio entre a oferta e a demanda, derrubar os preços e ainda manter as taxas de inflação baixas, como atualmente, sem por em cheque o nível da atividade econômica e os ganhos sociais dos trabalhadores.

Fica aí mais uma sugestão para os responsáveis pela condução da política econômica no país

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/o_aumento_da_taxa_de_desemprego_e_o_reflexo_na_renda_dos_trabalhadores