quarta-feira, 3 de junho de 2009

O aumento da taxa de desemprego e o reflexo na renda dos trabalhadores

Em um cenário econômico adverso, nos chama a atenção o descompasso existente entre a demanda e a oferta de moeda na economia mundial. A economia brasileira, em que pesem seus indicadores econômicos estarem mais alinhados do que o de outras economias mais desenvolvidas, não tem deixado de se sentir os reflexos negativos trazidos pela crise financeira mundial.

A política econômica ao longo dos últimos oito anos vem sendo modelada para o atendimento do mercado externo. Para tanto se tem optado por uma política monetária mais conservadora, onde a taxa de juros é tida como âncora principal deste movimento oscilando para cima e para baixo em função do comportamento das taxas de inflação.

Com o advento da crise a demanda global caiu derrubando também as exportações brasileiras. A compensação destas perdas poderia ocorrer com o direcionamento das políticas públicas orientadas pelo Banco Central, para a valorização do mercado interno, tendo em vista a redução dos níveis de pobreza no país.

Para que isto viesse a se efetivar seria necessário trocar a política monetária restritiva, para uma monetária expansionista de curto prazo. Para que os leitores entendam esta proposição faz se necessário explicar a diferença entre as duas e os reflexos que ambas promovem nos mercados de câmbio, financeiro e de bens e ou serviços.

A política monetária restritiva proporciona a contração do crédito e o aumento das taxas de juros, com isso alimenta a crise leva a renda interna a cair e com ela os preços relativos dos produtos internos, quando comparados aos externos, ficam mais baratos. Resultado aumenta as exportações, trazendo consigo as reservas internacionais. Como da edição do Plano Real, para cá, a prioridade assenta no combate à inflação, o Banco Central para evitar o aumento do consumo e por conseqüência do nível de preços, coloca títulos públicos no mercado, neutralizando assim os efeitos do aumento da circulação de moeda provocada pelo crescimento das reservas internacionais.

Qual o impacto deste movimento para o mercado interno e para as contas públicas? No mercado interno reduz a atividade econômica, e com ela, a utilização de mão-de-obra, tecnologia, capital, capacidade instalada das empresas e outros recursos na atividade produtiva. Pontos negativos destes movimentos: aumentam a taxa de desemprego e cai o produto agregado da economia e com ele, a possibilidade de aumento dos salários dos trabalhadores, isto pelo simples fato de abrir espaço para a substituição da mão-de-obra no mercado, tendo em vista o grande número de desempregados. Para se ter uma idéia da gravidade desta opção só no mês de abril a taxa de desemprego no país passou de 9%, podendo ampliar ainda mais em razão da política monetária adotada e dos efeitos da crise sobre o crédito e o setor de bens da capital, que já acumula queda nos últimos oito meses de 32%.

Para as contas públicas os efeitos da política monetária restritiva são de aumento do endividamento público e redução da capacidade de investimentos, o que pode ser visto quando analisamos o momento que vive o Plano de Aceleração do Crescimento - PAC, dos recursos anteriormente disponibilizados apenas 43% foram de fato liberados.

Por sua vez uma política monetária expansionista quando praticada no curto prazo pode reduzir a taxa de juros no mercado interno, diminuir e ou estabilizar a dívida interna pública, aumentar o produto agregado da economia e os preços relativos dos produtos internos quando comparados aos externos. Estes movimentos favoreceriam tanto as importações quanto o desenvolvimento do mercado interno. Pergunta-se: O aumento da renda interna não favoreceria o aumento dos salários e por conseqüência dos níveis de preços, quebrando a lógica da estabilização? A princípio sim. Como evitar que isto ocorra? Utilizando novamente a âncora cambial para derrubar os preços como foi feito na primeira fase do Plano Real.

A diferença é que em um regime de câmbio flutuante o desequilíbrio entre oferta e demanda por moeda seria resolvido pelo próprio mercado, não incorrendo em perdas de reservas internacionais, como ocorreu naquele período. Em um segundo momento o uso mais eficaz do componente tecnológico, o aumento do crédito, da capacidade instalada das empresas e a redução dos custos financeiros, poderiam favorecer os investimentos, restabelecendo o equilíbrio entre a oferta e a demanda, derrubar os preços e ainda manter as taxas de inflação baixas, como atualmente, sem por em cheque o nível da atividade econômica e os ganhos sociais dos trabalhadores.

Fica aí mais uma sugestão para os responsáveis pela condução da política econômica no país

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/o_aumento_da_taxa_de_desemprego_e_o_reflexo_na_renda_dos_trabalhadores

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