quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Goiás: a evolução do emprego formal

Em recente pesquisa realizada pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – Caged, setor que integra o Ministério do Trabalho e Emprego, ficou evidenciado que alguns Estados que compõem a federação brasileira vêm obtendo resultados em termos de abertura e fechamento de postos de trabalho formais bastante heterogêneo. A diferença de resultados assenta no perfil produtivo de cada um já que nos Estados mais dinâmicos a base de geração de riqueza se assenta na indústria de transformação voltada à produção de bens e serviços intermediários e de capitais, enquanto que os Estados menos dinâmicos ainda têm suas atividades econômicas apoiadas na indústria de bens de consumo leves.

No acumulado entre janeiro a julho, os saldos entre admissões e demissões ainda se mantiveram altos; dentre os Estados que mais geram empregos, destacam-se, pela ordem, São Paulo (192.416), Minas Gerais (83.429) e Goiás (49.427). Os dois primeiros já venceram as três etapas do processo de industrialização enquanto que o terceiro ainda vive o início da primeira fase desse processo. Detalhe: além do conjunto de empresas voltadas para o setor de alimentos, bebidas e de produtos de origem têxtil, também apresenta em seu corte geográfico indústrias dinâmicas, tais como montadoras de veículos automotores e de tração, sobretudo para atender a demanda crescente advinda do segmento do açúcar e do álcool. Diferentemente das outras unidades da federação, Goiás tem uma balança comercial superavitária, onde 77% de suas exportações advêm do agronegócio, tendo como carro-chefe a soja, seguida de perto pela carne e por ferro ligas. Importam basicamente insumos para produção de remédios, veículos e acessórios para manter seu parque industrial em funcionamento. As exportações no mês de julho alcançaram US$ 327,6 milhões, enquanto que as importações foram de US$ 260,2 milhões. O superavit foi de US$ 67,4 milhões, 49% inferior ao mesmo período do ano passado, isso devido à escassez de soja, principal produto da pauta de exportações, fato que tende a se repetir durante todo o segundo semestre do ano, já que 95% da soja disponível foi comercializada com as tradings e com as unidades industriais.

No que tange à geração de empregos formais, os setores que mais se destacaram foram: agropecuária (1.514), construção civil (1.306), comércio (947) e indústria de transformação (579); detalhe: todos, descontadas as demissões ocorridas no período. No mês de julho, o saldo de admissões e demissões foi de 4.507 empregos com carteira assinada, com crescimento em relação ao mês anterior de 0,50%. Tal como indicado acima, o setor agropecuário têm contribuído muito para o alcance destes resultados nos últimos meses mesmo em cenários de crise; no mês de julho, foi responsável por 33,5% dos empregos gerados, enquanto que os segmentos da construção civil e industrial com isenção de IPI foram responsáveis respectivamente por 28,9% e 12,8% dos empregos com carteira assinada gerados no Estado. Os municípios com população acima de 30 mil habitantes que obtiveram os melhores saldos foram Cristalina (764), Aparecida de Goiânia (444) e Goiânia (298). Os piores resultados ficaram por conta de Mineiros (- 250), Jataí (- 219) e Inhumas (- 170), que, na verdade, mais demitiram trabalhadores do que contrataram.

Há municípios que embora apresentem certa diversificação produtiva não vêm respondendo afirmativamente em relação à criação e manutenção de empregos. Catalão, por exemplo, polo de desenvolvimento regional cuja atividade econômica assenta na agropecuária, extração de minérios, produção de veículos automotores e tratores, além de contar com setor de serviços em franco desenvolvimento, novamente apresentou um resultado abaixo da crítica. Para se ter ideia, gerou no período 761 empregos diretos e demitiu 759 trabalhadores, com saldo de apenas dois trabalhadores.

O município em tela conta com setores de produção com isenção de IPI; no entanto, o aumento nas vendas dos veículos não tem se traduzido na mesma proporção em empregos. O segmento, além de contar com isenção de impostos federais, conta também com incentivos fiscais estaduais; nesse sentido, entendo que a Gerência de Benefícios Fiscais da Secretaria da Fazenda, em parceria com a Secretaria de Indústria e Comércio, deveria cobrar posição em relação à vinculação dos incentivos fiscais com a criação, ou, pelo menos, manutenção, dos empregos, para que os benefícios não sejam dados de mão única.

Outro município cujos resultados foram muito ruins foi Formosa: no mês em análise, foram gerados 292 empregos e fechados 289 postos de trabalho, com saldo de três trabalhadores, o que, convenhamos, é muito pouco. O município conta com uma população de 96,3 mil habitantes. Detém 109 indústrias, contemplando os segmentos de laticínios, frigoríficos e destilarias, e seu Produto Interno Bruto alcançou, em 2006, 490,5 milhões de reais.

Os números mostram que o Estado tem conseguido resultados satisfatórios em relação a outras unidades da federação, mas, mesmo assim, seus indicadores têm sentido os reflexos da crise financeira no mercado mundial.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/goias_a_evolucao_do_emprego_formal_

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