quarta-feira, 7 de abril de 2010

O PERFIL DO DESENVOLVIMENTO GOIANO

O processo de desenvolvimento experimentado por Goiás, nos últimos quarenta anos, contrasta com o que se defende no âmbito do desenvolvimento regional, isto porque para além da preocupação com a infraestrutura espera-se neste formato de desenvolvimento que atividades complementares sejam geradas para que os perfis produtivos das regiões passem por transformações que altere suas movimentações econômicas.
No Estado, o desnível existente entre os índices de participações provenientes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços nos municípios, é a maior prova de que as ausências de atividades complementares entre as empresas e os municípios comprometem tanto crescimento quanto o desenvolvimento econômico dos municípios que integram este importante corte geográfico.
As regiões que integram o estado têm cidades consideradas pólos de desenvolvimento, no entanto os investimentos para elas canalizados com recursos dos programas de desenvolvimento regionais tais como: Fomentar, Produzir ou mesmo dos recursos advindos do Fundo constitucional do Centro-Oeste e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social acabam beneficiando apenas o local onde a empresa é implantada, não criando nenhum tipo de integração com os municípios circunvizinhos que detém a mesma logística do considerado mais desenvolvido.
A falta desta integração leva a problemas de ordem econômico-financeira e social. No campo econômico e financeiro, a baixa movimentação econômica do município, compromete o montante de suas receitas limitando assim suas despesas nominais per capitas em educação, saúde, segurança e de infraestrutura. No campo social dificulta a empregabilidade e por conseguinte aumenta a dependência da população em relação aos programas sociais, sem deixar de mencionar o fato de que a ausência de oportunidades de trabalho acaba forçando a migração de trabalhadores para as cidades pólos, em busca de melhores condições de vida. Isto aprofunda as desigualdades sociais pois não existem empregos para todos e ainda amplia a competição por vagas no mercado já que a concorrência aumenta.
Tomando como referência o Produto Interno Bruto das cidades pólos em relação à pelo menos um município circunvizinho pode-se dimensionar o tamanho das diferenças atualmente existentes entre estes espaços econômicos presentes no estado.
Vamos aos números: No Centro-Goiano tem-se Anápolis com um produto agregado de R$ 4,7 bilhões, enquanto o de Abadiânia é de apenas R$ 62,5 milhões. Na região Sudeste o destaque fica para Catalão com um produto agregado de R$ 2,9 bilhões, contra o de Cumarí que situa em R$ 26,3 milhões. No Centro-Sul do Estado tem-se Itumbiara com um produto interno bruto de R$ 1,5 bilhão enquanto que o de Morrinhos alcança R$ 449,9 milhões. Na região Sudoeste destaca-se entre outros municípios Rio Verde, cujo produto agregado é R$ 3,1 bilhão, não muito distante encontra-se Quirinópolis cuja riqueza no mesmo ano alcançou R$ 368,4 milhões. Na região Norte do Estado, o destaque fica para os municípios de Porangatu cujo produto interno bruto é de R$ 293,2 milhões enquanto o de Montividiu do Norte alcança apenas R$ 23,5 milhões, não obstante a estes a inda naquela região tem-se Uruaçu cujo produto agregado é de R$ 272,6 milhões e, o de São Luiz do Norte é de apenas R$ 45,7 milhões.
Os dados levantados mostram que existem diferenças enormes entre os municípios e que precisam ser contidas. Qual a saída? Vincular à concessão de incentivos e benefícios fiscais a necessidade de gerar atividades complementares nos municípios cuja logística seja a mesma, favorecendo assim o desenvolvimento da região e não apenas do município que recebeu o investimento.

Disponível em: www.dm.com.br

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