segunda-feira, 26 de abril de 2010

GOIÁS: FEDERALIZAÇÃO DA CELG

A princípio o estado trabalhava com a perspectiva de ter as Centrais Elétricas de Goiás – CELG, como um instrumento poderoso para garantir seu processo de crescimento e desenvolvimento econômico. A empresa tinha como atividade fim a geração de energia elétrica a partir da Usina de Cachoeira Dourada e também sua distribuição para todo este importante espaço econômico.
Com o passar dos anos a ineficiência de gestão proporcionada pela ingerência de seu sócio majoritário levou a empresa a conviver com déficits operacionais que foram lhe retirando a capacidade de investimentos tanto na geração quanto na distribuição.
O primeiro impacto de também atuar fora de sua atividade fim veio com necessidade na época de vender o maior patrimônio da empresa, a usina que me referi anteriormente. Pesaram dois fatos para a tomada de decisão. O primeiro as dificuldades financeiras que a empresa já passava na época para manter os investimentos necessários que a usina requeria anualmente e o segundo o cenário de privatização tendo como âncora o discurso neoliberal de que o estado deveria se afastar do mercado concentrando sua área de atuação em sua atividade fim, qual seja preocupar tão somente com a prestação de serviços sem fins lucrativos à sociedade atuando prioritariamente nos segmentos voltados à educação, saúde, segurança.
Veio à venda, o destino da maioria dos recursos foram para o eixo anhanguera na capital do estado, o que restou foi direcionado ao Goiânia Arena ginásio de esporte que tem abrigado ao longo dos anos poucos eventos relacionados ao seguimento e também em outras obras de infra-estrutura que não guardavam nenhuma relação com as atividades fins da empresa, para que esta se mantivesse como o pilar de sustentação energética do desenvolvimento do estado. Mais de R$ 700 milhões foram gastos sem dotar a empresa para enfrentar as demandas que viriam nos anos subseqüentes.
Nos períodos seguintes e não diferente dos anteriores a venda da usina a empresa continuou atendendo as necessidades impostas pelo sócio majoritário, situação que a levou a operar no vermelho, comprometendo os investimentos necessários para o cumprimento de sua atividade fim que era já naquele período de distribuir a energia comprada de Cachoeira Dourada para todo o estado atendendo o crescimento do setor industrial, de serviços, rural e residencial, números estes mostrados nos Balanços publicados na semana passada.
Não obstante aos problemas aqui levantados outros como a aquisição de energia acima dos preços de mercado contribuiu para que a empresa chegasse aos primeiros nove anos do século vinte um, com dívidas de curto prazo da ordem de 71%. Em 2005 o comprometimento das obrigações de curto prazo já estava na casa de 45%.
O endividamento segundo a DF-COGE cresceu de acima de 10% de 2005 a 2008, tendo caído para 6% no ano passado. Chama atenção nos números apresentados o crescimento da receita de fornecimento de energia nos seguimentos residencial (8,84%) comercial (9,99%) e queda de (3,66%) na indústria e de (13,51%) no meio rural. No agregado o crescimento no período de (2005 – 2009) o crescimento foi da ordem (3,55%).
Um outro dado interessante deve-se ao aumento do número de trabalhadores terceirizados no período analisado passou de (3.517) colaboradores em 2005, para (4.303) em 2009, variação de (4,87%). No entanto o número de colaboradores efetivos caiu apenas (5,37%) praticamente neutralizando os ganhos com a terceirização.
Quanto aos indicadores econômicos e financeiros cabe ressaltar que em 2005 a empresa apresentou um lucro de R$ 117, 9 milhões, nos anos seguintes operou no vermelho. O prejuízo líquido de 2006 foi de R$ 287,8 milhões, em 2007 de R$ 176,9 milhões, em 2008 de R$ 244,2 milhões e finalmente em 2009 de R$ 91,0 milhões, tendo sido este o melhor ano em termos de gestão após os resultados positivos verificados no início do período de avaliação.
Se por um lado o endividamento anual caiu no passado, os investimentos não tiveram a mesma sorte, pois apresentaram queda em relação a 2008, de (5,18%), comprometendo ainda mais o processo de crescimento do estado, este não se faz sem energia o que por se só já justifica as iniciativas para os fins de federalização. O Patrimônio líquido caiu no período (37,79%) enquanto que o passivo circulante (9,41%), chegando em 2009 ao patamar de R$ 6,2 bilhões. Os custos por atividade de transmissão gerenciáveis, caíram em média 7% no período (2008 – 2009) enquanto que os não gerenciáveis, subiram no período 13%, neutralizando o esforço anterior. Mesmo fato se verificou com os custos por atividade de distribuição cujos gerenciáveis caíram (2%) e os não gerenciáveis subiram (2%).
Para finalizar o perfil do endividamento é o seguinte: No curto prazo empréstimos (1%), encargos da dívida (79%) no longo prazo empréstimos (9%) e encargos de dívidas (11%). Não restando alternativa senão a federalização.

Disponível em: www.dm.com.br

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