terça-feira, 30 de março de 2010

ECONOMIA: AS ESPECIFICIDADES QUE ENVOLVEM O DESENVOLVIMENTO

O processo de desenvolvimento apresenta uma série de externalidades que podem contribuir a favor e/ou contra o desenvolvimento de um município, estado ou mesmo nação.
A princípio as iniciativas no sentido de distribuir a renda com vistas a garantir uma melhor condição de vida para a sociedade eram de responsabilidade única do Estado-Nação. No entando com o processo de endividamento verificado em escala mundial a partir dos anos 70, esta obrigação saiu do âmbito nacional, deceu ao regional e atualmente se discute a questão muito mais no cerne local, haja vista, que as formas de desenvolvimento defendidas anteriormente acabaram por aprofundar as diferenças entre os espaços econômicos socialmente habitados.
Voltando a questão das externalidades têm as de cunho institucionais, cuja lógica assenta na orientação da política fiscal de qualquer economia. O modelo por ela desenhado pode no curto, médio e longo prazo, promover a concentração, desconcentração ou mesmo a reconcentração da riqueza gerada no período.
A externalidade citada acaba por influenciar as demais já que a política econômica adotada é que da o viés em termos de desenvolvimento. No âmbito do regionalismo ainda se destacam outras formas de desenvolvimento tais como: marshalianas, perrouxianas, schupterianas, jacobinas e transnacionais, todas são cercadas de especificidades que levadas a termo, podem contribuir para reduzir ou ampliar as disparidades regionais historicamente construídas no âmbito das economias mundiais.
No livro “Economia e Território” organizado por (Diniz, 2005), todas as formas são abordadas no sentido de analisar de forma detalhada as vantagens e as desvantagens de cada uma.
Ao fazer um corte no processo de desenvolvimento econômico do Brasil, percebe-se que foi adotado o postulado marshaliano, tanto é que de 30 a 70, permeou sobretudo nas regiões consideradas dinâmicas (sudeste e sul) um tipo de desenvolvimento capitaneado pelo União, onde se lançõu mão de políticas cambiais, monetárias e tributárias com o intuito de transformar aquele espaço econômico em um ambiente industrializado, de base produtiva sólida, capaz de conduzi-lo no futuro para um processo ainda mais avançado, tendo como pilar a indústria do conhecimento. Fato que já se verifica em razão das economias de aglomeração alí criadas dentre as quais o grau de integração entre as empresas que alí se constituíram ou mesmo que para lá foram deslocadas. Se por um lado as políticas públicas de âmbito nacional favoreceu a produção de bens e/ou serviços, por outro lado, contribuiu para um inchaço populacional, já que recebeu um fluxo migratório de todas as regiões do país, principalmente advindas da região considerada mais atrasada e ainda, vazia.
Problemas de ordem interna e externa impuseram no estado brasileiro grande endividamento, fato que contribuiu para que outra forma de desenvolvimento permeasse a economia barsileira a partir dos anos 80, a perrouxiana também conhecida como regional. O pilar de sustentação deste tipo de desenvolvimento está na concessão de incentivos e benefícios fiscais. Muito embora tenha conseguido êxito em termos do crescimento do produto agregado dos espaços econômicos que delas fizeram uso, não foi capaz de conter o processo de concentração de riqueza, já que vem operando nos estados privilegiando alguns seguimentos em detrimentos de outros e algumas regiões em detrimento de outras. Em Goiás, distorções como estas são perceptíveis, é só olhar para o todo, neste corte geográfico existem no máximo noventa municípios que detém um mínimo de atividade de agregação de valor, enquanto cento e cinquenta e seis restantes estão a anos luz, de algum tipo de projeto de desenvolvimento.
Em que pesem os problemas aqui levantados o Estado, já se encontra no âmbito das formas de desenvolvimento jacobinas e transnacionais, pois via de arranjos produtivos locais, começa a dar os primeiros passos em busca de quem sabe, alcançar algum nível de desenvolvimento schupeteriano, cuja base de sustentação se assenta na inovação. Mora aí um pontos que devem ser trazidos a luz das discussões daqueles que um dia pretedem dirigir os rumos do estado.
Fica aí mais um ponto de reflexão para aqueles que de uma forma ou de outra podem contribuir para modificar este cenário seletivo e excludente, em que o Estado de Goiás, como outros se encontram mergulhados.

Disponível em: www.dm.com.br

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