quarta-feira, 17 de março de 2010

PIB: VÔO DE PATO

A ironia se prende ao fato de que muito embora a autoridade monetaria brasileira saiba dos reflexos nefastos de uma crise financeira internacional não se conteve ao longo do ano passado em manter uma política monetária restritiva estimulando tão somente a especulação financeira na economia.
A justivicativa sempre era a mesma ou seja a preocupação com a inflação, esquecendo que com a crise a princípio haveria a retração dos níveis de consumo, situação que só seria revertida caso algum tipo de subsídio viesse a ser concedido.
O que de fato ocorreu com a isenção do IPI, para setores estratégicos como veículos, eletrodomésticos e a construção civil, no entanto cometeu um erro crasso, estimulou o consumo, sem criar as condições para a reposição dos estoques, tendo em vista que as taxas de juros para investimentos nos primeiros seis meses do ano se manteram em 10,5% ao ano, isto considerando os recursos a serem alocados junto ao BNDES.
No mercado de crédito doméstico os juros para produção no ano que se passou em nenhum momento foram inferiores a 20,0% ao ano, isto dentro de uma visão otimista. Portanto meus amigos o resultado do PIB brasileiro, não poderia ser outro senão o de queda de 0,1%. Não pasmem se as autoridades comemorarem o feito principalmente em véspera de eleição tendo como parâmetro outras economias que o produto agregado caiu em média 4,0%, no mesmo período, exceto a China que cresceu 8,5% e a Índia que cresceu 6,5%. Ao se comportarem desta forma é no mínimo tentar ludibriar a população principalmente a mais desinformada, que se endividou sustentada pelo discurso chapa branca de que a crise no país não passou de uma marola.
Na verdade oscilou nos quatro trimestres do ano, iniciando com queda, apresentando uma recuperação a partir do terceiro trimestre e voltando a cair no último trimestre, sua performace pode ser caracterizada como um vôo de pato. Não se sustentou em que pese a propaganda oficial sempre afirmando o contrário.
Por que isto ocorreu? Devido a um erro estratégico. Qual? Desconsiderar que os juros para investimentos estavam excessivamente altos e que naquele cenário as empresas não se motivariam a contrair recursos pagando 10,5% ano. Só acordaram quando a taxa de investimentos em bens de capital apresentou queda em abri de 32,4%. Bens de capital ou máquinas e equipamentos se constituem em peça fundamental para manter os níveis de crescimento na economia. Será que os executivos do BACEM, não previram que os juros no patamar que estavam ponderiam incorrer em queda dos investimentos, ou imaginaram que a entrrada de capitais estrangeiros com fins especulativos poderia contrabalançar a queda no setor de transformação por um desempenho melhor no setor de intermediação financeira que integra o segmento de serviços, contribuindo de outro para a formação do produto agregado do país.
Para além das questão dos juros direcionados aos investimentos, naquele período mantemos a taxa de juro selic, no patamar de 8,75% ao ano, no mínimo oito vezes superior ao cobrado nas economias desenvolvidas. Taxa só considerada baixa quando comparada as taxas de juros praticadas no mercado doméstico, tais como: 142,0% para cheque especial, 200% para cartão de crédito, 30% na aquisição de veículos, 24% para o setor produtivo.
Na verdade quando comparada com as taxas praticadas no mercado global, não se poderia esperar outro resultado senão o de queda de 0,1% do produto agregado. A defesa da política de juros assentava no fato de que em 2008, a economia crescera 5,1%. A diferença é que naquela oportunidade a crise não tinha sido eclodida, e a queda da renda interna favorecia as exportações, que por sua vez puxava para cima o PIB, o cenário mudou e eles continuaram praticando o mesmo tipo de política, resultado queda brusca da atividade econômica.
Será que para 2010, os erros irão se repetir?


Disponível em: www.dm.com.br

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