quinta-feira, 25 de março de 2010

A INDÚSTRIA DO CONHECIMENTO

No âmbito do desenvolvimento econômico mundial destaca-se o desenvolvimento industrial e a economia do conhecimento, também denominada do indústria do conhecimento.
Uma se confunde com a outra tendo em vista que a indústria do conhecimento se fixa nas bases consolidadas pela atividade industrial, seja no que tange a base produtiva ou mesmo nas economias de aglomeração por ela estruturada.
No Brasil especificamente o processo de desenvolvimento econômico se confunde com a transição do modelo agrário exportador para o urbano industrial iniciado nos primeiros trinta anos do século XX.
Naquela oportunidade os recursos remanescentes do café, deram origem a primeira fase do processo de industrialização, em 50, veio a consolidação da indústria de bens de consumo leves. Com isso novos horizontes se abriram para o início da segunda fase deste processo, que foi a indústria de bens e serviços intermediários. Mais tarde já na entrada da década de 80, consolida-se a terceira e última fase do processo de industrialização, com a produção de bens de capital.
O processo de desenvolvimento comentado teve como beneficiários diretos os estados das regiões sudeste e sul, pois segundo Clélio Campolina, ambas pertencem à região mais dinâmica do país.
A concentração da riqueza gerada no corte geográfico citado se por um lado criou também as bases para a formação da indústria do conhecimento por outro aprofundou ainda mais desigualdades sociais e regionais na economia brasileira.
No espaço em tela fixaram as maiores e melhores instituições de ensino e pesquisa, concentra a produção industrial de maior valor agregado, além do fato de que a rede urbana nestas localidades são mais integradas e os centros industrias se apresentam como os mais dinâmicos.
Para além da região dinâmica outras duas foram destacadas no estudo feito pelo regionalista, a saber: região atrasada e a vazia. Na considerada atrasada está o nordeste brasileiro, que se carcteriza por conter: 1/3 da população brasileira, baixos níveis de desenvolvimento econômico, escolaridade e condições sociais, ilhas de produtividade e modernidade sem nenhuma indicação de reversão do quadro de atraso no curto e médio prazo.
A região considerada vazia têm como âncoras o Centro-Oeste e o Norte do país, espaços considerados de fronteira agrícola e mineral, que na concepção dos autores do estudo não detém potencial para o desenvolvimento de indústrias intensivas de conhecimento, afirmação que tem a minha discordância.
Na concepção dos regionalistas existem condições para que as indústrias do conhecimento se instalem em algum lugar, destaque: Tamanho de sua base produtiva, a presença no espaço de empreendimentos industriais e de serviços baseados em alta tecnologia, dimensão e avanço do sistema acadêmico universitário com foco em pesquisa, infraestrutura urbana e de serviços modernos, localização próxima as cidades consideradas médias e metrópoles das regiões sudeste e sul (São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte).
Em que pesem as exigências há formas de mudar o percurso para se alcançar as indústrias do conhecimento. Como? Modelando políticas públicas com foco neste tipo de investimento. Vamos aos fatos. A continuar com este diapasão o Centro-Oeste e o Norte, estão fadados a produção exclusiva de bens de consumo leves e/ou matérias-primas.
Em Goiás, dois programas de desenvolvimento regional continuam em operação o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás – Fomentar e o Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás – Produzir. O primeiro apresenta entre os tipos de incentivos a reformulação, para manter a competitividade entre empresas do mesmo setor, quando o benefício de uma extigue primeiro do que a outra. Atualmente a concessão não esta vinculada a nenhum tipo de investimento adicional, poderia aí dar início ao processo de busca pela indústria do conhecimento, vinculando a concessão da extensão dos benefícios à necessidade de investimento da empresa em pesquisa e desenvolvimento ou mesmo que esta venha a patrocinar estudos nos centros de pesquisas presentes no estado.
No Produzir há uma derivação para o Tecnoproduzir ainda limitada às empresas de telecomunicações que poderia se expandir para outras atividades também, principalmente para o campo de medicamentos, auxiliando o setor em um sistema de parcerias público privadas, a dar início ao desenvolvimento de princípios ativos, dando ao estado a conotação de pólo farmoquìmico e não de farmaceútico. O dedate acerca do alcance deste patamar de desenvolvimento deve ser colocado na ordem do dia dos programas de governo para os próximos quatro anos, sob pena de nos mantermos como meros produtores de matéria-prima e de produtos de baixo valor agregado, aceitando de cabeça baixa as afirmações dos que defendem investimentos como estes apenas nas regiões historicamente mais dinâmicas e que até o presente momento concentram todas as formas de riquezas geradas na economia brasileira.
Eis aí mais um ponto que merece reflexão por parte da sociedade goiana.

Disponível em: www.dm.com.br

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