quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Brasil: há luz no final do túnel

Em que pesem os equívocos cometidos pelo governo central na aplicação de políticas para reverter os efeitos da crise financeira internacional ao longo do ano em curso, alguns resultados podem ser comemorados. Ao compararmos os resultados do terceiro trimestre com o segundo trimestre deste ano, percebe-se o crescimento de todas as variáveis que contribuem para a formação da riqueza. No comparativo proposto, a formação bruta de capital fixo, que congrega especialmente máquinas e equipamentos, cresceu 6,5%, o consumo das famílias apresentou crescimento de 2,0%, o consumo do governo, 0,5%, as exportações, 0,5%, e as importações, 1,8%. O crescimento apresentado pelos bens de capital foi devido à redução das taxas de juros do BNDES, para aquisição de máquinas e equipamentos, verificada em abril do corrente ano, se tal iniciativa estivesse sido tomada quando do estímulo fiscal ao seguimento de veículos, linha branca e construção cívil, sem dúvida os resultados alcançados no período analisado teriam sido ainda mais satisfatórios.

Há que se comentar também o crescimento das importações em detrimento das exportações. Uma parte do problema se deve à queda da demanda externa, enquanto que a outra guarda relação direta com o crescimento da renda interna, mesmo em proporção menor do que a esperada, já que os juros de mercado não caíram no mesmo patamar que os verificados na taxa selic ou que remuneram os títulos públicos em poder dos investidores nacionais e/ou externos.

Se, por um lado, a taxa selic não estimula uma queda maior do juros no mercado interno, por outro, o seu percentual tem se colocado como um diferencial para a entrada de dólares no País, para fins de especulação, o que não deixa de trazer transtornos à economia, principalmente com relação ao problema inflacionário. Por que isso pode ocorrer? A moeda estrangeira, quando entra no País, é direcionada ao Banco Central, que faz sua conversão em moeda nacional. Ao proceder assim, amplia a circulação de moeda no mercado, o que tende a fortalecer os níveis de consumo. Para controlá-la, são emitidos títulos públicos a um custo efetivamente alto para os cofres públicos, pois, para torná-los atraentes, o Banco Central paga uma taxa de juros interna muito acima da praticada no mercado externo, resultado, mais especulação, maior: volatilidade, endividamento e menos recursos para investimentos em setores estratégicos, como infraestrutura.

Para que se mude o cenário, faz-se necessária a mudança de percurso, taxar a entrada de capital externo e manter as taxas de juros internas elevadas não irá conter a avalanche de moeda estrangeira na economia brasileira, a saída passa necessariamente pelo nivelamento ou uma maior proximidade às taxas de juros, praticadas no mercado externo, caso contrário, os problemas decorrentes deste tipo de política tendem-se a agravar. Há luz no final do túnel, para tanto a economia deve se voltar para a produção e não para a especulação. Fica aí mais um ponto para reflexão.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/brasil_ha_luz__no_final_do_tunel

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