quinta-feira, 23 de julho de 2009

Crise e a atividade industrial no Brasil

Os reflexos da crise financeira mundial sobre a economia brasileira ainda são grandes. A atividade industrial, carro-chefe, desde a transição do modelo agrário exportador para o urbano industrial, passa por forte queda no comparativo com o mesmo período do ano anterior. Como diria Delfim, o governo age certo, mas com certo atraso, sempre penalizando a produção, foi assim com a taxa de juros e tem sido assim com o segmento de bens de capital. Máquinas e equipamentos fazem a diferença nas decisões de investimentos, no entanto o governo preferiu isentar veículos, eletrodomésticos e materiais de construção do IPI e não o fazê-lo para bens de capital.

O resultado foi a retração de investimentos e queda na atividade econômica. Após nove meses de crise só agora o governo acordou para a importância de incentivar o setor de máquinas e equipamentos. O BNDES reduziu as taxas de juros para sua aquisição, passou de 10,25% para 4,25%, o problema é que as decisões de investimentos são tomadas no início do ano e não no meio do ano.

Os reflexos positivos desta medida só serão expressivos em 2010, até lá teremos que conviver com resultados ruins no setor industrial. Em recente pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – ficou evidenciado que os resultados positivos no setor industrial brasileiro só têm ocorrido no comparativo em relação ao mês imediatamente anterior ou no acumulado do ano. Quando se compara com o mesmo período do ano passado a queda é grande.

Passemos aos números: em média, a produção industrial cresceu em maio no Brasil 1,27% no comparativo com o mês de abril, sendo esta a quinta taxa positiva do ano. Quando se compara maio de 2009, com o mesmo período do ano anterior depara-se com uma queda de 11,30%. Isto porque dos 76 subsetores pesquisados, a produção caiu em 63 ou em 83% dos segmentos pesquisados.

As maiores quedas aparecem nos segmentos voltados à demanda externa dentre eles: Extração de minerais ferrosos, ferrogusa, ferroligas, semiacabados de aço e também nos setores de abates (bovinos, suínos e aves) preparação de carnes e o de máquinas e equipamentos.

Os índices regionais apresentaram desempenho melhor, pois em oito dos 14 pesquisados houve crescimento. Quatro Estados apresentaram crescimento acima da média nacional; são eles, pela ordem: AM (11,75%); BA (7,52%); SP (2,43%) e MG (1,40%); abaixo da média, e com resultados bastante tímidos, ficaram os seguintes Estados: SC (0,62%); RS (0,56%) e RJ (0,55%). Já em cinco Estados houve recuo, a saber: PA (-5,64%); CE (-4,27%); PR (-4,10%); GO (-1,21%) e ES (-0,59%). O fato de São Paulo apresentar um crescimento de (2,43%), pode se considerar indicativo de recuperação, pois sua economia é bastante dinâmica e centra-se basicamente em bens considerados duráveis cuja queda em função da crise foi acentuada. A melhora tem a ver com o crescimento do mercado interno.

Quando se compara com o mesmo período do ano anterior os 14 segmentos pesquisados apresentam recuo. Isto demonstra o estrago causado pela crise, sobretudo em razão da contração do crédito que acabou se acentuando nos mercados inclusive no Brasil.

A economia goiana em que pese o seu perfil e os incentivos e ou benefícios fiscais nela concedidas não escapou dos maus resultados apresentados no mês de maio, a queda foi de 4,84% no mês e no acumulado do ano já supera a casa de 5,94%.

Como esta economia assenta na produção de bens de consumo leves (alimentos, bebidas, calçados, produtos de origem têxtil) e também na extração de minérios e como houve recuo do mercado externo o resultado não poderia ser outro senão o queda. Como o agronegócio responde por mais de 70% de sua economia uma queda no abate de aves, bovinos e suínos e ainda na preparação de carnes acabaria prejudicando o seu desempenho no setor como de fato acabou ocorrendo.

Em Goiás, o quadro da produção industrial no acumulado de janeiro a abril do corrente ano foi o seguinte: Indústria Geral (-5,94%); Transformação (-6,54%); Alimentos e Bebidas (-3,18%); Produtos Químicos (-24,72%) e Metalurgia Básica com (-9,48%). Os resultados acima terão influência na formação da riqueza com consequência na arrecadação de ICMS. A saída para o problema está na recuperação da atividade econômica, para tanto o governo federal em que pese o atraso tomou a medida certa, pois reduziu as taxas de juros para aquisição de bens de capital e também estendeu a isenção do IPI, nos segmentos já beneficiados.

No que tange às ações do governo estadual, foram ampliados os incentivos fiscais para o setor automotivo beneficiando as montadoras existentes no Estado e criando as bases para a vinda de outra do mesmo porte para esta região; com isso, os veículos aqui produzidos poderão ganhar maior participação no mercado local, interestadual e externo.

O interessante desse tipo de incentivo é que as montadoras trazem consigo outras empresas, tais como: peças plásticas, autopeças, tintas, pneus, rodas, estofamentos, enfim, provocam um efeito multiplicador na economia, assegurando assim a abertura ou mesmo a manutenção de postos de trabalho e ainda contribuem para o crescimento da renda.

Mais uma vez é importante dizer que uma economia só alavanca se houver incentivos fiscais e financeiros, sejam eles de origem municipal, estadual ou federal, razão pela qual se deve se buscar um tipo de “Reforma Tributária”, que desonere a produção sem, no entanto extingui-los, pois assim ocorrendo dificilmente asseguraríamos o crescimento de nossa economia.

É importante que os parlamentares tenham isto em mente para que não aprovem o substitutivo de reforma tributária que se encontra no Congresso Nacional, pois se por um lado ele inova em alguns aspectos, por outro restringe a utilização dos incentivos e benefícios fiscais a um período determinado. Isto tende a retirar dos municípios ainda não industrializados a possibilidade de se industrializarem e melhorarem sua movimentação econômica e também seus Índices de Participação no ICMS, enquanto que os industrializados incorrerão em grandes perdas já que as unidades industriais ali presentes buscarão os mercados consumidores em potencial reconcentrando a riqueza nas regiões Sul e Sudeste do País.

Fica aqui mais este alerta.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/crise_e_a_atividade_industrial_no_brasil

Um comentário:

  1. o Brasil ta indo mas ainda se queser crecer vai terque da o melhor que tem e usa todas as armas que tem

    Felipe Menezes

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