quarta-feira, 20 de maio de 2009

Crise global e perspectivas para a economia mundial

O assunto acerca da crise global tem sido recorrente nos últimos oito meses, isto em que pesem ações acertadas ou não, das autoridades monetárias, das várias economias para tentar diminuir os seus impactos sobre os mercados de câmbio, financeiro e de bens e ou serviços.Em recente Fórum, realizado na cidade de São Paulo, ícones da economia mundial e brasileira estiveram presentes debatendo sobre o tema e buscando identificar a origem do problema e as ações que poderiam no curto, médio e longo prazo estancar a crise e minimizar seus efeitos em escala global. Para Joseph Stiglitz, a desregulamentação dos mercados financeiros e o fato de que o Estado e setor privado não cumpriram a tempo e hora o seu papel acabaram dando margem ao aumento da insegurança nos mercados favorecendo o estado de crise.

Já Robert Mundell credencia a crise ao excesso de carga tributária, cobrada nos últimos governos americanos e europeus, e o fato de o sistema financeiro não ter nenhum tipo de regulamentação no que tange principalmente à securitização, cuja lógica se assenta no processo de especulação com a troca de posição das dívidas neste mercado. Para Edward Prescott, também as regras do sistema financeiro devem ser revistas para evitar o processo de especulação. Para ele, uma das saídas é reduzir a carga tributária e ampliar a concorrência entre os estados.

Já Delfim Netto entende que a economia começou a se corromper quando deixou de ser política e virou ciência. O afastamento do Estado do mercado se coloca como um multiplicador desta crise. Tal como Prescott, acredita que o excesso de carga tributária tem retirado a capacidade de produção das empresas. Abordando sobre os efeitos da crise no Brasil, deixou claro, que a crise para o País foi importada pelos banqueiros que se viram na obrigação de se alinharem com os seus parceiros internacionais, quando da redução dos níveis de crédito. Entende que as ações tomadas pelo Banco Central no País foram certas mas vieram com sete meses de atraso, comprometendo sua economia. Tem o mesmo pensamento de Presscott, vê a saída para crise, com o aumento da concorrência entre os Estados no sentido não só de alocação dos investimentos, mas principalmente pela sua manutenção.

Todos concordam que as hipotecas securitizadas e quebra do Leman Brothers, somadas à ineficiência do Federal Reserve, no que tange principalmente à resolução da falta de liquidez dos grandes bancos, contribuíram de forma decisiva para a quebra de confiança no sistema financeiro.

Os resultados, todos já conheceram, ou seja: aumento dos estoques de imóveis e veículos na economia americana, contração dos créditos no mercado internacional, com reflexos negativos para economias emergentes e dependentes dos mercados americanos e europeus, queda da atividade econômica e, por conseguinte, dos lucros sobre o capital investido, especulação e quebra de confiança nos mercados financeiros, sendo esta um dos principais pontos de retardamento para que os investimentos voltem ao patamar anterior à crise.

Segundo os economistas acima, a saída virá com o retorno da confiança no sistema financeiro, com a redução da carga tributária nos Estados Unidos e na Europa tendo a Alemanha como ponto de partida , já que este país vem reduzindo drasticamente sua carga tributária.

Não estava lá, mas também tem um conhecimento sobre o estado de crise por que passa economia mundial, trata-se de Luis Antônio Estevam, que, em palestra sobre o tema nas Faculdades Alfa, dentro da Segunda Jornada de Negócios e Turismo, disse aos alunos de Ciências Contábeis, Econômicas e Jurídicas que a crise nada mais é do que um descompasso entre oferta e demanda. No caso específico, existe um descompasso entre a oferta e demanda por moeda própria de ciclos presentes em economias capitalistas. Na verdade, trata-se de uma gripe do sistema capitalista, já que não existe capitalismo sem crise, ou seja, a crise, seja americana, europeia ou mundial, está na essência do capitalismo.

Outro dado interessante colocado por ele é que todas as crises ocorridas aconteceram entre os meses de setembro e outubro, período em que os aposentados americanos e outros aplicadores vendem suas ações em bolsa, para melhor aproveitar as festas de fim de ano, só retornando ao mercado no início dos outros anos. O Federal Reserve ao longo dos anos está acostumado a comprar estes papéis nos finais de cada ano e os venderem para os mesmos aplicadores no início de cada ano. A questão é que a falta de confiança que paira nos mercados pelos problemas já citados fez com que os aplicadores não voltassem a comprar estas ações, criando assim o descompasso entre demanda e oferta de moeda; resultado, as ações caíram, as empresas passaram a captar dólares no mercado americano e passaram a aplicar em moeda estrangeira em países como Brasil, cujas taxas de juros reais estão entre os maiores do mundo, mantendo assim os recursos mais na esfera financeira do que produtiva.

Portanto, meus caros leitores, as perspectivas são diferentes para cada país; ao Brasil, que não está no centro da crise como os americanos, abre-se uma grande possibilidade, a de passar a valorizar o mercado interno pouco utilizado ao longo da história. Não obstante a isto, se deve torcer para que a economia americana e europeia se equilibrem e para que a demanda global volte a crescer, melhorando com isso também nossas exportações e abrindo espaço para a retomada do nosso crescimento econômico em um tempo mais curto.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/crise_global_e_perspectivas_para_a_economia_mundial

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