quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A RELAÇÃO ENTRE O MERCADO MONETÁRIO E O DE CÂMBIO

A matemática do câmbio guarda relação direta com o mercado monetário, portanto os desequilíbrios verificados neste mercado, na economia brasileira, não têm outro vilão senão as taxas de juros elevadas.
A opção pela política monetária ortodoxa, seguindo as orientações do “Consenso de Washington”, favorece por um lado o controle das taxas de inflação e também mantém alto para as economias que se utilizam deste tipo de política, o fluxo de capitais externos, em direção a seus mercados, mas por outro implica em valorização excessiva da moeda nacional frente a estrangeira, de modo especial ao dólar.
No Brasil os governos pós “Plano Real”, seguiram e ainda seguem este receituário na íntegra. A princípio as taxas de juros que remuneram os títulos públicos, bateram a casa de 40% ao ano, nos anos subsequentes, experimentaram importante queda chegando aos atuais 10,75%.
Ao comparar as duas linhas de governo percebe-se que apesar de tudo nos últimos oito anos o peso dos juros no processo de realimentação da dívida interna pública, foi menor, no entanto quando se compara ao “Resto do Mundo”, fica ainda claro, que as taxas aqui praticadas estão na contramão das economias, que têm como norte melhorar os indicadores socioeconômicos pelo viés da produção.
Para além das políticas domésticas outras variáveis vêm contribuindo para o desequilíbrio nas taxas de câmbio, a queda das taxas de juros no mercado americano para estimular a economia e a política chinesa de valorização do “Yen”, frente ao dólar. Por estas razões rodadas de negociações das economias afetadas com as práticas chinesas acontecerão nos próximos dias, para evitar descontroles ainda maiores que possam afetar principalmente os investimentos nestes mercados.
As reservas internacionais chinesas, aliada ao volume de suas exportações, em que pesem a valorização de sua moeda vêm colocando em cheque as boas práticas comerciais. A compensação do câmbio é feita pelos subsídios incorporados aos seus processos de produção colocando seus produtos com preços bem menores nos mercados concorrenciais.
Na economia brasileira o tiro no pé fica por conta do patamar dos juros praticados no mercado interno. Se por um lado as taxas são menores do que as praticados nos governos de FHC, por outro estão muito acima das taxas estabelecidas pelas economias desenvolvidas, principalmente a americana, que tenta alcançar o pleno emprego, para vencer os pilares de sustentação da crise financeira internacional que em 2008, vitimou aquela economia.
Na economia globalizada os investidores se encontram em todos os espaços, portanto a capitação de recursos é feita em mercados cujas taxas de juros são baixas ou praticamente inexistentes e a aplicação destes recursos se dão em mercados cujas taxas se mostram mais elevadas, caso específico do Brasil. Quando isto ocorre à entrada de dólares aumenta no mercado interno, reforçando as reservas internacionais do país, levando o Banco Central a aumentar a base monetária interna. Para conter a inflação pelo aumento do fluxo de recursos disponibiliza mais títulos públicos no mercado o que acaba por elevar sua dívida pública interna.
No afã de neutralizar os efeitos da entrada de recursos externos para o mercado financeiro em busca de novos ativos, o governo federal aumentou o IOF, de 2% para 6% combatendo os efeitos e não a causa. Como se isto não bastasse o Banco Central constantemente têm intervindo no mercado de câmbio, quebrando a lógica do câmbio flutuante, compra moeda estrangeira no mercado, para conter o desequilíbrio, com isso aumenta a base monetária.
Para que o aumento da base monetária não provoque inflação, coloca novos títulos públicos no mercado, esta ação reduz a circulação de moeda nacional no mercado, mantém as taxas de inflação baixas e aumenta sua dívida interna. O aumento da dívida pública diminui a capacidade de investimentos do governo em infra-estrutura, dificultando também as exportações, uma vez que os produtos brasileiros perdem competitividade no mercado externo.
Na verdade movimentos no mercado monetário provocam reflexos imediatos no mercado de câmbio, afetando a qualidade dos investimentos e o perfil do Balanço de Pagamentos, o tornando deficitário ou superavitário.
A apreciação do câmbio vem aumentando as importações brasileiras e reduzindo as exportações, empregos deixaram de ser criados no país, para serem criados no exterior, razão pela qual a taxa de desemprego, embora esteja em queda, ainda se situa na casa de 6,5% segundo o IBGE.
Eis aí um dos maiores desafios do próximo governo, combinar as taxas de inflação baixas e, o crescimento econômico, com a necessidade de manter fluxos positivos de capital externo para o país, gerando poupança externa sem comprometer o desenvolvimento do mercado interno e a necessidade de investimentos em infra-estrutura.
Não é tarefa fácil, no entanto um governo que obteve 55% dos votos dos brasileiros têm legitimidade e o dever de enfrentar o problema de frente. A começar pela redução do gasto público, em custeio, fato este que abriria espaço para o aumento do superávit primário em relação ao PIB e para investimentos nos modais de transporte, para reduzir o custo Brasil que atualmente está na casa de US$ 75,00 contra US$ 15,00 dos países desenvolvidos.

Disponível em: www.dm.com.br

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