terça-feira, 27 de janeiro de 2009

A força do agronegócio para a economia brasileira

A tentativa de diagnosticar os problemas que a agricultura passava na entrada da década de 1960 colocava de um lado Celso Furtado e de outro Roberto Campos. Ambos considerados ícones do pensamento econômico no Brasil. O primeiro apontava a falta de uma reforma agrária como fator inibidor da produção no campo, enquanto o segundo entendia que a agricultura brasileira só seria forte a partir de um processo contínuo de modernização.
A ascensão dos militares ao poder, com o golpe de 1964, fez com que a escolha recaísse sobre o processo de modernização agropecuária. Os primeiros recursos foram seletivos e excludentes beneficiando tão-somente aqueles produtores que detinham grandes extensões de terras.
Na entrada da década de 1970, o financiamento para o atendimento de tal fim recebeu o nome de crédito rural. Entre as várias exigências estava a necessidade de se produzir para o atendimento da demanda externa; como resultado desta política, culturas de subsistência ficaram subordinadas em termos de liberação de recursos a culturas como soja, milho e cana-de-açúcar.
A princípio, estas mudanças chegaram nos Estados mais dinâmicos e detentores das maiores riquezas; na década seguinte, começaram a chegar nos Estados considerados periféricos localizados nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Considerações históricas à parte, mais de fundamental importância para entender o porquê das mudanças e resultados alcançados nos últimos 38 anos, tem este o intuito de mostrar a matemática do agronegócio no Brasil e o papel reservado ao setor no processo de desenvolvimento da economia brasileira.
A inserção de novas técnicas de produção vem permitindo o alcance de resultados bastante significativos em termos de balança comercial, principalmente pelo fato de que novos mercados vêm sendo constantemente abertos.
A balança comercial do agronegócio em 2008 apresentou um crescimento, em relação a 2007, de 23%. O superávit foi de US$ 60 bilhões, tendo as exportações alcançado o valor de US$ 71,9 bilhões; o acréscimo foi de US$ 13,4 bilhões. Com isso, a participação do setor nas exportações totais foi de 36,3%.
Segundo o Ministério da Agricultura e Abastecimento, o desempenho alcançado se deve basicamente a dois fatores: o aumento da receita de vendas dos produtos advindos do agronegócio e pelo aumento do preço e dos volumes embarcados no mercado internacional.
O complexo soja (óleo, farelo e grão) cresceu 58%; em valores, o montante comercializado chegou a US$ 18 bilhões. O setor de carne cresceu 29%, chegando a US$ 14,5 bilhões. O café, o fumo e seus derivados obtiveram crescimento de 22%, enquanto o segmento sucroalcooleiro cresceu 18%, e produtos florestais cresceram 6%. Os melhores resultados ainda pertencem ao tripé soja, carne e café. No entanto, nos últimos anos, outras culturas vêm sendo trabalhadas no sentido de diversificar a pauta de exportações; os primeiros resultados já começaram a aparecer. A ideia é de que a economia não fique na dependência de uma cultura apenas.
Os maiores destaques ficaram, pela ordem, por conta dos produtos lácteos cujo crescimento foi de 80%, tendo este passado de US$ 299 milhões no ano de 2007 para US$ 541 milhões em 2008. O álcool obteve um crescimento no período de 45%. Na verdade, os produtos de origem vegetal foram responsáveis por 72,8% da pauta exportadora no ano que se encerrou.
Não basta ampliar a produção; é necessário estar continuamente abrindo novos mercados; nesse ponto em especial, o governo atual tem adotado uma política acertada; ano após ano tem aberto novas oportunidades para os produtos brasileiros. Para se ter uma ideia, o mercado com a União Europeia cresceu 13,8%; no conjunto, os países que a integram importaram 33% dos produtos brasileiros.
A comercialização com os países que integram o Mercado do Cone Sul ampliaram em 21%; com a Europa Oriental, cresceram 28%; com as economias africanas, o crescimento foi de 27%; com o Oriente Médio, o crescimento foi de 8,5%.
Os porcentuais mais significativos foram verificados com as economias que integram a Associação Latino-Americana de Desenvolvimento e Integração, cuja comercialização de produtos brasileiros advindos do agronegócio cresceu 63%. Seguida da Ásia, com crescimento de 49%, estando aí inserida a China, cujo comércio com o Brasil cresceu 70%, tendo o país isoladamente adquirido 11% da soja exportada.
Os Países Baixos adquiriram 9% da soja brasileira, enquanto que os Estados Unidos ficaram com 8,7%.
As importações no setor pela primeira vez superaram a casa de US$ 10 bilhões, e os produtos mais procurados foram, pela ordem, o trigo com US$ 1,9 bilhão ou 34,7% a mais do que em 2007. O arroz veio em seguida, muito embora tenha tido uma redução no volume importado em 38%, e depois o milho, com 30%.
Seguindo a mesma trajetória dos Estados que integram a Federação Brasileira, Goiás também apresentou crescimento do agronegócio. Pesquisa da LSPA/IBGE aponta para um crescimento de 76% na produção de trigo, tendo este alcançado 84,3 mil toneladas. O sorgo veio em seguida, com crescimento de 64%; o tomate, 55%; a cana-de-açúcar cresceu 46%, e a soja, nosso segundo principal produto de exportação, apresentou um crescimento de 10%.
O recuo ficou por conta de apenas três produtos: o feijão, com queda de 13%; o arroz, 4%; e o algodão, com redução de 3%.
A inserção de novas tecnologias e o plantio de novas variedades fizeram com que a área plantada de cana-de-açúcar aumentasse em 44% e que o rendimento médio por hectare atingisse 1,38%.
A soja obteve um ganho de 9,64% em seu rendimento médio, pelo fato de os preços terem se elevado no mercado internacional; já a expansão da área colhida foi mínima, ou seja, 0,53%.
A balança comercial goiana não teve um bom desempenho como apresentado em anos anteriores, em que pesem os avanços no plantio de nossas principais culturas. O déficit ficou em US$ 21,593 milhões. As exportações caíram 19,47% contra um aumento de 9,42% nas importações.
Os maiores vilões foram, pela ordem: a crise financeira mundial e a tragédia vivida pelo Estado de Santa Catarina, em face do aumento no volume de chuvas, que acabaram prejudicando os embarques de soja do Porto de Itajaí.
O lado positivo ficou por conta da participação dos produtos do setor no total das exportações. A carne teve participação de 28,5%, seguida pela soja, com 24%; o milho, 8,2%; o ouro, 5,77%; ferro ligas, com 5,35%; ficando os demais com o restante.
As empresas que trabalham com os principais produtos de exportação do agronegócio detêm, como estímulo, incentivos e benefícios fiscais, o que tem feito com que estas enfrentem os desafios colocados principalmente no mercado internacional, principalmente os decorrentes da crise financeira mundial que provocaram uma valorização do dólar constante.
Se, por um lado, a desvalorização da moeda nacional frente à estrangeira abre uma janela para as exportações, o encarecimento do crédito e o aumento de preços dos insumos tendem a ampliar os custos de produção, tornando nossos produtos menos competitivos. É nesta hora que os subsídios fiscais aqui concedidos ganham peso, pois funcionam como um diferencial de frete, garantindo, por um lado, produtos competitivos nos vários mercados, melhores receitas para o Estado e emprego ao trabalhador.
Concluindo: para que o agronegócio continue exercendo um papel preponderante no processo de desenvolvimento da economia brasileira, é preciso que os meios que garantam os investimentos necessários ao setor sejam mantidos, razão pela qual defendo, entre outras políticas, as que mantêm os incentivos e benefícios fiscais.

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