quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Efeitos da política monetária nas contas públicas brasileiras

A opção por uma política monetária ortodoxa pelos governos brasileiros ao longo dos últimos dezesseis anos, por um lado contribuiu para derrubar as taxas de inflação e, por outro, acelerou o processo de endividamento público lastreado pela taxa selic. A taxa selic remunera os títulos públicos colocados no mercado interno para neutralizar os efeitos da entrada de recursos provenientes das exportações e das intervenções da autoridade monetária no mercado monetário doméstico.

No início do ano, a relação dívida PIB, ancorada na taxa selic, ficava em (42%). Atualmente, esta relação alcança (62%) do produto agregado da economia brasileira. Por que isto se verificou? Porque o Banco Central lança ao invés de controlar os níveis de inflação com políticas voltadas à produção de bens e/ou serviços, o faz através das taxas de juros.

Para se ter ideia, nas economias desenvolvidas, esta mesma taxa não supera a casa de (1,5%) ao ano, enquanto no Brasil esta é de (8,75%). A diferença entre as taxas praticadas na economia brasileira com a americana tem levado investidores a contraírem empréstimos em dólar e aplicar no mercado financeiro brasileiro. O resultado deste tipo de transação financeira leva à desvalorização do dólar em relação ao real.

Quem mais sofre com esta situação? Por um lado, os exportadores que veem sua competitividade reduzir no mercado externo, por outro o estado, pois vê sua dívida mobiliária se elevar como mostrado acima.

O aumento da dívida mobiliária leva o governo a gastar mais com o pagamento de juros, isto retira recursos de áreas estratégicas como: infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.

É fácil de notar os efeitos maléficos desta opção de política fiscal, o programa de aceleração do crescimento padece por falta de recursos, existe grande diferença entre o que foi empenhado com os recursos de fato alocados, razão pela qual obras importantes, se não estão paradas, estão caminhando a passos de tartaruga. No que tange a saúde, o País convive com duas endemias graves a saber: a gripe suína que já vitimou muitos brasileiros e a proveniente do mosquito Aedes egypti, mais popularmente conhecida como dengue.

A segurança pública também apresenta problemas crônicos em todo o País, destaque para os baixos salários dos policiais, em que pesem os constantes aumentos concedidos nos últimos anos. Agrava ainda mais este fato, a diferença entre o armamento disponível para os marginais e os colocados nas mãos das polícias. A população atônita assiste inerte ao desenrolar desta situação.

Não obstante aos problemas aqui levantados, outros ainda deixam muito a desejar, como a educação. Muito embora os investimentos tenham melhorado nos últimos tempos, há muito ainda para se fazer, no sentido de colocar a educação brasileira no mesmo nível das economias desenvolvidas.

Os professores embora responsáveis pela formação intelectual dos cidadãos ainda ganham muito mal, retirando os da condição de dedicação exclusiva. O resultado é que a cada dia os concluintes do ensino fundamental e médio apresentam baixo rendimento e dificuldades de permanecer nas instituições de ensino superior, daí a razão da evasão superar a casa de (20%), tanto nos seguimentos públicos como privados.

Como mudar este quadro? Mudando a orientação da política fiscal. Para ser mais claro, é preciso que o Banco Central trabalhe com taxas de juros menores, para evitar a especulação nos mercados financeiros. A lógica deve assentar no controle da inflação pela produção e não através do endividamento e do comprometimento dos investimentos.

Fica aí mais um ponto de reflexão para o governo e para a sociedade.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/efeitos_da_poltica_monetaria__nas_contas_publicas_brasileiras

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