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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

BALANÇO DA ECONOMIA BRASILEIRA

O ano de 2010, está sendo atípico pois a economia brasileira poderá crescer a uma taxa entre 7% e 7,5%. Uma combinação de fatores vem contribuindo para que resultados como estes venha a se materializar, dentre eles destacam: base fraca de comparação uma vez que o ano anterior foi muito afetado pela crise financeira internacional; investimentos realizados no segundo semestre de 2009, pelo setor privado, a partir de redução por parte do BNDES, das taxas de juros de 10,5% para 4%, ao ano, para a compra de bens de capital (máquinas e equipamentos); aumento dos gastos do governo; aumento do consumo das famílias e redução da taxa selic, mesmo que em percentuais muito acima dos praticados no mercado internacional.
A princípio pode-se entender as razões que contribuíram para que o resultado esperado possa vir ser alcançado.
Porquê base fraca? Por quê a insegurança no mercado financeiro proveniente da crise levou a uma retração dos níveis de crédito em escala global, prejudicando o setor produtivo em todas as economias, com reflexos negativos em seus produtos internos brutos.
Porquê a redução nas taxas de juros para a compra de bens de capital contribuíram para a retomada dos investimentos no país? Por quê as medias e grandes empresas só investem nos mercados, se houver recursos subsidiados, uma vez que buscam otimizar seus lucros.
Porquê o aumento dos gastos do governo favoreceu o aquecimento da economia? Por quê este agente ao despender recursos na economia provoca efeitos multiplicadores de emprego e renda, capazes de modificar o perfil produtivo em qualquer economia e de modo especial na brasileira.
Porquê o aumento do consumo das famílias também funciona como vetor de estímulo para a economia? Por quê aquece a demanda levando as empresas a utilizar percentuais maiores de capacidade instalada, isso as leva a mobilizar um maior número de fatores de produção na atividade produtiva, leia-se: capital, trabalho, tecnologia, mão-de-obra e unidades de produção na atividade produtiva, o que por um lado faculta o crescimento da produção e dos níveis de renda no pais.
Porquê a redução da taxa selic, funcionou em alguns momentos como estímulo para o aquecimento da economia? Por quê favoreceu investimentos internos e externos diretos, estes na forma de fusões e incorporações de empresas as colocando com maiores chances de competir no mercado globalizado.
A taxa selic em baixa significa “Real”, menos apreciado em relação ao dólar, este cenário favorece as exportações em detrimento das importações compensando em parte os problemas advindos do custo Brasil, devido a falta de investimentos por parte do governo brasileiro em infraestrutura.
Feito estas considerações pode-se entender o papel da combinação dos fatores citados no primeiro parágrafo, para o aquecimento da economia brasileira no ano em curso. Como resultado teve-se: maior arrecadação de impostos federais, estaduais e municipais; maior produção, maior número de empregos com carteira assinada; inclusão das classes “C e D”, na atividade produtiva e de consumo; enfim os indicadores socioecnômicos se apresentaram de maneira positiva.
Concluindo, pode-se dizer que o balanço foi positivo em que pese a perda de reservas internacionais pelo déficit apresentado na Balança Comercial, uma vez que nos últimos meses as importações vem superando as exportações.
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quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A CONVERGÊNCIA ECONÔMICA COMO INSTRUMENTO DE ALCANÇE DO EQUILÍBRIO SOCIAL EM GOIÁS


O modelo de desenvolvimento econômico que vem sendo implantado no Estado, nos últimos 40 anos, pode ser dividido em duas partes: O primeiro patrocinado pelo Governo Federal, no âmbito do primeiro e segundo PND, com fortes investimentos em infra-estrutura. O segundo tendo como âncora os programas de subsídios fiscais estando aí incluídos Incentivos e Benefícios Fiscais.
Muito embora o processo de crescimento e desenvolvimento socioeconômico na contemporaneidade do Estado, tenha sido feito a partir de um processo macro de desconcentração da riqueza, as políticas públicas emanadas pelo mesmo, acabaram favorecendo a concentração da riqueza em apenas dez municípios, sendo estes responsáveis por mais de 70% da riqueza aqui processada.
O Produto Interno Bruto de 2008, divulgado recentemente mostra que os dez municípios mais ricos se revezam entre si no processo de acumulação de capital, proveniente das atividades ligadas aos setores: primário, secundário e terciário, que compõem sua atividade econômica.
Os duzentos e trinta e seis, municípios restantes apresentam na sua maioria produtos de baixo valor agregado, o que pode ser visto tanto pelo resultado do PIB, quanto pelo Índice de Participação no ICMS. Do total mencionado, cento e quarenta e seis municípios não detém nenhuma atividade industrial, noventa, se não têm uma indústria forte, pelo menos conta com uma Cerealista, ou mesmo uma pequena cerâmica, o que de certa forma melhora sua movimentação econômica. O fato que é que ainda dependem demasiadamente do governo do Estado para atender suas demandas.
Os indicadores mencionados dão conta de mostrar as diferenças existentes entre os municípios considerado mais e menos dinâmicos. Os mais dinâmicos são considerados Pólos de desenvolvimento enquanto que os outros municípios vêm se caracterizando como cidades dormitórios.
O problema mora ao lado do Pólo, por quê? A baixa agregação de valor verificada nas cidades menores, faz com que as populações destes municípios, busquem a cidade Pólo, para a resolução de todos seus problemas, com destaque para o emprego. Ao assim proceder poderá retirar em determinados momentos o emprego, dos trabalhadores, que estão a espera de uma nova oportunidade de trabalho.
Há luz no final do túnel para vencer estas diferenças? Há, qual? Permitir via Políticas Públicas, oportunidades a estes municípios, de se industrializarem. Como isto de fato pode se materializar? Através de parcerias destas cidades com o Estado.
A princípio é preciso colocar os municípios parceiros em condições de conceder incentivos e benefícios fiscais. Para tanto projeto de lei deve ser encaminhado às câmaras municipais, autorizando os municípios a utilizarem parte dos 25% a eles destinados constitucionalmente, proveniente do ICMS, como subsídios à industrialização.
Feito isto deverão seus representantes buscar a implantação de distritos industriais, para abrigarem as empresas, principalmente as voltadas a agregar valor em seus potenciais econômicos. Não obstante a estes, os espaços nominados podem receber também empresas cuja matéria-prima, não seja local, mas que contribua de forma direta e /ou indireta para construção de sua riqueza.
Em assim procedendo dar se a, início a um processo de interiorização dos investimentos de forma a promover a convergência econômica para fins de alcance do equilíbrio social, permitindo com isso não só melhor a repartição do ICMS, como também elevar o produto interno bruto e per capita, destes espaços econômicos, reduzindo assim as dificuldades enfrentadas ano após ano, devido a perda de receita.
Eis aí mais um ponto para reflexão.

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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

MISTURA EXPLOSIVA: DÉFICIT PÚBLICO, TAXAS DE JUROS ELEVADAS E VALORIZAÇÃO DO REAL

O comportamento das contas públicas no Brasil, em que pese o processo de ajuste fiscal experimentado desde a implantação do “Real”, têm se colocado como vilão da valorização do real e por conseguinte da desvalorização do dólar.
Por quê isto ocorre? Porque o déficit público, vem sendo financiado pela poupança externa, alimentada por uma das maiores taxas de juros praticadas na economia globalizada.
Não entendi, como alimentada? O descontrole dos gastos públicos, faz com que o país necessite de recursos para cobrí-los. Neste sentido atendendo as orientações ainda do Consenso de Washington, os governos brasileiros já utilizaram deste receituário e ainda utilizam a manutenção de juros nominais e reais muito acima dos praticados em outras economias, para cobrí-los. O resultado deste processo está no aumento contínuo do fluxo de capital internacional para o mercado de ativos financeiros no país.
A busca por ativos financeiros nacionais valoriza a moeda nacional e desvaloriza a moeda estrangeira, uma vez que faltam reais e sobram dolares também no mercado nacional, uma vez que este movimento nos últimos mêses têm sido recorrentes em praticamente todos os mercados.
Países como a Índia e China, têm taxas de câmbio administradas pelo seus Bancos Centrais, podendo interferir a qualquer hora neste mercado sem gerar quebra de contrados, diferente de outras economias ocidentais como a do Brasil, que desde a crise asiática em 1999, adotou o regime de taxas de câmbio flutuantes. Pelas razões expostas a China, vem se colocando como entrave ao comércio internacional, uma vez que por manter sua moeda desvalorizada e ainda, contar com fortes subsídios governamentais, pratica preços dífíceis de serem superados por outras economias, por esta razão já acumula um grande superávit em suas transações correntes, fortalecendo a cada dia suas reservas internacionais.
No Brasil as reservas internacionais superam a casa de US$ 280 bilhões de dólares, permitindo ao Banco Central, fazer intervenções no mercado de câmbio, para conter o processo de desvalorização da moeda americana, frente a nacional. Desde a crise financeira mundial US$ 38 bilhões de dólares, já foram gastos no mercado a vista e futuro, com opção de recompra, para tentar diminuir as especulações neste mercado, no entanto ainda não conseguiu seu objetivo.
Por quê o Banco Central têm tido este comportamento? Para manter os níveis de exportações dos produtos brasileiros para os diversos mercados. No entanto ao comparar o saldo de nossas exportações em outubro deste ano, com o mesmo período de 2009, percebe-se uma queda de 38% . Portanto o déficit público brasileiro (Receitas – Despesas), vem forçando a manutenção das taxas de juros que remuneram os títulos públicos em 10,75% ao ano, enquanto no mercado americano a mesma é de 0,25%, colocando em cheque nossas exportações.
A diferença entre as taxas de juros praticadas no mercado brasileiro com as praticadas no mercado externo, têm pressionado as taxas de câmbio desvalorizando o dólar e valorizando o real.
Por incrível que pareça a ação do governo americano de inserir US$ 600 bilhões de dólares em seu mercado local, nos próximos oito meses, para alavancar sua economia interna, pode não surgir o efeito esperado pela atuação tanto no mercado cambial como monetário de dois países, que se colocam como emergentes no contexto do BRIC’S, ou seja China e Brasil.
O primeiro por manter o “YUAN”, desvalorizado em relação ao dólar e o segundo por manter taxas de juros elevadas em seu mercado interno, promovendo uma desvalorização de 37% da moeda americana em relação ao “REAL”, contextando assim já no encontro da Coréia, a eficácia da mesma de se manter como moeda hegemônica, chegando ao ponto de defender sua substituição por uma cesta de moedas, estando aí inclusa a nossa.
Na verdade as economias que ditaram as regras aos países considerados emergentes a partir do “Consenso de Washington” e aquelas que dele fizeram parte, estão provando do próprio veneno alí destilado. A americana com queda na atividade econômica interna e possibilidade de perda da hegemonia externa, a brasileira pagando caro por manter elevados índices de déficit público, este fato têm elevado sua dívida pública interna, reduzido sua capacidade de investimentos em infraestrutura tornando o custo médio de colocação de seus produtos no mercado externo da ordem de US$ 75,00 dólares, enquanto os países que integram o grupo de desenvolvidos colocam estes mesmos produtos na razão de US$ 15,00 dólares, talvez isto explique nossa pífia participação de 2% no mercado externo.
Concluindo, o processo de gestão dos recursos públicos no Brasil tem alimentado uma mistura explosiva, que a médio e longo prazo, poderá colocar em choque o nosso processo de crescimento e de manutenção da estabilidade.

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segunda-feira, 8 de novembro de 2010

NOVO GOLPE: A VOLTA DA CPMF

Que pena, o Brasil continua sendo o país dos “tributos’, o que é pior, sem necessidade, haja vista que, a receita tributária sobe ano após ano. Sendo assim, por quê recuperar uma forma de contribuição reprovada pelo Congresso Nacional ? Para continuar lançando mão de artfícios como este, com o objeto de enganar a sociedade em prol de melhoramentos em questões pontuais como a saúde.
O mote para a defesa incial que levou a criação da primeira Contibuição Provisória sobre Movimentação Financeira, recaia sobre a necessidade de alocar recursos à sáude, uma vez que naquela oportunidade já se encontrava precária, porque não dizer na “UTI” e que punha a população sobre tudo a mais carente, a mercê de melhores atendimentos. Foi pensando nisto que o Jatene, médico, conceituado e ex-ministro da Saúde, a defendeu e recebeu por parte da sociadade a aprovação, em que pese naquela época já se constituir em um aumento da carga tributária.
Com a aprovação da mesma o que m,elhorou para o cidadão em tela? Nada, porque a mesma foi desviada para o atendimento do “Bolsa Família”, e para o pagamento dos “Aposentados”, uma vez que o déficit da Previdência, continua a pesar sobre os gasto público.
Pergunta-se a opção dada aos recursos foi correta? Não, muito embora as causas sejam nobres. O Bolsa Família, cumpre um papel social, que indiretamente funciona como prevenção a doenças, pois a pessoa pelo menos se alimenta, fato que não acontecia de forma contínua, com a maioria dos beneficiados pelo programa. Os aposentados por sua vez, com os recursos a eles direcionados, passaram a ter o mínimo para sua sobrevivência, isto por si só não seria justo? Seria, desde que bancado pela recursos advindos da Previdência Social, cujas contribuições foram e ainda são realizadas pelos servidores ao longo de sua atividade laborativa.
Portanto não se trata aqui de questionar o programa social e a obrigação com os aposentados, mas cabe sim, questionar o por quê, do desvio de finalidade, uma vez que a saúde continua na “UTI”. Na verdade houve desvio de finalidade. O que nos garante que com a Contribuição Social sobre a Saúde – CSS, não viria a ocorrer o mesmo? Nada, pois com raríssimas exceções, o que têm sido acordado por esta esfera de governo, vem sendo cumprido. Exemplos, não nos faltam, como o caso dos repasses de recursos aos estados, provenientes no tempo hábil, das operações de exportações, realizadas por produtos advindos do agronegócios no âmbito da “Lei Kandir”, o ICMS, não pago deveria ser compensado pela União, pergunta-se: foi pago na integra? Não, por quê? Pois têm sido prática recorrente no país criar a obrigação e não cumpri-la.
Voltando a questão da criação da nova Contribuição? Pergunta-se: A não aprovação da CPMF, neste governo derrubou a arrecadação comprometendo o orçamento? Não, pelo contrário, a receita alocada pelos impostos, já existentes, engordaram duas vezes mais os cofres públicos. E a saúde melhorou? Não, os recursos direcionados ao seguimento aumentaram? Também não, para onde foram? Bolsa família, Aposentados, PAC I, dentre outras atividades.
Portanto meus amigos defender a criação de um novo imposto, com o histórico apresentado e, que não será dividido com os estados e municípios, é no mínimo um “Golpe”, pós eleição.
A carga tributária do país está em 37,2% do PIB, estados e municípios, ainda se ressentem do benefício alheio, dado pelo Governo Federal, ao mercado, com a isenção do IPI, uma vez que, é da soma deste imposto, com o da renda, que se garante os recursos para que os entes federativos, cumpram em parte seu papel perante a sociedade. Nada contra os incentivos fiscais, pelo contrário sou a favor, desde que fossem concedidos neste caso, no âmbito dos recursos pertencentes a União e não dos estados e municípios como se verificou na época.
O problema do país é de gestão pública e não de receita, se redirecionar os recursos existentes as “UPAS”, poderão ser construídas como ditas nos programas eleitorais da presidente eleita, sem mexer mais uma vez no bolso da população brasileira.
Eis aí, mais um ponto de reflexão para o atual e novo Congresso Nacional.

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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

A RELAÇÃO ENTRE O MERCADO MONETÁRIO E O DE CÂMBIO

A matemática do câmbio guarda relação direta com o mercado monetário, portanto os desequilíbrios verificados neste mercado, na economia brasileira, não têm outro vilão senão as taxas de juros elevadas.
A opção pela política monetária ortodoxa, seguindo as orientações do “Consenso de Washington”, favorece por um lado o controle das taxas de inflação e também mantém alto para as economias que se utilizam deste tipo de política, o fluxo de capitais externos, em direção a seus mercados, mas por outro implica em valorização excessiva da moeda nacional frente a estrangeira, de modo especial ao dólar.
No Brasil os governos pós “Plano Real”, seguiram e ainda seguem este receituário na íntegra. A princípio as taxas de juros que remuneram os títulos públicos, bateram a casa de 40% ao ano, nos anos subsequentes, experimentaram importante queda chegando aos atuais 10,75%.
Ao comparar as duas linhas de governo percebe-se que apesar de tudo nos últimos oito anos o peso dos juros no processo de realimentação da dívida interna pública, foi menor, no entanto quando se compara ao “Resto do Mundo”, fica ainda claro, que as taxas aqui praticadas estão na contramão das economias, que têm como norte melhorar os indicadores socioeconômicos pelo viés da produção.
Para além das políticas domésticas outras variáveis vêm contribuindo para o desequilíbrio nas taxas de câmbio, a queda das taxas de juros no mercado americano para estimular a economia e a política chinesa de valorização do “Yen”, frente ao dólar. Por estas razões rodadas de negociações das economias afetadas com as práticas chinesas acontecerão nos próximos dias, para evitar descontroles ainda maiores que possam afetar principalmente os investimentos nestes mercados.
As reservas internacionais chinesas, aliada ao volume de suas exportações, em que pesem a valorização de sua moeda vêm colocando em cheque as boas práticas comerciais. A compensação do câmbio é feita pelos subsídios incorporados aos seus processos de produção colocando seus produtos com preços bem menores nos mercados concorrenciais.
Na economia brasileira o tiro no pé fica por conta do patamar dos juros praticados no mercado interno. Se por um lado as taxas são menores do que as praticados nos governos de FHC, por outro estão muito acima das taxas estabelecidas pelas economias desenvolvidas, principalmente a americana, que tenta alcançar o pleno emprego, para vencer os pilares de sustentação da crise financeira internacional que em 2008, vitimou aquela economia.
Na economia globalizada os investidores se encontram em todos os espaços, portanto a capitação de recursos é feita em mercados cujas taxas de juros são baixas ou praticamente inexistentes e a aplicação destes recursos se dão em mercados cujas taxas se mostram mais elevadas, caso específico do Brasil. Quando isto ocorre à entrada de dólares aumenta no mercado interno, reforçando as reservas internacionais do país, levando o Banco Central a aumentar a base monetária interna. Para conter a inflação pelo aumento do fluxo de recursos disponibiliza mais títulos públicos no mercado o que acaba por elevar sua dívida pública interna.
No afã de neutralizar os efeitos da entrada de recursos externos para o mercado financeiro em busca de novos ativos, o governo federal aumentou o IOF, de 2% para 6% combatendo os efeitos e não a causa. Como se isto não bastasse o Banco Central constantemente têm intervindo no mercado de câmbio, quebrando a lógica do câmbio flutuante, compra moeda estrangeira no mercado, para conter o desequilíbrio, com isso aumenta a base monetária.
Para que o aumento da base monetária não provoque inflação, coloca novos títulos públicos no mercado, esta ação reduz a circulação de moeda nacional no mercado, mantém as taxas de inflação baixas e aumenta sua dívida interna. O aumento da dívida pública diminui a capacidade de investimentos do governo em infra-estrutura, dificultando também as exportações, uma vez que os produtos brasileiros perdem competitividade no mercado externo.
Na verdade movimentos no mercado monetário provocam reflexos imediatos no mercado de câmbio, afetando a qualidade dos investimentos e o perfil do Balanço de Pagamentos, o tornando deficitário ou superavitário.
A apreciação do câmbio vem aumentando as importações brasileiras e reduzindo as exportações, empregos deixaram de ser criados no país, para serem criados no exterior, razão pela qual a taxa de desemprego, embora esteja em queda, ainda se situa na casa de 6,5% segundo o IBGE.
Eis aí um dos maiores desafios do próximo governo, combinar as taxas de inflação baixas e, o crescimento econômico, com a necessidade de manter fluxos positivos de capital externo para o país, gerando poupança externa sem comprometer o desenvolvimento do mercado interno e a necessidade de investimentos em infra-estrutura.
Não é tarefa fácil, no entanto um governo que obteve 55% dos votos dos brasileiros têm legitimidade e o dever de enfrentar o problema de frente. A começar pela redução do gasto público, em custeio, fato este que abriria espaço para o aumento do superávit primário em relação ao PIB e para investimentos nos modais de transporte, para reduzir o custo Brasil que atualmente está na casa de US$ 75,00 contra US$ 15,00 dos países desenvolvidos.

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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO: A BOLA DA VEZ

O componente tributário é um importante instrumento de financiamento do gasto público, seus pilares de sustentação, estão dentro do capítulo de uma das funções mais importantes da política fiscal, a relativa à distribuição de renda.
No âmbito de qualquer processo de distribuição de renda aparecem os “Tributos”, cuja divisão, assenta em impostos, taxas e contribuições. Os impostos se dividem em diretos e indiretos. Os diretos incidem sobre os níveis de renda e propriedade, enquanto que os indiretos incidem sobre a produção e o consumo.
Paralelamente aos impostos, têm-se as taxas, cuja cobrança está vinculada a determinada prestação de serviços. Não menos importante quando utilizadas de maneira coerente se encontram as contribuições sociais e/ou para fiscais, que podem ser de caráter temporário ou permanente.
O histórico tributário no país tem sido marcado por crescimento contínuo da carga tributária em relação ao Produto Interno Bruto, penalizando o contribuinte tanto na condição de empresários, como na de consumidores, haja vista, que o componente tributário, representa 37,5% do produto agregado da economia.
A justificativa para tal participação assenta na necessidade de financiamento do gasto público, crescente ao longo da história. Partindo do princípio de que o consumo do governo é um dos componentes do produto agregado da economia, o seu aumento deveria ser visto pela população com bons olhos. Por que isto não se materializa na prática? Porque o Governo Federal e os governos estaduais gastam mal, priorizando o custeio ao invés de inversões voltadas à infra-estrutura.
O resultado deste processo por um lado têm recaído na inoperância das máquinas públicas, no sentido de fazer valer o cumprimento de suas atividades fins, uma vez que há funcionários em excesso e despreparados, normalmente descolados do atendimento das demandas daqueles que de fato os financiam, quando do pagamento dos tributos. Por outro lado têm-se uma infra-estrutura precária, devido a falta de investimentos no tempo requerido, o que têm redundado no encarecimento dos produtos cuja produção e escoamento, desta passa a depender.
A saída do setor produtivo para compensar tal situação está no planejamento tributário, este instrumento permite por meios legais, reduzir as obrigações tributárias. No país as empresas, podem se proteger da alta carga tributária, se utilizando dos subsídios fiscais, previstos em decretos, que regulamentam os incentivos e os benefícios fiscais, variáveis que são deduzidas legalmente dos impostos indiretos, para fomentar a atividade econômica. Os incentivos ficam no âmbito das secretarias de indústria e comércio, enquanto que os benefícios estão no cerne das secretarias de estado das fazendas.
A questão que se coloca é que há um desconhecimento por grande parte dos contribuintes, de seus direitos, razão pela qual, em que pese à existência de legislação própria, a pelo menos dez anos no Estado, muitos contribuintes, ligados aos seguimentos de micro, pequenas e médias empresas, ainda não fazem uso desta ferramenta de gestão. O resultado está no pagamento a mais de tributos e no aumento de seus custos de produção.
Eis aí mais um ponto para a reflexão dos contribuintes, quanto à forma de compensar legalmente a elevada carga tributária a que estão sendo submetidos.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A RADIOGRAFIA DO MERCADO DE TRABALHO NO BRASIL

Em que pesem os problemas de ordem econômica e financeira trazidos pela crise financeira internacional a partir de setembro de 2008, outros estrangulamentos atingiram as economias mundiais, em particular o desemprego.
No Brasil em recente pesquisa do PNAD, constatou-se que a taxa de desempreprego cresceu 18,1% em 2009, quando comparada com o mesmo período de 2008. Com isso a taxa de desemprego no país está em 8,1%, o que em termos númericos corresponde a 8 milhões de desempregados.
A população ocupada já alcança 92,7 milhões de trabalhadores, sendo que no ano de 2009, o acréscimo a este saldo foi de 300 mil empregos. Um dos problemas identificados na pesquisa, assenta na dificuldade de jovens entre dezeseis e vinte e quatro anos de alcançar o primeiro emprego.
Para tanto são exigidos deles qualificação profissional, senso de empreendedorismo e ainda experiência. Quanto as duas qualificações iniciais estão de acordo com as exigências de uma economia globalizada. A terceira é no mínimo um contrasenso das empresas, pois experiência só se adquire trabalhando, sem que a oportunidade lhes sejam dadas pelo mercado, jamais irão adquirir a experiência requerida.
A pesquisa realizada vem comprovar que a crise não foi uma marola e que ainda se faz presente no Brasil e na economia mundial. A taxa de desemprego no mesmo período nos Estados Unidos ficou em 9% e na França 9,1%, o que implica dizer que países desenvolvidos ou não estão apresentando as mesmas situações com relação as taxas de desemprego.
Na pesquisa realizada pelo PNAD, o grupo de atividades que mais abriu oportunidades de trabalho foi a administração pública e os serviços domésticos, mostrando o abalo que sofreu no ano passado as indústrias, por força da redução dos níveis de crédito para investimentos e do encarecimento das taxas de juros.
Nas pequisas mensais realizadas pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados no ano de 2010, percebe-se que os problemas continuam e que os efeitos da crise financeira internacional, sobre o mercado de trabalho no país, ainda continua latentes, pois a rotatividade no mercado de trabalho brasileiro está bastante elevada, para cada 100 trabalhadores admitidos no mês, 78 perdem o emprego, ou seja a rotatividade da mão-de-obra no país e, de modo especial em Goiás, têm sido da ordem de 78%.
Tanto em período de crise como no início de uma fase de recuperação a taxa de lucro das empresas, tendem a ficar mais baixas, este movimento freia os investimentos, que por sua vez, contribuem para a redução da utilização de capacidade instalada pelas empresas.
A redução da utilização de capacidade instalada, diminue os estoques de produtos a serem comercializáveis ou mesmo utilizados no processo produtivo, resultado os preços destes produtos tendem a subir no mercado, puxando normalmente as taxas de inflação para cima.
A autoridade monetária para inibir possíveis focos de inflação tem lançado mão da condução de uma política monetária restritiva, elevando tanto os juros nominais como reais em relação a outros mercados.
Medidas neste sentido retraem a produção no mercado interno a tornando instável ficando sujeita a efeitos sazonais, por sua vez abala o mercado de trabalho e também o mercado de câmbio, pois aumenta a demanda por moeda nacional em detrimento da moeda estrangeira, com isso o dólar fica abaixo do valor requerido pelo o setor de exportações, resultado direto, ampliam as importações e diminuem as exportações.
O déficit na Balança Comercial fruto do desequilíbrio entre importações e exportações, também vem contribuindo para o aumento das taxas de desemprego no país, uma vez que vendo as demandas externas serem reduzidas o setor de exportações retrai suas vendas e fecha oportunidades de trabalho. A compensação fica por conta do setor de importações, que passa a gerar mais oportunidades de trabalho, mas como vimos anteriormente ao mesmo tempo que se abre novas vaga outras são fechadas, colocando o trabalhador em uma posição crítica no mercado.
Eis aí uma pequena rediografia do quadro do mercado de trabalho em uma economia globalizada.

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