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terça-feira, 18 de maio de 2010

A EMERGÊNCIA DO MERCADO DE TRABALHO NA ECONOMIA BRASILEIRA

O processo de recuperação do emprego nos setores que compõem a atividade econômica no país é fato. A cada pesquisa realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, via o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), percebe-se o crescimento do número de contratações de trabalhadores com carteira assinada. O problema que têm trazido preocupação é que o número de demissões destes trabalhadores no mesmo período também vem sendo crescente.
Os números do saldo entre admitidos e desligados nos primeiros quatro meses do ano foram os seguintes: Serviços com 38.634 novos trabalhadores, indústria de transformação com 36.041 postos de trabalho, agropecuária com 19.140 trabalhadores e o comércio com a consolidação de novas 14.644 oportunidades de trabalho abertas e mantidas.
A expansão no saldo foi de (3,1%) o que corresponde a um acréscimo de 376.854 trabalhadores com carteira assinada no mercado de trabalho do país. Sendo este o melhor resultado da série histórica desde a criação do CAGED.
Nas regiões metropolitanas o destaque ficou para São Paulo, com acréscimo de 42.850 novos postos de trabalho de maneira formal. A variação neste estado foi positiva em 0,73%. Há outras regiões que merecem destaque: Porto Alegre cresceu no saldo de empregados, com novos 9.823 postos de trabalho, com alta de (0,97%). Em Curitiba a variação foi positiva em (0,97%), com mais 7.416 postos de trabalho abertos ou variação de (0,81%) e Fortaleza com variação positiva de (0,99%) ou novos 6.973 postos de trabalho.
Com o resultado divulgado o país chegou a 41,4 milhões de trabalhadores com carteira assinada, o que de certa forma, amplia os recursos da Previdência – que historicamente vem acumulando déficits crescentes. Nos últimos doze meses, o incremento no saldo de trabalhadores empregados no país foi acrescido em 1.908.983 (um milhão novecentos e oito mil duzentos e oitenta e três) novos trabalhadores entraram no mercado de trabalho formal, com o Brasil registrando variação positiva de (5,9%).
Goiás, cuja estrutura produtiva está centrada em sua maioria na primeira fase do processo de industrialização, com destaque para os bens de consumo leves, apresentou o melhor desempenho e cresceu (1,80%), incorporando novos 17.171 trabalhadores em seu estoque. Apresentando o mesmo perfil produtivo o estado de Rondônia, também obteve resultado positivo na geração e incorporação de novos trabalhadores ao estoque de empregos. A Unidade da federação, em tela, alcançou crescimento de (1,62%) com saldo de 5.114 trabalhadores com carteira assinada.
Quando digo saldo, é porque as estatísticas do Ministério do Trabalho omitem para efeito de divulgação o número de trabalhadores admitidos e demitidos, isto porque, em média, se demite cerca de 80% dos trabalhadores que foram contratados no período em todas as unidades da federação, mostrando o alto grau de rotatividade de trabalhadores no mercado.
O fato foi agravado com a crise financeira internacional, que vive agora sua segunda fase com desequilíbrios fiscais em países como: Grécia, Espanha e Portugal. Muito embora tenha sido aprovado um pacote de ajuda, não se sabe a extensão deste desequilíbrio.
O cenário econômico não se modificando, as unidades federadas que produzem commodities terão grandes possibilidades de continuar crescendo nos próximos anos. Portanto, terão maior participação na formação do produto interno bruto de seus espaços econômicos, abrindo com isso, a possibilidade para que a relação remuneração média/produto per capita aumente e com ela o número de empregos formais, mantendo assim, o processo de recuperação do emprego iniciado nos primeiros quatro meses de 2009 e mantido no mesmo período do ano em curso.

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segunda-feira, 10 de maio de 2010

O LEGADO DOS INCENTIVOS E BENEFÍCIOS FISCAIS PARA O DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DE GOIÁS

A princípio subsidios desta natureza eram provenientes do governo federal, esfera pública responsável pela elaboração e implantação de políticas nacionais de desenvolvimento, com vistas a redução das desigualdades sociais e regionais, históricas presentes no país.
A atuação firme do governo para o alcance desta finalidade teve como divisor de águas, a transição da república velha, para o estado novo, período em que houve a passagem do modelo agrarioexportador para o urbanoindustrial.
O resultado deste processo foi adverso, concentrou ainda mais a renda nas regiões consideradas mais dinâmicas aprofundando as desigualdades sociais e regionais entre as unidades da federação.
O movimento em tela começou a ser modificado ao final dos anos 1960, quando da edição e operação do Programa de Ação Econômica do Governo – PAEG, cujo objeto assentava em dar suporte financeiro às superintências de desenvolvimento das regiões brasileiras menos dinâmicas, dotando-as da infra-estrutura necessária, para que nos anos seguintes pudessem receber e/ou criar investimentos capazes de mudar o perfil produtivo destas regiões as integrando de forma mais efetiva com as mais dinâmicas, leia-se sudeste e sul.
Não obstante as ações emanadas do programa em tela, outros o sucederam com os mesmos própositos, dando seqüência ao processo iniciado na década anterior, ocorre que transformações verificadas em escala global, comprometeu o processo de intervenção do estado brasileiro na economia o levando na entrada da década de 1980, a quebrar o planejamento iniciado na década de 1930, com isso as políticas nacionais de desenvolvimento deram lugar às políticas regionais, cujos pilares de sustentação assentavam em subsídios fiscais e financeiros.
Em que pesem os ataques dos estados mais dinâmicos às políticas neste sentido adotadas pelos menos dinâmicos, a verdade é que as economias deram um salto qualitativo e quantitativo em suas receitas, nos níveis de empregos e renda, derrubando o tabu de que desoneração tributária na forma de incentivos e/ou benefícios fiscais, levam a queda de arrecadação por parte das unidades federadas.
Os números apresentados anualmente pela Comissão Permanente do ICMS, no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária – CONFAZ, comprava o aumento da arrecadação de ICMS, dos estados brasileiros, mesmo com a concessão de incentivos e/ou benefícios fiscais. Para que não gere dúvidas os incentivos estão no âmbito das secretarias de indústria e comércio dos estados enquanto que os benefícios, se encontram no cerne das secretarias de fazenda dos estados.
Em Goiás, os programas de incentivos tiveram início na década de 1970, através da lei nº 7.700/73, instituindo o Fundo de Expansão da Indústria e do Comércio – FEINCOM, na década seguinte veio o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização de Goiás – FOMENTAR, na virada do século outro programa foi criado em substituição ao anterior o Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás – PRODUZIR.
A operacionalização destes programas cada um no seu tempo, contribuíram e ainda contribui de maneira efetiva para o processo de desenvolvimento socioeconômico do estado de Goiás. Os resultados alcançados ao longo dos anos no que tange a: arrecadação de ICMS, estoque de empregos formais, produto interno bruto, produto per capita, relação remuneração média/produto per capita, índice de desenvolvimento humano, comprova por si, só, a eficácia destas políticas públicas, quando bem aplicadas.
Para se ter ideia no comparativo de 1995 – 2007, período em que as estatísticas estão consolidadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, os indicadores econômicos e sociais em Goiás, apresentaram a seguinte evolução: O produto interno bruto passou de R$ 14,5 bilhões para R$ 65,2 bilhões, a taxa de crescimento deste indicador passou de 2,6% para 5,7%, a prticipação do estado na formação da riqueza saiu de 2,1% para 2,4%, o produto interno per capita passou de R$ 3,18 mil para R$ 11,54 mil, a variação deste indicador passou de 0,51% para 7,03% em 2007. A arrecadação de ICMS em 1999, período em que passou a ser computada para fins de acompanhamento estatístico, passou de R$ 1,9 bilhão para R$ 5,5 bilhões em 2007, nos dois anos seguintes continuou elevando alcançando R$ 6,8 bilhões em 2009. Portanto meus amigos o legado da aplicação de incentivos e/ou benefícios fiscais para o odesenvolvimento socioeconômico do estado de Goiás, é altamente positivo, razão pela qual esta política deve ser ajustada quando necessário, mas jamais ser extinta, pois se trada de uma instrumento importante para compensar a falta de um mercado consumidor em potencial, um dos diferenciais das economias mais dinâmicas em relação ás menos dinâmicas no que tange a formação e a atração de investimentos.

Disponível na Revista Economia e Finanças do Conselho Regional de Economia da 18º Região.

O MERCADO OCULTO DE TRABALHO EM GOIÁS

A história econômica mostra que existe uma relação direta entre o processo de produção e o mercado de trabalho nas economias desenvolvidas, subdesenvolvidas e/ou emergentes.
A economia gira em torno do binômio consumo/investimento, força motriz do mercado de trabalho, as oportinudades neste campo se abrem ou não em razão da política fiscal, a ser adotada, para fins de crescimento e desenvolvimento.
O desenvolvimento econômico passa necessariamente por um processo de distribuição de renda, o que se verifica também mediande o pagamento de tributos, cuja essência assenta em impostos, taxas e contribuições.
O nível de tributação e da taxa de juros, é que darão o tom do nível de crescimento e desenvolvimento, que economia poderá alcançar. Na esteira destas variáveis poderá haver um maior ou menor número de oportunidades de trabalho a serem abertas e/ou fechadas no período.
O salário pilar de sustentação da renda, obtido pela emprego da mão-de-obra no processo produtivo, será crescente se o nível de demanda por mão-de-obra, superar o de oferta. Em assim ocorrendo o nível de renda proveniente do fator trabalho tenderá a proporcionar melhores condições de vida à população, do contrário, mal lhes assegurará a manutenção do emprego em níveis salariais que atendam as necessidades básicas do trabalhador.
Feitas estas considerações passemos a analisar o quadro do mercado de trabalho em Goiás, principalmente após a crise financeira internacional verificada em setembro de 2008, e que acabou trazendo reflexos negativos para todas as economias mundiais.
A análise terá dois cortes, o primeiro levando em consideração o saldo entre admitidos e desligados, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego, e o segundo levando em considerção o número de empregos criados e o número de oportunidades de trabalho fechadas, no mesmo período a partir da mesma fonte de dados.
No que tange ao saldo percebe-se uma evolução positiva no mercado de trabalho goiano em relação a uma série histórica inciando pelo ano 2000, cujo saldo de empregos foi de 10.319, nos anos seguintes foi crescente alcançando 31.766 empregos em 2008, quando teve início a crise. Em 2009, a queda no saldo foi 48%, caindo o número para 17.807 trabalhadores. Os primeiros três meses de 2010, já apontam para uma grande recuperação, pois o saldo de empregos, com carteira assinada, já alcançou 34.657 batendo inclusive o recorde de toda a série histórica, por este lado, pode-se dizer que os efeitos negativos da crise para o mercado de trabalho goiano acabaram.
Por outro lado, quando se analisa o número de oportunidades de empregos abertos e/ou fechados nos primeiros três meses do ano, se percebe que a crise ainda faz parte do cotidiano do mercado de trabalho goiano, pois 78,1% das oportunidades de empregos criadas no período foram fechadas. Na verdade se abriu no período novas 158.374 oportunidades de emprego e fechou 123.717 mostrando o grau de rotatividade de empregos existentes no mercado goiano.
Os setores mais afetados por esta rotatividade são pela ordem: varejista 91,3% atacadista 86,1% serviços 85,1% construção civil 76,3% e extração mineral com 67,1%. A menor rotatividade ficou por conta da indústria de transformação cujo o percentual de demisão no período ficou em 37,1%.
Os percentuais de demissão em relação a contratação, são normalmente ocultados quando do anúncio do número de empregos gerados mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego, no entanto devem ser levados em consideração pelos agentes envolvidos nestes mercados, evitando com isso surpresas desagradáveis.

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sexta-feira, 30 de abril de 2010

ECONOMIA : A SAGA DOS JUROS

Não obstante aos apelos do mercado, mas uma vez o Comitê de Política Monetária, os desconheceu e elevou a taxa de juros selic para 9,50% ao ano. A justificativa assenta na possibilidade de inflação para os próximos meses, devido o estado de aquecimento da economia.
A retórica é pobre, falta na verdade criatividade por parte dos técnicos da autoridade monetária, para por em prática uma política monetária que verdadeiramente atenda os interesses da nação brasileira, qual seja, a que proporcine crescimento econômico com estabilidade .
O ato de elevar a taxa de juros para reduzir as taxas de inflação ou mesmo não deixá-las subir, é o mesmo que por analalogia comparar tal medida a de técnicos de futebol que trocam os laterais por laterais, zagueiros por zagueiros, meias por meias, ao invés de mexer com os mesmos em campo, provocando uma mudança tática para que o time alcançe seus objetivos.
Não precisa ser economista para saber que os preços guardam relação direta com a oferta e procura por bens e/ou serviços no mercado. Se a procura aumenta e a oferta permaneçe a mesma ocorrerá alta nos preços ou inflação, do contrário haverá deflação. Pergunta-se controla-se preços apenas com juros? Claro que não, estas variáveis podem também ser controladas em uma economia de mercado com o aumento da oferta.
Para que haja aumento da oferta a taxa de juros no mercado tem que ser capaz de estimular os investimentos, principalmente em máquinas e equipamentos, melhorando com isso a qualidade e a produtividade dos produtos a serem disponibilizados no mercado. Para além dos bens de capital, as empresas que promovem o desenvolvimeto, necessitam também de recursos subsidiados, cujos custos financeiros, já são onerosos e tendem a ficar ainda mais caros com alta dos juros puxada pelo Banco Central.
A ação da autoridade monetária atinge outros setores tais como: o endividamento público e o mercado de câmbio. A alta dos juros amplia a dívida pública interna e abre caminho para uma maior desvalorização do dólar frente ao real. Aumenta a dívida pois há correção nos juros que remuneram os títulos públicos, colocados no mercado para enxugar a liquidez e ao mesmo tempo capitalizar o estado de recursos que seriam direcionados ao consumo. Desvaloriza o dólar porque amplia a procura por títulos financeiros nacionais, já que as taxas de juros praticadas pelo Banco Central, são nove vezes e meia mais caras do que a do resto do mundo.
O que já fazem os grandes investidores e continuarão a fazer, capitam recursos nas economias desenvolvidas à taxas de juros subsidiadas e trazem para o país, para comprar títulos no mercado financeiro, isto amplia a procura por real e reduz a demanda por moeda estrangeira, dentre elas o dólar. Esta reengenharia atingi em cheio as exportações que embora venham se recuperando a passos lentos, em face da recuperação das economias diante da crise financeira internacional, ainda estão muito aquém da quantidade exportada no período anterior a crise.
Os técnicos do Banco Central não sabem disso? Sabem, mais jogam com a falta de conhecimento de grande parte da população em relação ao impactos negativos, de se elevar a taxa de juros em um contexto de crise financeira mundial, pois ela ainda não acabou como defendem os tecnocratas.
A economia americana e européia, cujo o epcentro da crise se fez e ainda encontra-se mais presente, buscam o equilíbrio do binômio inflação/crescimento, com políticas expansionistas, mirando o curto, o médio e, o longo prazo, diferentemente da brasileira, cuja saga tem passado necessariamente por uma política de juros crescentes, quando comparados à de outras economias que integram o mercado mundial.
Eis aí mais um capítulo na história econômica do país, para a reflexão da sociedade. Será que não existe outro caminho?

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

GOIÁS: FEDERALIZAÇÃO DA CELG

A princípio o estado trabalhava com a perspectiva de ter as Centrais Elétricas de Goiás – CELG, como um instrumento poderoso para garantir seu processo de crescimento e desenvolvimento econômico. A empresa tinha como atividade fim a geração de energia elétrica a partir da Usina de Cachoeira Dourada e também sua distribuição para todo este importante espaço econômico.
Com o passar dos anos a ineficiência de gestão proporcionada pela ingerência de seu sócio majoritário levou a empresa a conviver com déficits operacionais que foram lhe retirando a capacidade de investimentos tanto na geração quanto na distribuição.
O primeiro impacto de também atuar fora de sua atividade fim veio com necessidade na época de vender o maior patrimônio da empresa, a usina que me referi anteriormente. Pesaram dois fatos para a tomada de decisão. O primeiro as dificuldades financeiras que a empresa já passava na época para manter os investimentos necessários que a usina requeria anualmente e o segundo o cenário de privatização tendo como âncora o discurso neoliberal de que o estado deveria se afastar do mercado concentrando sua área de atuação em sua atividade fim, qual seja preocupar tão somente com a prestação de serviços sem fins lucrativos à sociedade atuando prioritariamente nos segmentos voltados à educação, saúde, segurança.
Veio à venda, o destino da maioria dos recursos foram para o eixo anhanguera na capital do estado, o que restou foi direcionado ao Goiânia Arena ginásio de esporte que tem abrigado ao longo dos anos poucos eventos relacionados ao seguimento e também em outras obras de infra-estrutura que não guardavam nenhuma relação com as atividades fins da empresa, para que esta se mantivesse como o pilar de sustentação energética do desenvolvimento do estado. Mais de R$ 700 milhões foram gastos sem dotar a empresa para enfrentar as demandas que viriam nos anos subseqüentes.
Nos períodos seguintes e não diferente dos anteriores a venda da usina a empresa continuou atendendo as necessidades impostas pelo sócio majoritário, situação que a levou a operar no vermelho, comprometendo os investimentos necessários para o cumprimento de sua atividade fim que era já naquele período de distribuir a energia comprada de Cachoeira Dourada para todo o estado atendendo o crescimento do setor industrial, de serviços, rural e residencial, números estes mostrados nos Balanços publicados na semana passada.
Não obstante aos problemas aqui levantados outros como a aquisição de energia acima dos preços de mercado contribuiu para que a empresa chegasse aos primeiros nove anos do século vinte um, com dívidas de curto prazo da ordem de 71%. Em 2005 o comprometimento das obrigações de curto prazo já estava na casa de 45%.
O endividamento segundo a DF-COGE cresceu de acima de 10% de 2005 a 2008, tendo caído para 6% no ano passado. Chama atenção nos números apresentados o crescimento da receita de fornecimento de energia nos seguimentos residencial (8,84%) comercial (9,99%) e queda de (3,66%) na indústria e de (13,51%) no meio rural. No agregado o crescimento no período de (2005 – 2009) o crescimento foi da ordem (3,55%).
Um outro dado interessante deve-se ao aumento do número de trabalhadores terceirizados no período analisado passou de (3.517) colaboradores em 2005, para (4.303) em 2009, variação de (4,87%). No entanto o número de colaboradores efetivos caiu apenas (5,37%) praticamente neutralizando os ganhos com a terceirização.
Quanto aos indicadores econômicos e financeiros cabe ressaltar que em 2005 a empresa apresentou um lucro de R$ 117, 9 milhões, nos anos seguintes operou no vermelho. O prejuízo líquido de 2006 foi de R$ 287,8 milhões, em 2007 de R$ 176,9 milhões, em 2008 de R$ 244,2 milhões e finalmente em 2009 de R$ 91,0 milhões, tendo sido este o melhor ano em termos de gestão após os resultados positivos verificados no início do período de avaliação.
Se por um lado o endividamento anual caiu no passado, os investimentos não tiveram a mesma sorte, pois apresentaram queda em relação a 2008, de (5,18%), comprometendo ainda mais o processo de crescimento do estado, este não se faz sem energia o que por se só já justifica as iniciativas para os fins de federalização. O Patrimônio líquido caiu no período (37,79%) enquanto que o passivo circulante (9,41%), chegando em 2009 ao patamar de R$ 6,2 bilhões. Os custos por atividade de transmissão gerenciáveis, caíram em média 7% no período (2008 – 2009) enquanto que os não gerenciáveis, subiram no período 13%, neutralizando o esforço anterior. Mesmo fato se verificou com os custos por atividade de distribuição cujos gerenciáveis caíram (2%) e os não gerenciáveis subiram (2%).
Para finalizar o perfil do endividamento é o seguinte: No curto prazo empréstimos (1%), encargos da dívida (79%) no longo prazo empréstimos (9%) e encargos de dívidas (11%). Não restando alternativa senão a federalização.

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terça-feira, 13 de abril de 2010

OS IMPACTOS DAS EXTERNALIDADES INSTITUCIONAIS NO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO

As externalidades institucionais advêm da Política Fiscal implantada nas economias que integram o globo terrestre. Para a grande maioria das pessoas política fiscal têm relação direta com a fiscalização, o que não corresponde com a realidade.
Na verdade política fiscal nada mais é do que uma ação do governo em prol do crescimento, da manutenção da estabilidade econômica e/ou do desenvolvimento econômico.
Uma política fiscal tem três pilares básicos: alocação de recursos, distribuição da renda e manutenção da estabilidade econômica. Alocam-se recursos para promover os bens públicos com vistas a proporcionar uma melhor condição de vida para as pessoas que vivem em uma sociedade qualquer.
A distribuição de renda é feita mediante a cobrança de tributos, que por sua vez se dividem em: Impostos, Taxas e Contribuições. Os impostos se dividem em diretos e indiretos, os diretos incidem sobre a renda e sobre a propriedade enquanto que os indiretos incidem sobre a produção, destes são extraídos os subsídios para o fomento da atividade econômica para fins de desenvolvimento local, regional e/ou nacional.
A manutenção da estabilidade econômica se faz mediante a utilização das políticas: Monetária, cambial e tributária. Portanto meus amigos eis aí a importância de uma política fiscal para o crescimento e o desenvolvimento econômico de um município, estado e/ou país.
As externalidades institucionais nada mais são do que os efeitos de uma política fiscal, podendo os efeitos emanados destas, serem positivos ou negativos. Se positivos levam a criação das economias de aglomeração (mercados consumidores em potencial, base produtiva diversificada, infra-estrutura de qualidade, recursos naturais e materiais abundantes, presença de centros de pesquisas e universidades, baixa valorização mobiliária etc.)
Os efeitos negativos levam os espaços econômicos a conviverem com as deseconomias de aglomeração, que para não ser repetitivo promovem situações inversas às geradas pelas economias de aglomeração já citadas anteriormente. A princípio as regiões mais dinâmicas apresentam as economias de aglomeração e, em um segundo momento começa a conviver com as deseconomias, devido os resultados do incremento verificado no processo industrial, o fluxo migratório de outras regiões do país em busca de empregos e melhores condições de vida e ainda do desenvolvimento do setor de serviços.
O mesmo fato se verifica nas regiões consideradas atrasadas e vazias, que em um primeiro momento quando comparadas ás dinâmicas apresentam deseconomias de aglomeração, mas que no decorrer do processo de desenvolvimento acabam ganhando com os problemas enfrentados pelas regiões dinâmicas, vindo a se beneficiar de novos investimentos favorecendo assim: O crescimento do número de empregos diretos e indiretos, a arrecadação de ICMS, o aumento do produto interno bruto, do produto per capita e da relação remuneração média sobre o produto per capita.
As regiões atrasadas e vazias ganham com as deseconomias apresentadas pelas regiões dinâmicas e com a política de incentivos e benefícios fiscais por elas modeladas favorecendo com isso suas formas de desenvolvimento.
O relato anterior teve como pano de fundo mostrar que dependendo da política fiscal a ser implantada a economia poderá conviver com economias e/ou deseconomias de aglomeração, o que em linhas gerais pode favorecer ou não os processos de desenvolvimento em curso.
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quarta-feira, 7 de abril de 2010

O PERFIL DO DESENVOLVIMENTO GOIANO

O processo de desenvolvimento experimentado por Goiás, nos últimos quarenta anos, contrasta com o que se defende no âmbito do desenvolvimento regional, isto porque para além da preocupação com a infraestrutura espera-se neste formato de desenvolvimento que atividades complementares sejam geradas para que os perfis produtivos das regiões passem por transformações que altere suas movimentações econômicas.
No Estado, o desnível existente entre os índices de participações provenientes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços nos municípios, é a maior prova de que as ausências de atividades complementares entre as empresas e os municípios comprometem tanto crescimento quanto o desenvolvimento econômico dos municípios que integram este importante corte geográfico.
As regiões que integram o estado têm cidades consideradas pólos de desenvolvimento, no entanto os investimentos para elas canalizados com recursos dos programas de desenvolvimento regionais tais como: Fomentar, Produzir ou mesmo dos recursos advindos do Fundo constitucional do Centro-Oeste e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social acabam beneficiando apenas o local onde a empresa é implantada, não criando nenhum tipo de integração com os municípios circunvizinhos que detém a mesma logística do considerado mais desenvolvido.
A falta desta integração leva a problemas de ordem econômico-financeira e social. No campo econômico e financeiro, a baixa movimentação econômica do município, compromete o montante de suas receitas limitando assim suas despesas nominais per capitas em educação, saúde, segurança e de infraestrutura. No campo social dificulta a empregabilidade e por conseguinte aumenta a dependência da população em relação aos programas sociais, sem deixar de mencionar o fato de que a ausência de oportunidades de trabalho acaba forçando a migração de trabalhadores para as cidades pólos, em busca de melhores condições de vida. Isto aprofunda as desigualdades sociais pois não existem empregos para todos e ainda amplia a competição por vagas no mercado já que a concorrência aumenta.
Tomando como referência o Produto Interno Bruto das cidades pólos em relação à pelo menos um município circunvizinho pode-se dimensionar o tamanho das diferenças atualmente existentes entre estes espaços econômicos presentes no estado.
Vamos aos números: No Centro-Goiano tem-se Anápolis com um produto agregado de R$ 4,7 bilhões, enquanto o de Abadiânia é de apenas R$ 62,5 milhões. Na região Sudeste o destaque fica para Catalão com um produto agregado de R$ 2,9 bilhões, contra o de Cumarí que situa em R$ 26,3 milhões. No Centro-Sul do Estado tem-se Itumbiara com um produto interno bruto de R$ 1,5 bilhão enquanto que o de Morrinhos alcança R$ 449,9 milhões. Na região Sudoeste destaca-se entre outros municípios Rio Verde, cujo produto agregado é R$ 3,1 bilhão, não muito distante encontra-se Quirinópolis cuja riqueza no mesmo ano alcançou R$ 368,4 milhões. Na região Norte do Estado, o destaque fica para os municípios de Porangatu cujo produto interno bruto é de R$ 293,2 milhões enquanto o de Montividiu do Norte alcança apenas R$ 23,5 milhões, não obstante a estes a inda naquela região tem-se Uruaçu cujo produto agregado é de R$ 272,6 milhões e, o de São Luiz do Norte é de apenas R$ 45,7 milhões.
Os dados levantados mostram que existem diferenças enormes entre os municípios e que precisam ser contidas. Qual a saída? Vincular à concessão de incentivos e benefícios fiscais a necessidade de gerar atividades complementares nos municípios cuja logística seja a mesma, favorecendo assim o desenvolvimento da região e não apenas do município que recebeu o investimento.

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