Visitantes

terça-feira, 30 de março de 2010

ECONOMIA: AS ESPECIFICIDADES QUE ENVOLVEM O DESENVOLVIMENTO

O processo de desenvolvimento apresenta uma série de externalidades que podem contribuir a favor e/ou contra o desenvolvimento de um município, estado ou mesmo nação.
A princípio as iniciativas no sentido de distribuir a renda com vistas a garantir uma melhor condição de vida para a sociedade eram de responsabilidade única do Estado-Nação. No entando com o processo de endividamento verificado em escala mundial a partir dos anos 70, esta obrigação saiu do âmbito nacional, deceu ao regional e atualmente se discute a questão muito mais no cerne local, haja vista, que as formas de desenvolvimento defendidas anteriormente acabaram por aprofundar as diferenças entre os espaços econômicos socialmente habitados.
Voltando a questão das externalidades têm as de cunho institucionais, cuja lógica assenta na orientação da política fiscal de qualquer economia. O modelo por ela desenhado pode no curto, médio e longo prazo, promover a concentração, desconcentração ou mesmo a reconcentração da riqueza gerada no período.
A externalidade citada acaba por influenciar as demais já que a política econômica adotada é que da o viés em termos de desenvolvimento. No âmbito do regionalismo ainda se destacam outras formas de desenvolvimento tais como: marshalianas, perrouxianas, schupterianas, jacobinas e transnacionais, todas são cercadas de especificidades que levadas a termo, podem contribuir para reduzir ou ampliar as disparidades regionais historicamente construídas no âmbito das economias mundiais.
No livro “Economia e Território” organizado por (Diniz, 2005), todas as formas são abordadas no sentido de analisar de forma detalhada as vantagens e as desvantagens de cada uma.
Ao fazer um corte no processo de desenvolvimento econômico do Brasil, percebe-se que foi adotado o postulado marshaliano, tanto é que de 30 a 70, permeou sobretudo nas regiões consideradas dinâmicas (sudeste e sul) um tipo de desenvolvimento capitaneado pelo União, onde se lançõu mão de políticas cambiais, monetárias e tributárias com o intuito de transformar aquele espaço econômico em um ambiente industrializado, de base produtiva sólida, capaz de conduzi-lo no futuro para um processo ainda mais avançado, tendo como pilar a indústria do conhecimento. Fato que já se verifica em razão das economias de aglomeração alí criadas dentre as quais o grau de integração entre as empresas que alí se constituíram ou mesmo que para lá foram deslocadas. Se por um lado as políticas públicas de âmbito nacional favoreceu a produção de bens e/ou serviços, por outro lado, contribuiu para um inchaço populacional, já que recebeu um fluxo migratório de todas as regiões do país, principalmente advindas da região considerada mais atrasada e ainda, vazia.
Problemas de ordem interna e externa impuseram no estado brasileiro grande endividamento, fato que contribuiu para que outra forma de desenvolvimento permeasse a economia barsileira a partir dos anos 80, a perrouxiana também conhecida como regional. O pilar de sustentação deste tipo de desenvolvimento está na concessão de incentivos e benefícios fiscais. Muito embora tenha conseguido êxito em termos do crescimento do produto agregado dos espaços econômicos que delas fizeram uso, não foi capaz de conter o processo de concentração de riqueza, já que vem operando nos estados privilegiando alguns seguimentos em detrimentos de outros e algumas regiões em detrimento de outras. Em Goiás, distorções como estas são perceptíveis, é só olhar para o todo, neste corte geográfico existem no máximo noventa municípios que detém um mínimo de atividade de agregação de valor, enquanto cento e cinquenta e seis restantes estão a anos luz, de algum tipo de projeto de desenvolvimento.
Em que pesem os problemas aqui levantados o Estado, já se encontra no âmbito das formas de desenvolvimento jacobinas e transnacionais, pois via de arranjos produtivos locais, começa a dar os primeiros passos em busca de quem sabe, alcançar algum nível de desenvolvimento schupeteriano, cuja base de sustentação se assenta na inovação. Mora aí um pontos que devem ser trazidos a luz das discussões daqueles que um dia pretedem dirigir os rumos do estado.
Fica aí mais um ponto de reflexão para aqueles que de uma forma ou de outra podem contribuir para modificar este cenário seletivo e excludente, em que o Estado de Goiás, como outros se encontram mergulhados.

Disponível em: www.dm.com.br

quinta-feira, 25 de março de 2010

A INDÚSTRIA DO CONHECIMENTO

No âmbito do desenvolvimento econômico mundial destaca-se o desenvolvimento industrial e a economia do conhecimento, também denominada do indústria do conhecimento.
Uma se confunde com a outra tendo em vista que a indústria do conhecimento se fixa nas bases consolidadas pela atividade industrial, seja no que tange a base produtiva ou mesmo nas economias de aglomeração por ela estruturada.
No Brasil especificamente o processo de desenvolvimento econômico se confunde com a transição do modelo agrário exportador para o urbano industrial iniciado nos primeiros trinta anos do século XX.
Naquela oportunidade os recursos remanescentes do café, deram origem a primeira fase do processo de industrialização, em 50, veio a consolidação da indústria de bens de consumo leves. Com isso novos horizontes se abriram para o início da segunda fase deste processo, que foi a indústria de bens e serviços intermediários. Mais tarde já na entrada da década de 80, consolida-se a terceira e última fase do processo de industrialização, com a produção de bens de capital.
O processo de desenvolvimento comentado teve como beneficiários diretos os estados das regiões sudeste e sul, pois segundo Clélio Campolina, ambas pertencem à região mais dinâmica do país.
A concentração da riqueza gerada no corte geográfico citado se por um lado criou também as bases para a formação da indústria do conhecimento por outro aprofundou ainda mais desigualdades sociais e regionais na economia brasileira.
No espaço em tela fixaram as maiores e melhores instituições de ensino e pesquisa, concentra a produção industrial de maior valor agregado, além do fato de que a rede urbana nestas localidades são mais integradas e os centros industrias se apresentam como os mais dinâmicos.
Para além da região dinâmica outras duas foram destacadas no estudo feito pelo regionalista, a saber: região atrasada e a vazia. Na considerada atrasada está o nordeste brasileiro, que se carcteriza por conter: 1/3 da população brasileira, baixos níveis de desenvolvimento econômico, escolaridade e condições sociais, ilhas de produtividade e modernidade sem nenhuma indicação de reversão do quadro de atraso no curto e médio prazo.
A região considerada vazia têm como âncoras o Centro-Oeste e o Norte do país, espaços considerados de fronteira agrícola e mineral, que na concepção dos autores do estudo não detém potencial para o desenvolvimento de indústrias intensivas de conhecimento, afirmação que tem a minha discordância.
Na concepção dos regionalistas existem condições para que as indústrias do conhecimento se instalem em algum lugar, destaque: Tamanho de sua base produtiva, a presença no espaço de empreendimentos industriais e de serviços baseados em alta tecnologia, dimensão e avanço do sistema acadêmico universitário com foco em pesquisa, infraestrutura urbana e de serviços modernos, localização próxima as cidades consideradas médias e metrópoles das regiões sudeste e sul (São Paulo, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte).
Em que pesem as exigências há formas de mudar o percurso para se alcançar as indústrias do conhecimento. Como? Modelando políticas públicas com foco neste tipo de investimento. Vamos aos fatos. A continuar com este diapasão o Centro-Oeste e o Norte, estão fadados a produção exclusiva de bens de consumo leves e/ou matérias-primas.
Em Goiás, dois programas de desenvolvimento regional continuam em operação o Fundo de Participação e Fomento à Industrialização do Estado de Goiás – Fomentar e o Programa de Desenvolvimento Industrial de Goiás – Produzir. O primeiro apresenta entre os tipos de incentivos a reformulação, para manter a competitividade entre empresas do mesmo setor, quando o benefício de uma extigue primeiro do que a outra. Atualmente a concessão não esta vinculada a nenhum tipo de investimento adicional, poderia aí dar início ao processo de busca pela indústria do conhecimento, vinculando a concessão da extensão dos benefícios à necessidade de investimento da empresa em pesquisa e desenvolvimento ou mesmo que esta venha a patrocinar estudos nos centros de pesquisas presentes no estado.
No Produzir há uma derivação para o Tecnoproduzir ainda limitada às empresas de telecomunicações que poderia se expandir para outras atividades também, principalmente para o campo de medicamentos, auxiliando o setor em um sistema de parcerias público privadas, a dar início ao desenvolvimento de princípios ativos, dando ao estado a conotação de pólo farmoquìmico e não de farmaceútico. O dedate acerca do alcance deste patamar de desenvolvimento deve ser colocado na ordem do dia dos programas de governo para os próximos quatro anos, sob pena de nos mantermos como meros produtores de matéria-prima e de produtos de baixo valor agregado, aceitando de cabeça baixa as afirmações dos que defendem investimentos como estes apenas nas regiões historicamente mais dinâmicas e que até o presente momento concentram todas as formas de riquezas geradas na economia brasileira.
Eis aí mais um ponto que merece reflexão por parte da sociedade goiana.

Disponível em: www.dm.com.br

quarta-feira, 17 de março de 2010

PIB: VÔO DE PATO

A ironia se prende ao fato de que muito embora a autoridade monetaria brasileira saiba dos reflexos nefastos de uma crise financeira internacional não se conteve ao longo do ano passado em manter uma política monetária restritiva estimulando tão somente a especulação financeira na economia.
A justivicativa sempre era a mesma ou seja a preocupação com a inflação, esquecendo que com a crise a princípio haveria a retração dos níveis de consumo, situação que só seria revertida caso algum tipo de subsídio viesse a ser concedido.
O que de fato ocorreu com a isenção do IPI, para setores estratégicos como veículos, eletrodomésticos e a construção civil, no entanto cometeu um erro crasso, estimulou o consumo, sem criar as condições para a reposição dos estoques, tendo em vista que as taxas de juros para investimentos nos primeiros seis meses do ano se manteram em 10,5% ao ano, isto considerando os recursos a serem alocados junto ao BNDES.
No mercado de crédito doméstico os juros para produção no ano que se passou em nenhum momento foram inferiores a 20,0% ao ano, isto dentro de uma visão otimista. Portanto meus amigos o resultado do PIB brasileiro, não poderia ser outro senão o de queda de 0,1%. Não pasmem se as autoridades comemorarem o feito principalmente em véspera de eleição tendo como parâmetro outras economias que o produto agregado caiu em média 4,0%, no mesmo período, exceto a China que cresceu 8,5% e a Índia que cresceu 6,5%. Ao se comportarem desta forma é no mínimo tentar ludibriar a população principalmente a mais desinformada, que se endividou sustentada pelo discurso chapa branca de que a crise no país não passou de uma marola.
Na verdade oscilou nos quatro trimestres do ano, iniciando com queda, apresentando uma recuperação a partir do terceiro trimestre e voltando a cair no último trimestre, sua performace pode ser caracterizada como um vôo de pato. Não se sustentou em que pese a propaganda oficial sempre afirmando o contrário.
Por que isto ocorreu? Devido a um erro estratégico. Qual? Desconsiderar que os juros para investimentos estavam excessivamente altos e que naquele cenário as empresas não se motivariam a contrair recursos pagando 10,5% ano. Só acordaram quando a taxa de investimentos em bens de capital apresentou queda em abri de 32,4%. Bens de capital ou máquinas e equipamentos se constituem em peça fundamental para manter os níveis de crescimento na economia. Será que os executivos do BACEM, não previram que os juros no patamar que estavam ponderiam incorrer em queda dos investimentos, ou imaginaram que a entrrada de capitais estrangeiros com fins especulativos poderia contrabalançar a queda no setor de transformação por um desempenho melhor no setor de intermediação financeira que integra o segmento de serviços, contribuindo de outro para a formação do produto agregado do país.
Para além das questão dos juros direcionados aos investimentos, naquele período mantemos a taxa de juro selic, no patamar de 8,75% ao ano, no mínimo oito vezes superior ao cobrado nas economias desenvolvidas. Taxa só considerada baixa quando comparada as taxas de juros praticadas no mercado doméstico, tais como: 142,0% para cheque especial, 200% para cartão de crédito, 30% na aquisição de veículos, 24% para o setor produtivo.
Na verdade quando comparada com as taxas praticadas no mercado global, não se poderia esperar outro resultado senão o de queda de 0,1% do produto agregado. A defesa da política de juros assentava no fato de que em 2008, a economia crescera 5,1%. A diferença é que naquela oportunidade a crise não tinha sido eclodida, e a queda da renda interna favorecia as exportações, que por sua vez puxava para cima o PIB, o cenário mudou e eles continuaram praticando o mesmo tipo de política, resultado queda brusca da atividade econômica.
Será que para 2010, os erros irão se repetir?


Disponível em: www.dm.com.br

segunda-feira, 15 de março de 2010

ECONOMIA: A LÓGICA DO DESENVOLVIMENTO

Pensar em desenvolvimento é trancender o processo de produção em qualquer economia, isto porque crescer tem ligação direta com o aumento da produção nos setores que compõem a atividade econômica de qualquer município, estado e/ou nação, enquanto que desenvolver está ligado a melhoria das condições de vida das pessoas em face de uma melhor distribuição de renda.
A grande questão assenta nos mecanismos de distribiução de renda cuja lógica pode aparecer na forma de salários, juros, aluguéis, dividendos, impostos, pelo acesso à terra, enfim de várias maneiras. Isto pelo conjunto de fatores de produção que são mobilizados na atividade produtiva, para que o produto seja gerado.
Nas esconomias capitalistas desenvolvidas muito embora haja concentração de recursos tornando o processo produtivo “seletivo e excludente” o processo de distribuição de renda é mais equânime, haja vista que as pessoas têm: educação, saúde e segurança de melhor qualidade, diferentimente das economias emergentes e/ou subdesenvolvidas em que estas variáveis, que funcionam como indicadores sociais de desenvolvimento humano deixam muito a desejar.
Não obstante aos avanços conseguidos pelos governos que se sucedem a cada quatro anos, no país, muito ainda a de ser feito. A população brasileira está entregue a dengue, gripe suina e outras enfermidades, que têm levado várias pessoas ao óbito. O mosquito da dengue a cada dia que se passa fica incontrolável, por um lado pela falta de uma política planejada para o seu combate e por outro pela falta de cooperação da sociedade, no combate ao mosquito. O que se percebe é que as pessoas ainda acham que com elas não acontece.
A gripe suina embora tenha sido importada de outros paises tambêm têm provocado grandes baixas na população, em parte por negligência das autoridades em reverter recursos de obras superfaturadas, inacabadas, dentre outros gastos desnecessários no momento para aquisição de vacinas que cubram toda a sociedade, a de se mencionar também o descaso de alguns profissionais de saúde da rede pública e privada em fazer um dignóstico correto nos pacientes impedindo o avanço da doença para posições de difícil retorno.
Em Goiás, como nos demais estados o primeiro noticiário foi animador pois anuciaram vacinas contra a gripe suina, o segundo nem tanto já que foi priorizado grupos de riscos, crianças acima de dois anos que se encontram expostas nas escolas, parques de diversão e ruas, não lhe restam outra coisa senão se precaverem lavando suas mãos como se elas entendessem o recado. Fato semelhante ocorre com adultos entre quarenta e cinquenta e nove anos, que entendem o recado das mãos, mas sabem que só isso não basta, aí pergunto, porque recursos públicos são jogados na lama todos dias neste país ao invés de direcionados para o combate de endemias como estas ou ainda serem de fato direcionados a processos que melhorem a infraestrutura para que os produtos brasileiros disputem o mercado externo em condições iguais a de outras economias, não ficando eternamente na dependência das taxas de câmbio.
Os exemplos acima tiveram o intuíto de mostrar que estamos recuperando a capacidade de crescer a economia mas ainda estamos longe de promover o desenvolvimento, isto em função da concentração de renda que permeia a nossa economia.
As políticas públicas inicialmente voltadas ao desenvolvimento tinham um caráter nacional, no início dos anos 80, ganharam contornos regionais, para além do século XXI que teve início a dez anos, a lógica que tem se mostrado mais produtiva assenta em políticas públicas e privadas com foco local, aproveitando toda a gama de atores que influenciam direta ou indiretamente para a mudança de perspectiva e de cenário com vistas ao desenvolvimento, em destaque: empresas, sindicatos de trabalhadores, corporações, governo, organizações sem fins lucrativos, associações comunitárias, enfim todos aqueles que direta ou indiretamente possam contribuir para que de fato a renda advinda da produção de bens e/ou serviços modifique o cenário atual.

Disponível em: www.dm.com.br

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

O papel dos conselhos regionais de economia na sociedade

Os Conselhos Regionais de Economia são entidades de caráter federal e se encontram presentes em todos os Estados brasileiros. Dentre suas principais atribuições estão à fiscalização do exercício da profissão e a contribuição para o desenvolvimento socioeconômico das regiões.

No que tange à fiscalização, atua junto aos profissionais e as empresas que estes fazem parte como proprietários ou não, no sentido de garantir à sociedade que os estudos e trabalhos por eles propostos ou mesmo a eles contratados não tragam riscos aos seus demandantes e por que não dizer à própria economia do País.

Portanto, meus amigos, estas entidades no âmbito da fiscalização podem e devem prestar sua contribuição de forma ímpar e isenta, não devendo pender para nenhum lado, senão o da própria legislação que os rege.

Os Conselhos são compostos por nove conselheiros efetivos e nove suplentes, com um terço sendo renovado anualmente, desde que os economistas que os integrem estejam rigorosamente em dia com suas obrigações financeiras perante estas entidades. Os Conselhos, por sua vez, elegem os seus presidentes e vices presidentes, a quem caberão representá-los, por um mandato de um ano, podendo inclusive serem reeleitos.

A Carta Magna destas entidades são os seus Regimentos Internos, os cumprindo à risca seus gestores estarão prestando um serviço correto, austero, transparente e com a independência necessária que os cargos merecem, sem incorrer no arbítrio e em abusos de poder, sob pena de responder processos por improbidade administrativa, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Nestas entidades existem os atos normativos que devem ser referendados pelo Conselho e os administrativos, a cargo de seus presidentes e vices presidentes. Os Conselhos devem ter como norte a valorização da classe, a fiscalização, a participação de seus membros em postos relevantes garantidos pela legislação vigente, como o assento nos Conselhos Administrativos Tributários no âmbito das Secretarias de Fazenda dos Estados, como no caso específico do Conselho Regional de Economia da 18ª região, cuja participação foi aprovada por emenda constitucional na legislatura passada, mas que ainda não foi cumprida. Como representante legítimo do Conselho buscaremos junto a esta secretaria o que é direito do conselho.

As entidades em tela devem ter como partido apenas os seus membros, não se devem prender a “A” ou “B”, pois em não se portando assim tendem a perder sua credibilidade perante a classe e a própria sociedade. Isto não quer dizer que não devam estar abertos às grandes discussões e às propostas daqueles que se colocam a serviço da sociedade, concorrendo a cargos públicos majoritários ou não. Devem abrir a todos de forma igual sem preterir a ninguém para que possam apresentar suas propostas e fazer com que seus membros as debatam extraindo destas discussões documentos oficiais a serem enviados a estes candidatos, no sentido de subsidiá-los em seus projetos em favor do desenvolvimento socioeconômico de seus Estados.

No âmbito destas entidades existem várias comissões de trabalho, lideradas e compostas pelos próprios economistas, no sentido de discurtir questões e propor ideias que venham de fato a contribuir não só para o seu desenvolvimento como o dos próprios Estados em que estes se fazem representar.

É importante que se diga que os trabalhos dos economistas que integram estas comissões, nos conselhos e ainda dos que dirigem entidades são voluntários, há remuneração apenas aos colaboradores que através de concurso público prestam serviços a estes Conselhos. Os seus recursos advêm do pagamento das anuidades de seus membros efetivos, não considerados remidos e de transferências do Conselho Federal de Economia, devendo ser gastos de acordo com a legislação que rege a administração pública, destaque a Lei nº 4.320/64, a lei orçamentária e a Lei nº 8.666/93 e alterações, a lei de licitações.

As prestações de contas devem ser feitas trimestralmente ao Conselho Federal, devendo anteriormente serem aprovadas ou não pelos Conselheiros, que integram os Conselhos.

Eis aí meus amigos o papel que devem exercer os Conselhos de Economia na sociedade, para contribuir com o crescimento e o desenvolvimento econômico dos Estados em que se fazem presentes.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Goiânia: cenários empresariais

Em recente pesquisa realizada pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Mercadológicas das Faculdades Alfa, com 547 empresas, ficou constatado que 30,6% dos empresários pretendem investir este ano até 10% de seu faturamento em novos processos de produção e 26% dos empresários irão investir cerca de 5% de seu faturamento nestes mesmos processos. Com isso, os produtos provenientes destas empresas tendem a se tornar mais competitivos no mercado, vencendo parte dos entraves do ano anterior como a concorrência interna.

A amostra contou com 484 micro e pequenas empresas e 63 empresas de médio e grande porte. Do montante pesquisado, 73% empresas representam o varejo e o atacado, sendo 38% empresas do setor varejista e 35% do setor atacadista.

Em que pesem os problemas trazidos pela crise financeira internacional em 2009, os investimentos foram 30% superiores ao de 2008, favorecendo na Capital não só a manutenção de grande parte dos empregos, como também criando novos. Isto aconteceu pelo perfil e porte das empresas presentes em Goiânia. Apenas 11,5% das empresas são consideradas de médio e grande porte.

A crise financeira teve como ponto forte a retração do crédito, situação que afeta diretamente empresas de médio e grande porte, já que estas só realizam investimentos com recursos de terceiros se forem subsidiados.

A micro e pequenas empresas, pelo pouco tempo de duração no mercado, apresentam dificuldades históricas de crédito, razão pela qual só se financiam com recursos próprios. Neste sentido, investem no máximo 10% de seu faturamento na expansão de seus negócios, enquanto que os investimentos das empresas de médio e grande porte podem superar a casa de 20% do faturamento quando a conjuntura se apresentar favorável.

Como 88,5% das empresas que compreendem a amostra se enquadram no segmento de micro e pequenas empresas, praticamente não sentiram os efeitos da crise em seus primeiros meses, fato que só se verificou nos primeiros seis meses de 2009, pela retração do consumo e consequentemente das vendas, tanto no varejo como no atacado.

As exceções ficaram por conta do segmento de eletrodomésticos, veículos e materiais de construção, cujas vendas se mantiveram aquecidas em razão da redução e/ou isenção do IPI. Política de incentivos e benefícios fiscais bancada pelo governo federal. No caso específico de Goiânia, o governo estadual também fomentou esta e outras atividades, pois nos últimos 26 anos, faz uso deste tipo de política com programas no âmbito da Secretaria de Indústria e Comércio e da Fazenda, no sentido de fazer crescer a riqueza, não só da Capital como de todo o Estado.

Um dado que chamou atenção nesta pesquisa e em outras anteriores realizadas pelo Centro de Pesquisas Econômicas e Mercadológicas das Faculdades Alfa é que apenas (25%) dos empresários pesquisados implantaram em suas empresas programas continuados de qualificação profissional, o restante não o fez ainda por considerar este fator um gasto e não uma modalidade de investimento.

O resultado pode ser visto na qualidade de grande parte dos produtos e também no atendimento. Não obstante a este problema, outros se colocaram como obstáculo para o crescimento das vendas, pela ordem tributos (19,8%), juros elevados (18,8%) e para (10,8%) a concorrência no mercado interno.

A concorrência no mercado interno tem relação direta com a crise financeira e o tipo de política monetária adotada no período pelo Banco Central. Por quê? A crise reduziu a demanda por produtos no mercado externo e a política monetária praticada pela autoridade monetária valoriza o real e desvaloriza o dólar, dificultando a saída dos produtos brasileiros para outros mercados. Isto tem feito com que os exportadores passem a compensar a queda das vendas no mercado externo, aumentando suas participações no mercado interno.

Para o ano em curso, as expectativas são positivas, tanto é que para 50% dos entrevistados, o Produto Interno Bruto deverá crescer em torno de 4%. O que os leva a fazer este tipo de projeção é a recuperação das vendas, os investimentos já realizados e os a realizar, além das ações dos governos no sentido de manter os níveis de consumo em alta.

Mesmo se colocando como otimistas em relação ao desempenho da economia, os empresários ainda acham que alguns entraves podem continuar dificultando um melhor desempenho das vendas neste ano, são eles: tributos (18,8%), juros elevados (18,0%) e para 12,0%, concorrência no mercado.

Eis aí os cenários empresariais que se apresentaram para capital do Estado nos anos que se passaram e para o que se encontra em curso.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/goiania_cenarios__empresariais

Efeitos da política monetária nas contas públicas brasileiras

A opção por uma política monetária ortodoxa pelos governos brasileiros ao longo dos últimos dezesseis anos, por um lado contribuiu para derrubar as taxas de inflação e, por outro, acelerou o processo de endividamento público lastreado pela taxa selic. A taxa selic remunera os títulos públicos colocados no mercado interno para neutralizar os efeitos da entrada de recursos provenientes das exportações e das intervenções da autoridade monetária no mercado monetário doméstico.

No início do ano, a relação dívida PIB, ancorada na taxa selic, ficava em (42%). Atualmente, esta relação alcança (62%) do produto agregado da economia brasileira. Por que isto se verificou? Porque o Banco Central lança ao invés de controlar os níveis de inflação com políticas voltadas à produção de bens e/ou serviços, o faz através das taxas de juros.

Para se ter ideia, nas economias desenvolvidas, esta mesma taxa não supera a casa de (1,5%) ao ano, enquanto no Brasil esta é de (8,75%). A diferença entre as taxas praticadas na economia brasileira com a americana tem levado investidores a contraírem empréstimos em dólar e aplicar no mercado financeiro brasileiro. O resultado deste tipo de transação financeira leva à desvalorização do dólar em relação ao real.

Quem mais sofre com esta situação? Por um lado, os exportadores que veem sua competitividade reduzir no mercado externo, por outro o estado, pois vê sua dívida mobiliária se elevar como mostrado acima.

O aumento da dívida mobiliária leva o governo a gastar mais com o pagamento de juros, isto retira recursos de áreas estratégicas como: infraestrutura, educação, saúde e segurança pública.

É fácil de notar os efeitos maléficos desta opção de política fiscal, o programa de aceleração do crescimento padece por falta de recursos, existe grande diferença entre o que foi empenhado com os recursos de fato alocados, razão pela qual obras importantes, se não estão paradas, estão caminhando a passos de tartaruga. No que tange a saúde, o País convive com duas endemias graves a saber: a gripe suína que já vitimou muitos brasileiros e a proveniente do mosquito Aedes egypti, mais popularmente conhecida como dengue.

A segurança pública também apresenta problemas crônicos em todo o País, destaque para os baixos salários dos policiais, em que pesem os constantes aumentos concedidos nos últimos anos. Agrava ainda mais este fato, a diferença entre o armamento disponível para os marginais e os colocados nas mãos das polícias. A população atônita assiste inerte ao desenrolar desta situação.

Não obstante aos problemas aqui levantados, outros ainda deixam muito a desejar, como a educação. Muito embora os investimentos tenham melhorado nos últimos tempos, há muito ainda para se fazer, no sentido de colocar a educação brasileira no mesmo nível das economias desenvolvidas.

Os professores embora responsáveis pela formação intelectual dos cidadãos ainda ganham muito mal, retirando os da condição de dedicação exclusiva. O resultado é que a cada dia os concluintes do ensino fundamental e médio apresentam baixo rendimento e dificuldades de permanecer nas instituições de ensino superior, daí a razão da evasão superar a casa de (20%), tanto nos seguimentos públicos como privados.

Como mudar este quadro? Mudando a orientação da política fiscal. Para ser mais claro, é preciso que o Banco Central trabalhe com taxas de juros menores, para evitar a especulação nos mercados financeiros. A lógica deve assentar no controle da inflação pela produção e não através do endividamento e do comprometimento dos investimentos.

Fica aí mais um ponto de reflexão para o governo e para a sociedade.

Disponível em: http://www.dm.com.br/materias/show/t/efeitos_da_poltica_monetaria__nas_contas_publicas_brasileiras